©Wilson Audio/©dCS Varese / ©TechDas / © Dan D’Agostino/©Transparent

Há automóveis, relógios e iates que desafiam a imaginação. No universo do áudio High End também existem obras de engenharia capazes de ultrapassar vários milhões de euros quando reunidas num único sistema.

Algumas dessas preciosidades tecnológicas estão representadas em Portugal pela Imacustica, uma das casas históricas do áudio High End nacional, com espaços em Lisboa e no Porto e um catálogo que inclui largas dezenas das marcas mais prestigiadas do mundo.

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Um sistema de som que pode custar vários milhões de euros

Há sistemas completos que ultrapassam facilmente um milhão de euros. O que hoje lhe mostramos, totalmente equipado, pode valer vários milhões e reúne algumas das peças de áudio mais extraordinárias alguma vez construídas.

Cada uma destas cinco propostas é considerada por muitos especialistas uma referência absoluta na sua categoria: um sistema digital de última geração, umas colunas monumentais, amplificação capaz de controlar praticamente qualquer coluna, um gira-discos com centenas de quilos e cabos personalizados para os equipamentos aos quais serão ligados.

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Tal como acontece com um Bugatti, um Rolls-Royce ou um Ferrari construído numa configuração exclusiva, o objetivo já não é apenas cumprir uma função. É descobrir até onde a engenharia, os materiais e a obsessão pelo detalhe podem chegar quando o preço deixa de ser a principal limitação.

dCS Varèse: o áudio digital levado ao limite

Imacustica Varese Hi-Fi
©dCS Varese

A britânica dCS começou por desenvolver conversores de sinal e sistemas de radar para os setores da aviação, da indústria aeroespacial e da defesa. Entre os seus projetos esteve o sistema de radar Blue Vixen utilizado nos Sea Harrier da Marinha britânica.

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Essa experiência em processamento digital acabaria por ser aplicada à música, dando origem ao primeiro conversor analógico-digital de 24 bits do mundo e à exclusiva arquitetura Ring DAC.

O atual ⁠dCS Varèse Music System representa a mais ambiciosa concretização dessa herança.

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O sistema distribui as diferentes tarefas por um Core central, uma interface de utilização, um Master Clock e dois Mono DACs — um exclusivamente dedicado a cada canal. Pode ainda receber o novo transporte de CD e SACD da marca.

Em vez de concentrar toda a conversão digital num único aparelho, a dCS criou uma arquitetura modular ligada através do protocolo ACTUS e desenvolveu uma nova versão diferencial do seu Ring DAC. Os circuitos, fontes de alimentação e delicadas secções de relógio são fisicamente isolados, enquanto os chassis são maquinados em blocos maciços de alumínio.

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É uma espécie de hipercarro do áudio digital: complexo, exclusivo e construído para extrair de uma gravação informação que a maioria dos sistemas nem sequer consegue revelar. (⁠dCS)

Wilson Audio Autobiography: uma escultura monumental com 744 quilos

Colunas Imacustica Hi-Fi
©Wilson Audio

As novas ⁠Wilson Audio Autobiography não parecem ter sido desenhadas apenas para reproduzir música. Parecem ter sido criadas para dominar uma sala.

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Cada coluna mede cerca de 2,06 metros de altura e pesa aproximadamente 372 quilos. O par aproxima-se, portanto, dos 744 quilos, sem contar com embalagens ou equipamento associado. O peso total de transporte ultrapassa mesmo uma tonelada.

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Os diferentes módulos que albergam os altifalantes podem ser posicionados de acordo com a distância e a altura do ouvinte, procurando que as várias frequências cheguem ao ponto de audição corretamente alinhadas no tempo.

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Cada instalação exige, por isso, mais do que simplesmente colocar duas colunas numa sala. Tal como a afinação da suspensão, aerodinâmica e posição de condução num automóvel de competição, a geometria do sistema é ajustada ao espaço e ao seu proprietário.

E caso o design assumidamente exuberante das Autobiography não conquiste a sua simpatia, talvez valha a pena conhecer as mais ortodoxas ⁠Magico M9. Medem 2,03 metros, pesam cerca de 454 quilos cada e representam outra interpretação radical do que pode ser uma coluna sem compromissos. (⁠Wilson Audio)

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Dan D’Agostino Relentless: a insustentável beleza da potência

Daniel Dagostino
©⁠Dan D’Agostino

O nome escolhido não deixa grande margem para dúvidas. Relentless significa implacável.

A gama ⁠Dan D’Agostino Relentless combina o ⁠pré-amplificador de referência com enormes amplificadores monofónicos, concebidos para alimentar uma coluna cada um.

