Com dezenas de séries a chegarem semanalmente às plataformas de streaming, muitas (especialmente as que recebem menos marketing…) passam ao lado do grande público mesmo depois de terem convencido os nomes mais respeitados do género.
É o caso de “Servant“, thriller psicológico da Apple TV criado por Tony Basgallop e conduzido por M. Night Shyamalan como showrunner e realizador de vários episódios.
O que disseram os dois magos do cinema?
Guillermo del Toro foi um dos primeiros a falar publicamente sobre a série, ainda em 2020. “Gostei imenso. Esta é uma série elegante e muito bem concebida. Para mim, Ruper Gint quase rouba o protagonismo — tal como a encenação e o trabalho de câmara precisos nos episódios de M. Night Shyamalan. Por vezes, parece uma série europeia/britânica de desenvolvimento lento, mas isso, para mim, é uma vantagem”, começou por escrever num long tweet.
“É surreal, iconoclasta e insidiosamente assustador em muitos pequenos pormenores que podem pôr à prova a paciência de alguns, mas que, para mim, foram totalmente gratificantes. O elenco está lá para realizar atuações arriscadas e a série tem o frisson do terror silencioso e literário.
Simbolismo aberto, pavor surreal e interpretações muito, muito credíveis coroam os excelentes esforços técnicos e narrativos. Perfeita para uma tarde chuvosa, se tiveres predisposição para histórias de fantasmas que abordam o luto, a culpa, a melancolia e a natureza pouco gratificante e distante da vida moderna”, terminou.
Um ano depois, Stephen King juntou-se aos elogios. “Se há algo mais assustador ou mais viciante do que isto, não sei o que será. Foco preciso, excelente interpretação e atmosfera”.
Duas vozes que raramente coincidem no mesmo título, o que só por si diz muito sobre o que esta produção consegue fazer.
Qual o enredo?

O enredo acompanha Dorothy Turner (Lauren Ambrose) e o marido Sean (Toby Kebbell), um casal da Filadélfia que perde o filho de apenas 13 meses.
O choque provoca em Dorothy um surto psicótico tão grave que só é controlado quando lhe entregam uma boneca hiper-realista, tratada como se fosse o bebé.
Meses depois, o casal contrata uma jovem ama, Leanne (Nell Tiger Free), para cuidar da boneca, na esperança de que isso ajude Dorothy a recuperar.
É a partir daqui que a história começa a torcer-se, com Sean a desconfiar cada vez mais de Leanne e do que realmente se passa dentro daquela casa.
Rupert Grint, o Ron Weasley de Harry Potter, integra o elenco principal como Julian, irmão de Dorothy, e é um dos motivos que tem levado muitos fãs a redescobrir a série.
O que diz a crítica?
No Rotten Tomatoes, os números confirmam o entusiasmo da crítica. A primeira temporada arrancou com 83% de aprovação, a segunda subiu para 88%, a terceira 91% e a última atingiu os 100%. Ao longo das quatro temporadas conseguiu uma média de 90%, o que é impressionante.
“A dedicação de Servant ao absurdo gótico compensa amplamente nesta última temporada cheia de confiança, com esta série singular a terminar com uma nota de inquietação irónica, característica da série”, escreve a crítica de forma unânime.
“O que começou por ser um drama sinistro sobre um casal abastado de Filadélfia… [transformou-se] em algo totalmente insano, uma história arrepiante sobre seitas, conspirações e pragas, com uma interpretação única de Rupert Grint no papel de Julian, o irmão dissoluto de Dorothy”, acrescenta o The Times.
“Um retrato inquietante e dinâmico da decadência de uma família, a última temporada de «Servant» promete recompensar aqueles que mantiveram a fé”, sublinha o Collider.


