Sam Reid © Sophie Giraud/AMC

Se “The Vampire Lestat” nos proporcionou dois episódios caóticos nos quais Lestat (Sam Reid) investe o seu tempo a construir uma máscara perfeita do vampiro egocêntrico e sociopata, tudo muda no terceiro capítulo. “Toronto” leva-nos por duas jornadas emocionais e redentoras que fecham dois ciclos de dor e tormento.

Baseada no livro homónimo de Anne Rice, “The Vampire Lestat” serve como a terceira temporada de “Interview with the Vampire“. Estreada em Portugal no dia 15 de junho, os episódios estão disponíveis na AMC e os novos capítulos são transmitidos todas as segundas pelas 22h15. Podes ainda encontrar a crítica de “Ep 1: Detroit” e “Ep 2: Toledo” na tua MHD.

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Uma viagem ao passado: Esperança e Dor

Depois do glitter e caos dos primeiros episódios, “The Vampire Lestat” muda de direção. “Toronto” apresenta-nos a verdade sobre o que tornou Lestat, no Lestat. Através de uma das entrevistas com Daniel Molloy (Eric Bogosian), somos transportados novamente para França – onde tudo começou.

Entre a faceta de drama queen e monstro perverso, é fácil esquecer que Lestat fora humano uma vez. E é esta versão que conhecemos no novo episódio. Não o vampiro extrovertido e carismático que Armand (Assad Zaman) apresenta a Daniel Molloy em “Interview with the Vampire”, mas o homem doce e vulnerável que se apaixona por um amigo de infância chamado Nicolas.

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E é precisamente neste período de felicidade, entre o amor de Nicolas e um país que se liberta das amarras reais, que Magnus aparece. Em “Interview with the Vampire”, Lestat confessa a Louis e Claudia que fora capturado e torturado por um vampiro chamado Magnus. Os detalhes são poucos, com Lestat a dar-lhe pouca importância. Mas, claro, isto não é bem verdade.

Numa sequência alucinada que transforma Magnus (Damien Atkins) no protagonista de um videoclip macabro, o criador de Lestat é humilhado ao ser representado por um mero fã obcecado. Um evento sem importância… Mas após a transformação tudo muda (voltaremos aqui mais à frente). A sua personalidade muda e, especialmente após se envolver com Armand, a relação com Nicolas deteriora-se, culminando na sua trágica morte.

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A Vampira Gabriella, a Mestre de Marionetas

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Assad Zaman, Jennifer Ehle, Sam Reid © AMC

Quando Gabriella é apresentada em “The Vampire Lestat”, ela é a vítima que sobreviveu. Depois de décadas de tormento, ela recomeça a vida e afasta-se por completo do passado – inclusive de Lestat. Contudo, o terceiro episódio começa a desenrolar a sua verdadeira influência nos eventos que transformaram um jovem otimista e romântico, no monstro de “Interview with the Vampire”.

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Quando Louis (Jacob Anderson) nos conta sobre a relação entre Lestat, Nicolas e Armand, Gabriella nunca é mencionada. Aliás, ele nem a refere ao longo da entrevista. Como se a sua presença não tivesse sequer tido grande influência nos eventos. Por isso, é curioso ver como tudo muda com a perspetiva de Lestat.

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Gabriella está sempre ao seu lado, uma espécie de sanguessuga emocional. Cria conflitos, tenta impedir Lestat de salvar Nicolas, está sempre no meio do filho e Armand (com um macabro interesse pelo seu poderoso criador). Brinca com o sofrimento dos que a rodeiam, rindo-se quando Nicky amputa a própria mão. Ela revela uma depravidade quase chocante e que explica a razão de Lestat não a contactar ou mencionar tão frequentemente quanto pensaríamos.

E é precisamente a viagem ao passado que o leva a livrar-se dela. Preso num ciclo sem fim entre o carinho e o ódio que tem por ela, Lestat não se deixa manipular por completo. Transforma Nicolas contra a sua vontade, relaciona-se com Armand apesar dos comentários. No fim, relembra o modo como a presença de Gabriella impacta a sua vida pelo negativo, mais do que pelo positivo.

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“The Vampire Lestat” e o ciclo eterno de sofrimento

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Damien Atkins © AMC

“Toronto” alimenta-se de ciclos. Gabriella dá vida a Lestat, Lestat dá-lhe vida ao transformá-la. Louis culpa-se pelo sofrimento e destino de Claudia. Lestat repete a dança com Magnus e a perda de Nicolas uma e outra vez.

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É neste contexto que “The Vampire Lestat” nos oferece a melhor cena de todas. Enquanto Louis lê a Bruce as páginas do diário de Claudia, onde ela descreve os momentos de horror que viveu com ele, Lestat enfrenta o fantasma de Magnus e dos homens que este matou antes de o encontrar.

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É uma cena crua, emocionalmente carregada. Os sentimentos dela encaixam na perfeição com o passado de Lestat e cada palavra é pesada. Tal como Claudia presa no soalho, Lestat sentiu-se indefeso e encurralado nas presas de Magnus. Pequeno.

No fim, Louis mata Bruce e encerra um ciclo da sua vida. Lestat acaba por ter um acidente e “renascer” uma nova vez. Em palco, na noite seguinte, ele tem uma confiança nova. Na plateia vê os seus fantasmas, incluindo um Nicolas sorridente e um Magnus derrotado.

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E assim descobrimos a origem do ego e do cinismo, a máscara de glitter que usa para se proteger daquelas que provavelmente são as maiores mágoas da sua vida. O primeiro grande amor que perdeu de forma tão trágica, e a transformação traumática.

Mas “The Vampire Lestat” tem mais uma surpresa. Porque claro, se investimos um episódio a relembrar o passado, não poderíamos terminar sem Armand. De regresso e claramente à caça de Lestat.

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