No topo encontra-se o ⁠Relentless Epic 1600, capaz de fornecer 1.600 watts a 8 ohms, 3.200 watts a 4 ohms e uns quase inacreditáveis 6.400 watts a 2 ohms. Cada unidade pesa aproximadamente 258 quilos e pode consumir até 10 kW quando levada ao limite.

Mas a potência é apenas uma parte da história. Os mostradores inspirados na relojoaria suíça, os enormes dissipadores de cobre e alumínio e a construção quase escultórica transformam estes aparelhos em objetos tão próximos da arte industrial como da eletrónica.

É frequente encontrá-los associados às maiores Wilson Audio em sistemas de demonstração de referência espalhados pelo mundo. Não apenas por serem capazes de tocar muito alto, mas porque conseguem controlar colunas gigantes com a combinação de autoridade, velocidade e delicadeza que distingue potência bruta de verdadeira engenharia. (⁠Dan D’Agostino)

TechDAS Air Force Zero: um gira-discos digno de um Chefe de Estado

Zero Imacustica
©TechDAS

O ⁠TechDAS Air Force Zero parece menos um gira-discos e mais uma máquina científica concebida para um laboratório secreto — ou para a residência de um Chefe de Estado particularmente apaixonado por vinil.

A unidade principal pesa aproximadamente 330 quilos, podendo chegar aos 350 quilos em determinadas configurações e medições, antes de acrescentarmos as fontes de alimentação, bombas de ar, braços e restantes acessórios.

O prato é constituído por várias camadas de materiais distintos e trabalha sobre uma almofada de ar. O disco pode ser fixado por vácuo, enquanto a base pneumática procura isolar o sistema das vibrações da sala.

Tudo isto serve um objetivo aparentemente simples: permitir que uma minúscula agulha percorra os sulcos de um disco com o mínimo possível de interferências mecânicas.

O resultado é uma das máquinas analógicas mais ambiciosas alguma vez produzidas. A ⁠TechDAS está representada em Portugal pela Imacustica, embora um Air Force Zero exija naturalmente condições de instalação e um suporte muito diferentes dos de um gira-discos convencional. (⁠TechDAS High End Turntables)

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Transparent Magnum Opus: cabos afinados para cada sistema

Magnum Opus
©Transparent

Para o público generalista, talvez este seja o capítulo mais surpreendente: existem cabos de colunas que custam tanto como um automóvel de luxo.

Um par de ⁠Transparent Magnum Opus Speaker Cables com 2,44 metros está anunciado por cerca de 98.770 euros.

Não se trata apenas de condutores envolvidos por uma cobertura luxuosa. Cada cabo possui redes elétricas desenvolvidas para controlar a relação entre amplificador, cabo e coluna. Os componentes são medidos e emparelhados, e a calibração pode ser adaptada às características dos equipamentos com os quais o cabo será utilizado.

Na prática, isto significa que um Magnum Opus pode ser especificamente configurado para trabalhar com amplificação Dan D’Agostino e colunas Wilson Audio, por exemplo.

É o equivalente audiófilo de escolher pneus, travões, suspensão e relações de caixa em função de um determinado automóvel e da utilização pretendida. Pode parecer extremo — e é precisamente essa a ideia. (⁠imacustica.pt)

Lisboa e Porto no mapa mundial do High End

Estas cinco criações representam apenas uma pequena parte das dezenas de marcas disponibilizadas pela Imacustica. O catálogo inclui igualmente nomes como Audio Research, Magico, Krell, Sonus faber, Transparent, dCS, TechDAS, Dan D’Agostino e Wilson Audio, entre muitos outros.

Encontrar vários destes equipamentos reunidos e cuidadosamente afinados é raro mesmo nas grandes capitais internacionais. Habitualmente surgem em distribuidores e lojas de referência como a KJ West One, em Londres, a Quintessence Audio, nos Estados Unidos, ou alguns dos mais reputados especialistas japoneses.

Portugal também pertence a esse mapa.

Naturalmente, nem todos estes produtos estarão permanentemente montados ou disponíveis para demonstração simultânea. Mas uma visita, preferencialmente marcada com antecedência, aos espaços da Imacustica em Lisboa ou no Porto poderá proporcionar algo que nenhuma fotografia ou ficha técnica consegue transmitir.

Porque um grande sistema High End não pretende apenas reproduzir música. Procura fazer desaparecer as colunas, a eletrónica e os próprios limites da sala, deixando-nos perante a ilusão de que os músicos estão realmente ali.


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