Entre flautas, guitarras acústicas, rock progressivo e folk britânico, os Jethro Tull continuam a soar como uma banda impossível de catalogar. Mais de cinco décadas depois da sua fase dourada, a música liderada por Ian Anderson mantém intacta a capacidade de surpreender – especialmente quando escutada num sistema de alta-fidelidade verdadeiramente capaz de revelar todas as nuances das gravações originais.
Foi precisamente essa a proposta da mais recente edição das Saturday Mornings da Imacustica, realizada em Lisboa e dedicada aos “menestréis do rock”. Agora, depois da sessão lisboeta, a experiência segue para o Porto, convidando melómanos e audiófilos a redescobrir alguns dos momentos mais marcantes da discografia dos Jethro Tull.
As Saturday Mornings da Imacustica continuam a afirmar-se como um dos formatos mais interessantes de divulgação musical e cultura áudio em Portugal. Muito mais do que simples demonstrações técnicas, estas sessões comentadas procuram contextualizar artistas, gravações e diferentes épocas musicais, sempre acompanhadas por sistemas de reprodução high-end cuidadosamente selecionados.
Tal como já tínhamos destacado anteriormente no artigo da MHD dedicado ao calendário de 2026 das Saturday Mornings da Imacustica, o conceito passa por criar uma experiência de escuta mais consciente, pausada e informada, algo cada vez mais raro numa era dominada pelo consumo rápido e fragmentado de música.
Uma viagem pela era clássica dos Jethro Tull

A sessão realizada em Lisboa centrou-se sobretudo no período entre 1971 e 1978, provavelmente a fase mais criativa e influente da banda britânica. Sob curadoria de Carlos Saraiva, os participantes puderam ouvir diferentes prensagens, remasters e versões especiais de alguns dos álbuns mais icónicos dos Jethro Tull. Entre os temas escolhidos estiveram:
- “Aqualung”
- “My God”
- “Baker St. Muse”
- “Quiz Kid”
- “Old Aces Die Hard”
- “Songs from the Wood”
- “Hunting Girl”
- “Beltane”
- “Locomotive Breath”
A seleção percorreu álbuns essenciais como “Aqualung” (1971), “Minstrel in the Gallery” (1975), “Too Old to Rock ’n’ Roll: Too Young to Die!” (1976), “Songs from the Wood” (1977), e “Heavy Horses” (1978).
Entre os momentos mais marcantes da audição terá estado “Locomotive Breath”, aqui apresentado numa versão remix recente incluída na coletânea Still Living in the Past 2025 Remix, bem como “Songs from the Wood” e “Hunting Girl”, exemplos perfeitos da fase folk-progressiva mais sofisticada da banda.
Música, sistemas high-end e escuta crítica
Além da componente musical, estas sessões funcionam também como montra para sistemas de reprodução de elevado desempenho. No caso desta edição, o sistema utilizado incluía eletrónica Krell e colunas JBL combinação particularmente adequada para explorar a dinâmica, escala e complexidade instrumental das gravações dos Jethro Tull.
É precisamente neste tipo de contexto que muitos redescobrem álbuns que julgavam conhecer bem. Pequenos detalhes de gravação, texturas instrumentais, reverberações naturais e microdinâmicas tornam-se mais evidentes, reforçando a ideia de que ouvir música pode ser uma experiência muito mais imersiva do que aquilo a que a maior parte dos serviços de streaming comprimido nos pretendem “vender”. Uma redescoberta que acaba por se cruzar com o atual renascimento do vinil, fal como abordámos recentemente no artigo da MHD sobre as razões desse fenómeno.
Porto recebe próxima sessão das Saturday Mornings

Depois da edição em Lisboa, a próxima sessão dedicada aos Jethro Tull terá lugar na loja Imacustica do Porto, no próximo dia 23 de maio, às 11h00. A participação é gratuita, mas requer inscrição prévia devido ao número limitado de lugares disponíveis. As reservas podem ser efetuadas através do email: imacustica@imacustica.pt.
Para quem aprecia rock progressivo, folk britânico ou simplesmente experiências de audição fora do habitual, esta será provavelmente uma das formas mais interessantes de começar o próximo sábado de manhã.

