O primeiro dia do Rock in Rio Lisboa 2026 ficou marcado pelo domínio absoluto da pop brasileira e americana, num recinto esgotado que reuniu cerca de 100 mil pessoas no Parque Tejo, em Lisboa.
Entre o funk arrasador de Pedro Sampaio (o caos brasileiro, como o próprio refere), a homenagem dos Napa e o espetáculo grandioso de Katy Perry, este primeiro dia confirmou que o festival continua a ser um dos grandes acontecimentos musicais do verão português.
Um recinto renovado e mais funcional
Depois da estreia no Parque Papa Francisco em 2024, a organização introduziu várias melhorias para esta 11.ª edição portuguesa.
A área destinada ao público cresceu, as zonas de restauração aumentaram e o número de casas de banho subiu significativamente, incluindo opções sem distinção de género.
Além disso, a antiga zona de acesso ao Palco Mundo, que antes criava autênticos engarrafamentos humanos, foi reformulada com uma torre multimédia e espaços de experiências imersivas.
O resultado é um festival mais fluido. No entanto a falta de sombras naturais continua a ser um desafio para quem enfrenta as temperaturas elevadas da tarde.
Os Napa e o duplo disco de platina
A meio da tarde, foi a vez dos Napa subirem ao Palco Super Bock, num concerto que dividiu opiniões entre quem esteve presente.
Ao contrário da energia sentida e dada pelo público noutros festivais, como o Primavera Sound Porto, grande parte do público parecia distraído, e a sensação de expectativa não correspondida foi notória. No entanto, quando tocaram “Deslocado”, surge uma onda de telemóveis. Tudo pronto para gravar e não “perder” nada.
Assim que a banda terminou e o público captou o momento em vídeo, uma fatia considerável dos espectadores começou a abandonar a zona do palco, contrastando com a adesão entusiástica verificada, uma vez mais, no Primavera Sound Porto.
Ainda assim, a tarde reservou um momento histórico para o grupo português. Em palco, das mãos de Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, os Napa receberam o duplo disco de platina pelas vendas alcançadas no Brasil.
Consequentemente, a banda tornou-se o artista português que mais rapidamente atingiu este marco no mercado brasileiro.
Pedro Sampaio transforma o Palco Mundo numa discoteca a céu aberto
Enquanto isso, no Palco Mundo, Pedro Sampaio entregou uma das atuações mais comentadas do dia. Com êxitos como “Pocpoc”, “Galopa” e o já icónico “Cavalinho”, o DJ brasileiro levou praticamente todo o recinto a reproduzir os seus passos de dança. Na última música menciona, houve uma onda coletiva que se fez sentir de ponta a ponta do parque.
A presença de MC Melody, que subiu ao palco para interpretar “Jetski”, veio somar ainda mais euforia a um espetáculo sem pausas.
Apesar da hora menos favorável, às 19h00, ainda com luz do dia, a energia do artista bastou para compensar a ausência do ambiente noturno que normalmente intensifica este tipo de produção.
Charlie Puth conquista pelo talento, mas sem euforia generalizada
Por sua vez, Charlie Puth seguiu-se a Pedro Sampaio com uma proposta bem distinta. O cantor norte-americano apostou na qualidade vocal e em arranjos sólidos, mostrando-se em forma ao longo de temas como “We Don’t Talk Anymore”, “Attention” e “See You Again”.
Contudo, o público pareceu menos rendido do que à atuação anterior, talvez por efeito de contraste com a festa instalada momentos antes.
Mesmo assim, a atuação foi tecnicamente competente e deixou a sensação de que o artista poderá voltar a Portugal com receção ainda mais calorosa. Maioria das pessoas aproveitou esta hora para ir jantar antes de Katyt Perry, numa altura em que a zona de restauração estava cheia.
Katy Perry, a açoriana que conquistou o Parque Tejo
Finalmente, a noite ficou reservada para Katy Perry, a cabeça de cartaz mais aguardada do dia. Com uma sequência inicial demolidora com “California Gurls”, “Teenage Dream” e “Last Friday Night (T.G.I.F.)”, a cantora americana eliminou qualquer período de adaptação e levou o público a cantar em coro desde os primeiros minutos.
Ao longo de quase duas horas, sucederam-se temas como “Dark Horse”, “E.T.” e “I Kissed a Girl”, sempre acompanhados por uma produção visual que alternava entre praias californianas e cenários espaciais.
Entre os momentos mais emotivos, destacou-se a homenagem à ligação açoriana da artista, com referências repetidas às raízes da família em Ponta Delgada, São Miguel.
Por outro lado, a versão acústica de “Roar”, interpretada apenas ao piano. Assim trouxe um registo mais íntimo a um espetáculo dominado pelo excesso e pela festa.
O encerramento ficou a cargo de “Firework”, seguido de fogo de artifício sobre a ponte Vasco da Gama, fechando assim, em grande estilo, o primeiro de quatro dias de Rock in Rio Lisboa 2026.
O que esperar dos próximos dias
Com este primeiro dia esgotado e o hoje também já com lotação completa para receber os Linkin Park, tudo indica que o Rock in Rio Lisboa 2026 deverá manter o mesmo nível de adesão até ao final do festival, nos dias 27 e 28 de junho.

