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70º Festival de Berlim | ‘Bora Lá’ pessoal!

As relações pai-filho e irmão-irmão são o tema da Disney/Pixar, e a síntese dessa história de fantasia, baseada na realidade que é ‘Bora Lá’, que estreou na Berlinale 70 (fora da competição) e chega às salas nacionais já a 5 de Março.

Segundo o próprio realizador Dan Scanlon (‘Monsters University), a bela história de ‘Bora Lá’ é inspirada na sua própria família e no seu relacionamento com o irmão mais velho 2 anos; e na suposta ligação que ambos tiveram com o pai, que faleceu infelizmente quando o cineasta tinha apenas um ano de idade e o irmão três. Na verdade Scanlon e em certa medida o irmão, nunca conheceram o pai e cresceram vendo apenas a sua figura através de fotografias: O pai sempre foi um mistério para nós os dois. Uma pessoa de família enviou-nos uma cassete gravada dele onde dizia apenas duas palavras: ‘Olá’ e ‘Adeus’. Duas únicas palavras. Mas para mim e meu irmão, foi algo de mágico, refere o o realizador. As relações familiares são um tema recorrente das animações Disney/Pixar, mas colocá-las num filme intitulado ‘Bora Lá, em que se constrói um mundo de fantasia — a evolução temporal dos universos de ‘O Senhor dos Anéis’ e de ‘A Guerra dos Tronos’— para refletir a realidade, o mundo em que vivemos, e um subúrbio americano, com toda a parafernália de dispositivos tecnológicos que temos em casa e que fascinam os jovens, eleva significativamente, a fasquia desta animação, produzida na mais engenhosa fábrica de sonhos de Hollywood.

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TRAILER DE ‘BORA LÁ’

Num mundo de fantasia onde vivem os irmãos elfos Ian (Tom Holland) e Barley (Chris Pratt), a magia antiga foi substituída pela tecnologia de hoje. A vida dos dois rapazes, até pode ser mais confortável e rotineira em New Mushroomtown, com carros, telemóveis e fast food, mas também é menos emocionante e atraente do que na Terra dos Elfos. E tal como na realidade, os dois irmãos — no dia do aniversário de Ian— descobrem uma mensagem secreta do seu falecido pai, que mal chegaram a conhecer e há como que um novo mundo para descobrirem e ultrapassarem. Daí para a frente são dominados por esse enorme desafio de reviver o pai, não sem esforço, não sem terem que ultrapassar grandes obstáculos, enérgicas tarefas ou revelarem poderes mágicos como os feiticeiros de ‘O Senhor dos Anéis’. Mantendo a criatividade e magia de sempre da Pixar, este ‘Bora Lá’ acena ainda para muitos mais aspectos e referências do universo cinematográfico e literário da aventura e fantasia. É incrível! Divertido e emocionante, ‘Bora Lá’, o filme de Dan Scanlon, estreado na Berlinale 70 (fora da competição) abrange uma lado emocional muito forte e que é particularmente importante nos dias que correm, que para além dos relacionamentos é: quem podemos amar e confiar plenamente?

JVM (em Berlim)

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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