“Fjord” acompanha uma família muito religiosa que se muda da Roménia para uma pequena vila Norueguesa, após encontrarem um novo trabalho. Um dia, uma das filhas aparece na escola com uma marca que leva os professores a questionarem a origem das feridas.
Nesse sentido, as crianças são retiradas à família pela proteção de menores, para uma investigação aos pais. E surge a questão se a sua educação rígida esteve na origem das marcas da criança.
Cristian Mungiu é o realizador de “Fjord”, um ex-jornalista que retira as ideias para os seus filmes de notícias dos jornais. Assim, “Fjord” surge de uma investigação de quase dez anos, para analisar vários casos reais e criar esta história.
Fjord é um filme que vai gerar discussão
É sempre bom ver no cinema realizadores que arriscam com histórias ambíguas e que vão gerar discussão. É um filme mesmo feito para isso, o realizador não toma partidos e não nos diz o que está certo ou errado.
Coloca a filosofia progressista contra a tradicional e mostra onde as duas estão certas e onde as duas estão erradas. Leva-nos a empatizar com perspetivas que não são as nossas, mas que conseguimos compreender.
Assim, expõe temas de descriminação, numa sociedade atual que promove o ódio e a falta de empatia e compreensão. Mas ao abordar estes temas e mostrar-nos as duas prespetivas, saimos com uma ideia de quase esperança, de que é possível compreendermo-nos se formos mais abertos às ideias dos outros e menos rígidos com a vida de cada um.
Uma família pouco credível

Apesar das suas questões importantes e da forma interessante como as expõe, nunca consegui entrar totalmente no filme e isto acontece principalmente devido aos atores. Sebastian Stan e Renate Reinsve estão nos papéis principais de “Fjord”. São dois ótimos atores que já mostraram o seu talento e versatilidade em filmes, como por exemplo “The Apprentice” e “Sentimental Value”.
Contudo, por já conhecer o seu trabalho, talvez, nunca achei estas personagens credíveis. Ambos os atores não parecem fazer parte de uma família religiosa, tradicional e passiva.
Os atores não trasparecem isso naturalmente e mesmo o costume design, cabelo e maquilhagem parecem forçados para acreditarmos nestas personagens. Em tempo nenhum me consegui esquecer de que estava a ver Renate Reinsve e Sebastian Stan, mesmo com a qualidade dos atores.
Fjord como uma personagem

Há filmes que usam o seu ambiente como uma própria personagem. Como o nome indica, “Fjord” passa-se exatamente nos Fiordes Noruegueses. Nesse sentido, a imagem, as paisagens e a cinematografia são absolutamente lindíssimas.
Contudo, esta paisagem, o sítio onde é filmado acaba por não servir para nada a não ser a cinematografia. Estando no nome do filme e com a presença natural que tem, o realizador deveria ter usado os Fiordes como uma própria personagem do filme.
Utilizar o ambiente para mostrar como, a pequena vila isolada, para mostrar como a família se estava a sentir isolada naquele momento, sem ter sítio para onde ir. E como estão a passar por um momento cruel, onde a comunidade não os apoia, mesmo num lugar tão bonito que representava incialmente um sonho para eles.

