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A Netflix continua a provar que é mesmo a gigante do streaming em Portugal. A 11 de agosto, a plataforma lançou “Mourinho”, uma minissérie de três episódios sobre o icónico treinador português José Mourinho.

O interesse foi tanto que a série rapidamente se tornou a mais vista da plataforma. Mais de uma semana depois, “Mourinho” continua no Top e o documentário tem dado muito que falar.

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Assim, estas são sete das principais controvérsias que o documentário da Netflix está a causar.

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A farpa a Guardiola sobre os anos sabáticos

A maior rivalidade da carreira de José Mourinho é com o espanhol Pep Guardiola. Segundo o realizador Joe Pearlman, o catalão tinha concordado em aparecer, mas apenas se fosse o próprio Mourinho a convidá-lo pessoalmente, o que nunca aconteceu. Pearlman resumiu o episódio dizendo que isso “diz tudo sobre os dois personagens”.

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Apesar da ausência do treinador, Mourinho não deixou de fazer das suas. Alguns treinadores precisam de um período sabático, algo que eu detesto. Detesto essa palavra. Para mim, um período sabático significa fraqueza. Não me falem de períodos sabáticos. Eu nunca preciso descansar. Vou descansar quando morrer”, afirmou o “special one”.

Ainda que sem nomear diretamente o rival, todos entenderam que o atual treinador do Real Madrid tinha um alvo bem definido com a sua declaração.

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O caso Eva Carneiro reacende-se com o documentário da Netflix

O terceiro episódio revisita o incidente de 2015, quando a então médica do Chelsea entrou em campo para assistir Eden Hazard e acabou afastada do clube, avançando depois com uma ação judicial. No documentário, Mourinho justifica a sua reação da altura: “Eu não sou médico, mas os meus olhos sabem quando é que um jogador está lesionado, e sabem quando um jogador não está lesionado. Eu sabia que ele não estava lesionado, mas os médicos entraram em campo, e, naquele momento, ficámos reduzidos a nove jogadores”.

John Terry, antigo capitão do Chelsea, corrobora a versão do treinador e afirmou que a intervenção médica só podia acontecer em “casos muito muito graves”. 

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Por sua vez, Eva Carneiro respondeu nas redes sociais: “11 anos depois, e aqui estamos nós a reviver o pior. Espero que tenham ganho algum dinheiro com isto. Estamos sujeitos a um código de conduta médico-legal. Sinceramente, já seria saudável que o John Terry aprendesse as regras do jogo. Já passou tempo suficiente, amigo”.

A médica foi ainda mais longe e defendeu: “O árbitro Michael Oliver chamou-nos DUAS VEZES. O jogador Eden Hazard pediu assistência médica e, depois, estabelecemos contacto visual a partir da linha lateral, tendo ele confirmado que precisava de assistência médica, também DUAS VEZES. Nesse momento, enquanto profissional de saúde, as minhas mãos estão atadas”.

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A rutura com Iker Casillas em Madrid e o “pesadelo” dos jogadores

Mourinho Netflix Top mais vista
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Um dos momentos mais tensos do documentário é o relato do afastamento de Iker Casillas na primeira passagem de Mourinho pelo Real Madrid. O guarda-redes admite que a relação entre ambos era muito fria e que, ao longo dos anos, a corda acabou por partir. Já o antigo médio Sami Khedira foi mais longe, descrevendo o balneário como um verdadeiro pesadelo, com a relação entre Mourinho e jogadores como Cristiano Ronaldo, Casillas e Sergio Ramos completamente quebrada.

Mourinho, pelo seu lado, não se arrepende e justifica a decisão com aquilo que considera terem sido pedidos excessivos de Casillas, mais férias, treinos mais tarde, dispensa de estadias em hotel antes dos jogos, concluindo, no documentário, que rapidamente percebeu que os jogadores estavam mimados.

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A recusa em suceder a Sir Alex Ferguson no Manchester United

Uma das revelações mais surpreendentes é que Mourinho chegou a assinar para suceder a Ferguson em 2013 , antes de recuar: “Tanto que eu sabia, ele estava a aceitar. E depois, numa questão de horas, ele mudou”, contou o treinador de 84 anos.

Mourinho explica que, depois do Real Madrid, precisava de sentir que era amado, e que isso pesou mais do que o amor pelo futebol em si.

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O episódio “Spygate” com o Bolton, anos antes do escândalo do Southampton

Durante o primeiro título de Mourinho no Chelsea, a equipa terá tido acesso a imagens de um treino do Bolton Wanderers antes de um jogo. John Terry recorda o momento em que a equipa percebeu a dimensão do método: “Estávamos a ver um vídeo e, de repente, aparece o Sam Allardyce no treino do Bolton a dizer: acertem no Gallas, ele não é bom no jogo aéreo. Estava a cuspir e a falar assim para o microfone”.

Ainda hoje, Terry não sabe como as imagens foram obtidas: “Era tipo: ‘Uau, quem consegue imagens do treino de outra equipa?’ Ainda não sei onde o Mourinho arranjou aquela filmagem”. Por sua vez, André Villas-Boas, então responsável pela análise de vídeo no Chelsea, prefere enquadrar o episódio como inovação e não escândalo: “Foi o momento de rutura em termos de análise de jogo”.

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O episódio antecipa em uma década polémicas semelhantes no futebol moderno, e ganha relevância à luz do recente “Spygate” entre Southampton e Middlesbrough.

“Não me vais fazer chorar”: O momento em que o documentário quase descarrilou

Segundo os próprios realizadores, em entrevista à ESPN, a produção levou dois anos e meio e nem sempre correu bem: o próprio Mourinho terá dito, depois de uma sessão de entrevistas, que detestou completamente aquela linha de perguntas. Pearlman admite abertamente que havia manipulação mútua durante o processo: “Estávamos a ser manipulados constantemente, e sabíamos disso”, mas considera isso parte do trabalho.

O momento mais frágil surge quando é confrontado sobre a morte do pai, ocorrida durante a sua passagem pelo Manchester United, tema que Mourinho corta de forma visivelmente emotiva, dizendo apenas que não o vão fazer chorar.

A polémica que os fãs do Manchester United não perdoam

Por fim, uma das críticas mais recorrentes, incluindo no Reddit, é a forma como o documentário praticamente ignora a passagem de Mourinho pelo Manchester United (2016-2018) e os anos seguintes em Roma e Fenerbahçe. Um utilizador resume a frustração: “basicamente avançaram a correr pelo período entre 2016 e 2026”, lamentando que temas como o conflito com Paul Pogba tenham ficado de fora.

Outros comentários no mesmo tópico especulam que a razão pode ser contratual, “talvez tenha um NDA que o impede de falar sobre isso com mais detalhe”, enquanto outros defendem que o Manchester United simplesmente não é um dos clubes centrais na identidade do treinador. Há também quem critique o ritmo da série fora dessa fase, descrevendo a experiência como surpreendentemente dececionante face a produções anteriores sobre Mourinho.

Onde ver Mourinho no Streaming

“Mourinho” tem três episódios e está disponível na Netflix. Gravada ao longo de dois anos, a produção acompanha o percurso do técnico desde a vitória na Liga dos Campeões pelo F. C. Porto até ao regresso ao Real Madrid, passando por Chelsea, Inter de Milão e a primeira passagem por Madrid.

A realização é de Joe Pearlman e a produção de John Battsek, duas vezes vencedor do Óscar e responsável também por “Beckham”.


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