A Netflix continua a ser a rainha do streaming, e renova o catálogo constantemente. Desde adições como “The Tudors” e “Blue Moon” a minisséries como “Fúria” e “The Bombing of Pan Am 103“, a plataforma não para de surpreender.

Agora, há uma nova minissérie que estreou na terça-feira, dia 11 de agosto, e já está no Top das mais vistas de Portugal, destronando “My Life with the Walter Boys”. Trata-se de “Mourinho”,  o documentário de três episódios sobre o treinador português mais premiado e mais polémico do futebol mundial.

Pub

Lê Também:
De Henry Cavill a Natalie Dormer, por onde anda o elenco de Tudors, a série que já conquistou a Netflix Portugal

Qual é a história da minissérie Mourinho?

Mourinho Netflix Top mais vista
Cr. Courtesy of Netflix © 2026

Gravado ao longo de dois anos, “Mourinho” acompanha o percurso do técnico desde a vitória surpreendente na Liga dos Campeões pelo F. C. Porto, há duas décadas, até ao regresso ao Real Madrid, clube que volta a treinar agora.

Pelo meio ficam o Chelsea, o Inter de Milão e a primeira passagem por Madrid, além dos títulos conquistados em quatro países. A série promete ir além das manchetes para mostrar quem é, de facto, o “Special One”, embora o próprio Mourinho pareça relutante em abrir-se: chega a admitir, já perto do fim, que preferia não falar de si mesmo.

Pub

A produção é de John Battsek, duas vezes vencedor do Óscar e responsável por “Beckham”; a realização coube a Joe Pearlman, já nomeado para o BAFTA e o Emmy.

Quem participa no documentário que acaba de chegar à Netflix?

O documentário junta acesso direto a Mourinho com testemunhos de nomes incontornáveis do futebol das últimas duas décadas. Sir Alex Ferguson, John Terry, Iker Casillas, Zlatan Ibrahimović, Didier Drogba, Marcelo, Samuel Eto’o, Javier Zanetti, Frank Lampard e Petr Čech são algumas das vozes que ajudam a reconstruir a carreira do treinador.

Pub

O que diz a crítica sobre Mourinho?

Para o “The Guardian“, estamos perante um projeto que nunca vai a fundo. Phil Harrison nota que Mourinho aceitou protagonizar uma série de três episódios só para, no fim, se queixar de que não quer falar sobre si próprio, e sugere que o verdadeiro motivo por trás da participação terá sido a vontade de corrigir a narrativa pública sobre a sua carreira.

A publicação reconhece méritos ao documentário, sobretudo na forma como mostra os bastidores da “mentalidade de cerco” que Mourinho cultivou ao longo dos anos, mas lamenta que os momentos de vulnerabilidade genuína surjam poucas vezes e nunca aprofundados o suficiente. Sobre as equipas que o técnico construiu à sua imagem, o Guardian é direto: foram “tão difíceis de simpatizar como eram de vencer”.

Pub

Por sua vez, o “The Independent”  considera que três episódios são manifestamente insuficientes para cobrir uma carreira tão longa, e nota que o primeiro Chelsea, o Inter tricampeão europeu e o Real Madrid ganham destaque, enquanto a década seguinte, passada entre Manchester United, Tottenham, Roma, Fenerbahçe e Benfica, é despachada em poucos minutos. Louis Chilton compara a série, de forma desfavorável, ao “Diego Maradona” de Asif Kapadia, por este último ter mergulhado com mais coragem no lado pessoal e sombrio do protagonista. No fundo, o jornal acredita que fica-se sem “nenhuma noção real de quem ele é, por trás da fachada brilhante”.

O que diz o público sobre a produção da Netflix?

No IMDb, “Mourinho” está avaliado com 8 em 10. A crítica com mais destaque na plataforma resume bem o ceticismo de parte do público. O autor recomenda ver a série pelo futebol e pelas memórias, mas  para não confiar em tudo o que Mourinho diz sem confirmar por fora.

Pub

O utilizado levanta ainda uma série de perguntas que o documentário evita responder. A infância do treinador foi humilde ou privilegiada? O Chelsea contornou o fair play ao acumular estrelas a mais, só para as tirar à concorrência? Iker Casillas foi afastado do balneário para Mourinho liderar o grupo sem rivais? E o conflito com a fisioterapeuta do clube, resolvido com uma indemnização milionária que lhe terminou a carreira, merecia mais destaque? O autor remata: o padrão repete-se em quase todos os clubes. Um ou dois anos de sucesso. Depois, conflitos com jogadores, adjuntos e dirigentes… e finalmente, a saída.


About The Author


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *