Resident Evil Requiem, a crítica (100% Achievements)
O novo capítulo do universo de “Resident Evil” chegou ao computador e às consolas no dia 27 de fevereiro. Além de diversos memes pelo regresso do nosso amado Leon S. Kennedy, o título chama a atenção pela história, performance e mecânicas.
Nesta crítica irei explorar um pouco da minha experiência, tanto no jogo principal, como na jornada para completar todos os troféus/achievements. O texto contém alguns spoilers mas nada demasiado importante que quebre o twist final.
Lembrando que “Resident Evil Requiem” está disponível para computador através da Steam ou Epic Games Store, e para consola através da PlayStation Store, Microsoft Store, ou My Nintendo Store.
O mundo ultra-realista de Resident Evil Requiem

Quando chegas à cidade com Grace, esta parece realmente viva. As pessoas andam apressadamente na rua, podes ouvir conversas casuais entre amigos, ou o som dos pneus a passar pela estrada molhada. Dá vontade de ficar ali alguns minutos, a admirar o quão realmente vivo este espaço digital parece ser. E isto não é por acaso. A vibração do exterior contrasta com o silêncio quase absoluto do hotel – a primeira localização do jogo -, tornando a experiência mais assustadora.
O Care Center está bem desenhado, permitindo um loop pelas secções, desbloqueado aos poucos, conforme exploras o local. O silêncio não é total. Além da Girl, o primeiro inimigo que ouves é o Cook, entre grunhidos e o som do cutelo a bater na bancada. Antes mesmo de o veres, já sabes que este não será um inimigo comum ou fácil de ultrapassar.
De resto, é sempre possível ouvir um zombie ou outro, nem sempre sendo fácil perceber se estão mesmo atrás de ti ou na sala ao lado, mantendo a tensão ao longo do tempo. Por vezes nem ouves nada em determinada sala, até o zombie se levantar e de repente entra aquele mini pânico que adoramos. E este ambiente de silêncio, quebrado por um som ou outro maroto, permanece em todo o jogo.

Raccoon City é outro local que tenho de destacar. É super curioso regressar, agora a uma cidade completamente destruída pelo ataque que tinha como “objetivo” impedir a infeção de se espalhar. Numa vibe meio “The Last of Us”, “Resident Evil Requiem” leva-nos a alguns dos locais mais icónicos, deixando-nos nostálgicos e até um pouco tristes por vermos a morte do espaço.
Leon e Grace, duas jornadas, em simultâneo
O Dual POV é sem dúvida um destaque de “Resident Evil Requiem”. Contrariamente ao que aconteceu no passado, não temos dois protagonistas em simultâneo, nem duas jornadas vividas individualmente. A história é relativamente linear mas saltamos entre Grace e Leon, explorando os espaços de forma distinta. E não te preocupes, pois jogarás com ambos num tempo igual, dividindo a atenção 50/50.
Grace, a Rookie ansiosa

Grace Ashford é uma das personagens introduzidas em “Resident Evil Requiem”. Ansiosa e inexperiente, como Leon fora outrora, o seu gameplay traduz na perfeição a sua essência. A câmara em primeira pessoa torna tudo mais assustador. Ela demora a reagir, cambaleia constantemente, e nunca deixa o nervosismo de lado. Apesar disto, ela tem uma missão e conseguirá encontrar a coragem necessária para terminar o que começou.
Contrariamente a Leon, apetrechado de um verdadeiro arsenal, Grace consegue apenas acesso a uma pistola, garrafas de vidro, facas e pouco mais. Isto torna o seu gameplay mais baseado no “sneaking”, escondendo-se ou correndo entre inimigos – ainda que seja possível eliminar grande parte deles.
O mapa é escuro, os corredores estreitos, no chão estão garrafas e outros objetos que nos fazem saltar momentaneamente, pensando tratar-se de um inimigo. O grande vilão de Grace é The Girl, precisamente uma criatura que não consegues matar, sendo obrigado a lidar com ela de forma menos direta.
Leon, o veterano de Resident Evil

