Christopher Nolan está de volta aos cinemas com “A Odisseia”, a sua ambiciosa adaptação do poema épico de Homero, que chega às salas portuguesas já a 16 de julho.
Foi gravado integralmente em câmaras IMAX 70mm e segue a demorada e perigosa viagem de regresso de Ulisses a Ítaca depois da Guerra de Troia. Enfrentando monstros, deuses e inimigos de todos os tipos, enquanto a sua mulher Penélope tenta afastar os pretendentes ao trono. Além disso, o seu filho Telémaco parte à procura do pai desaparecido.
Antes de dar início às filmagens, Christopher Nolan seguiu uma prática habitual sua: organizou sessões de visionamento para o elenco e a equipa técnica, mostrando-lhes três clássicos do cinema que serviram de inspiração para a textura visual e emocional do filme.
Segundo o realizador partilhou numa entrevista ao Independent, este tipo de referências raramente é usado de forma direta, funcionando antes como um ponto de partida para o “tom” geral da obra.
Quem entra em Odisseia?

O elenco tem Matt Damon como protagonista, interpretando Ulisses, o rei de Ítaca. Cuja longa jornada de regresso a casa é o fio condutor da história. Anne Hathaway dá vida a Penélope, a esposa que resiste aos pretendentes durante os longos anos de ausência do marido. E Tom Holland interpreta Telémaco, o filho que parte em busca de notícias do pai.
Além destes três atores, o filme conta com um restante elenco de luxo, com nomes como Robert Pattinson, Zendaya, Travis Scott, Charlize Theron, Jon Bernthal, Mia Goth, Elliot Page, Benny Safdie, Himesh Patel, Lupita Nyong’o e John Leguizamo.
“Andrei Rublev” (1966), de Andrei Tarkovsky
O primeiro dos três filmes escolhidos por Christopher Nolan foi esta obra-prima do realizador Andrei Tarkovsky, centrada na vida de um pintor icónico que decide parar o seu trabalho depois de testemunhar uma batalha violenta.
Tal como acontece com as restantes referências, o realizador não procurou inspiração em elementos narrativos concretos. Mas sim numa atmosfera visual e histórica que pudesse ecoar na sua própria reconstituição do mundo antigo.
“Ran” (1985), de Akira Kurosawa
Christopher Nolan destacou esta obra de Akira Kurosawa que nos transporta para o Japão feudal. Elogiando o uso que o filme faz da paisagem e do vento. O realizador contou que, depois de ver o filme com a equipa, perceberam a importância visual de elementos como os estandartes a esvoaçar ao vento em cena.
A história de “Ran” centra-se em Hidetora Ichimonji, que decide dividir o seu reino pelos três filhos e retirar-se do poder. A decisão desencadeia uma guerra, pois os dois filhos mais velhos voltam-se contra o pai e um contra o outro. Numa espiral de traição, ambição e destruição.
“A Última Tentação de Cristo” (1988), de Martin Scorsese
Por fim, o terceiro filme que Christopher Nolan escolheu foi esta obra de Martin Scorsese. Destacando-o como uma forma acessível e ao mesmo tempo rigorosa de relatar um período histórico distante.
O filme reimagina a vida de Jesus Cristo (interpretado por Willem Dafoe) através de uma perspetiva marcadamente humana. O momento mais controverso da obra foi o seu final, que gerou grande polémica junto dos grupos religiosos.

