Poucas carreiras em Hollywood foram tão longas e improváveis como a de Christopher Lee. Entre vampiros, magos e vilões de James Bond, o ator britânico construiu uma das filmografias mais extensas de sempre.
Além disso, ainda arranjou tempo, já depois dos 80 anos, para gravar álbuns de heavy metal. A carreira de Christopher Lee é, no minímo, lendária.
Quem foi Christopher Lee?

Nascido em Londres em 1922, Christopher Lee só se estreou no cinema depois de servir na Segunda Guerra Mundial, onde foi oficial de informações da RAF e esteve ligado a operações de forças especiais, incluindo a caça a criminais de guerra nazis já depois do conflito.
No entanto, sobre esse período, o próprio ator era sempre reservado. Limitando-se a dizer que tinha estado “ligado às forças especiais de tempos a tempos”.
A fama internacional chegou em 1958, quando deu vida ao Conde Drácula nos estúdios Hammer, papel que repetiu em vários filmes ao longo das duas décadas seguintes.
Seguiram-se personagens como Scaramanga em “O Homem da Pistola de Ouro” e o Conde Dooku em “Star Wars“. Assim sendo, no total, o ator chegou a acumular mais de 290 créditos em cinema e televisão, um número que lhe valeu o recorde do Guinness World Records de ator com mais papéis na história.
O único que conheceu Tolkien e o conselho macabro a Peter Jackson

Foi já depois dos 70 anos que Christopher Lee conquistou uma nova geração de fãs, ao interpretar Saruman na trilogia de “O Senhor dos Anéis“.
No entanto, aqui há um pormenor que poucos atores podem reivindicar. Ou sej, Christopher Lee foi o único elemento de todo o elenco das duas trilogias a ter conhecido J.R.R. Tolkien pessoalmente, num pub em Oxford, ainda nos anos 50.
Ao contrário do que por vezes se conta, não foi Tolkien quem o afastou do papel de Gandalf. Isto porque o autor morreu quase três décadas antes dos filmes serem feitos.
Foi antes a equipa de Peter Jackson que, ao encontrá-lo já comprometido com o casting de Ian McKellen para o mago branco, lhe ofereceu Saruman no local.
Essa ligação profunda a Tolkien e à sua própria experiência de guerra deixaram marca no set. Numa cena em que era esfaqueado pelas costas em “O Regresso do Rei”, o ator corrigiu Jackson quando este lhe pediu para gritar.
Ou seja, explicou, com a frieza de quem já tinha visto isso acontecer na vida real, que uma pessoa esfaqueada daquela forma não grita. O ar sai-lhe dos pulmões e o som é antes um gemido seco.
Uma última reviravolta, de Drácula a cantor de metal
Christopher Lee morreu em 2015, aos 93 anos, mas guardava ainda uma surpresa para os fãs. Assim sendo, depois dos 80 anos, lançou vários álbuns de heavy metal sinfónico sob o nome Charlemagne, incluindo temas inspirados na obra de Tolkien. Poucas carreiras conseguem somar Drácula, Saruman, Conde Dooku e um disco de metal na mesma biografia.