Leon S. Kennedy regressa mais uma vez ao universo da Capcom, agora nos seus 50s. Visivelmente cansado, ele é uma autêntica máquina de matar. O gameplay é focado na ação tradicional, com recursos a SMGs, Snipers e, claro, a nossa amada Shotgun. Os inimigos não são apenas os típicos zombies, mas também soldados infetados da BSAA, bem como membros da Elite Guard – pertencente à Connections.
A sua jornada é uma verdadeira viagem nostálgica aos títulos passados, com pequenos easter eggs e momentos inspirados por eventos anteriores. Contudo, o grande auge é a sua chegada à RPD, emocionante e que me deixou uns minutos a olhar em volta. Tive ainda tempo para uma piada interna sobre “era giro enfrentar o Mr. X novamente ahah”… É… Temos de enfrentar novamente o Mr. X. No entanto, “Resident Evil Requiem” não arrasta desnecessariamente o duelo, tornando a experiência de facto interessante e não um repetir do que fizemos em “Resident Evil 2“.
A viagem emocional é cativante. Leon sente-se responsável pela perda de várias das vítimas com que se depara, 30 anos antes, e está determinado a não falhar novamente. Ele fará de tudo para terminar o ciclo e fazer a diferença.
Resident Evil Requiem possui inimigos mais imprevisíveis

Os “zombies” deste novo título da Capcom são diferentes. O vírus não os torna em criaturas que se comportam apenas por instinto. Elas mantêm parte da sua personalidade humana, desenvolvendo uma certa imprevisibilidade nas armas e comportamentos.
Por exemplo, podem usar armas para te atacar ou começar a correr “do nada” na tua direção. Além disto, alguns “regressam à vida” numa variante mais forte e fatal – um verdadeiro pesadelo para Grace. Visualmente são também distintas: a enfermeira, o médico, o cozinheiro, o paciente que odeia barulho, entre outros.
O Insanity Mode vai de facto deixar-te louco

Os inimigos não se limitam a ficar mais rápidos, fortes e difíceis de eliminar, eles tornam-se mais inteligentes, desde saltarem por cima de mesas a desviarem-se ativamente dos disparos. O exemplo que me deixou mais em “choque” foi um licker desviar-se por completo da minha última Acid Bottle… RIP. Há ainda inimigos adicionais em locais onde não existiam antes, por isso, cuidado a entrares numa sala que sabes muito bem “estar vazia”.
À semelhança de “Resident Evil Village”, este modo ultra difícil não é suposto ser jogado de forma vanilla. Não digo ser impossível e acredito que existam jogadores malucos o suficiente para o tentar, mas isto é o mesmo que fazer um “naked run” no Dark Souls.
No Insanity Mode de “Resident Evil Requiem” é suposto teres desbloqueado alguns extras que podem ir do completamente ridículo (como o Infinite Rocket Launcher), a bónus como armas novas (mais poderosas), ou Ink Ribbons infinitos para a Grace. Existem diversas opções que te permitem adaptar o nível de dificuldade mas, mesmo com tudo, prepara-te para um grande desafio.
Quão difícil é concluir todos os achievements?
De um modo geral, os achievements são relativamente fáceis de conseguir com alguns playthroughs. Os mais desafiantes são sem dúvida completar “Resident Evil Requiem” no Insanity Mode, bem como completar o jogo em menos de 4 horas, sem utilizar ervas ou o blood collector – estes três consegues fazer numa única sessão. Se estás a gostar deste novo título da Capcom, nenhum deles será um problema impossível de ultrapassar.
Crítica
Resident Evil Requiem
O novo jogo da Capcom traz uma lufada de ar fresco ao franchise com novas personagens e um segredo escondido de Raccoon City, tocando no nostálgico e encerrando a jornada do nosso amado Leon S. Kennedy de uma forma perfeita.
Overall
9/10User Review
( votes)Pros
- Mecânicas novas interessantes, novos movimentos por parte dos zombies (mais humanos e menos “robot”), bem como um Dual POV cativante
Cons
- Algumas lutas são super semelhantes a lutas do passado, estando no limite entre nostalgia e pouca criatividade

