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Se estás a olhar para a gama Edge 70 da Motorola, provavelmente já reparaste que o Pro e o Max, apesar do nome parecido e do preço próximo, são dois telemóveis com almas completamente diferentes. Ao contrário do fantástico Motorola Razr Fold que analisei aqui, que tem tudo o que de melhor a Motorola tem para oferecer, aqui a marca tentou uma equilibrio para chegar a diferentes públicos. Não é o caso clássico de “o mais caro é melhor em tudo”. É mais uma escolha de personalidade: um aposta no equilíbrio e na câmara, o outro na autonomia e na potência bruta, cada um a cortar num sítio para brilhar noutro. Por isso, esta não é uma análise de “qual é o melhor” — é uma análise de “qual é o certo para ti”.

Para enquadrar: dentro da família Edge 70 há o Edge 70 “normal” (o ultrafino), o Pro, e agora o Max, um modelo inédito que se coloca acima do Pro e abaixo de um Edge 70 Ultra ainda por anunciar. Vamos comparar os dois que te interessam.

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Comparação rápida

Ecrã

  • Pro: 6,8″ AMOLED, FHD+ (1,5K), 144 Hz, pico de 5200 nits, HDR10+
  • Max: 6,82″ LTPO OLED, 2K (1440×3168), 144 Hz, HDR10+ (sem Dolby Vision) — mais nítido, mas com pior legibilidade ao sol
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Processador

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  • Pro: MediaTek Dimensity 8500 Extreme (gama média-alta)
  • Max: Qualcomm Snapdragon 8 Gen 5 (o mais potente da série e do melhor que encontramos para este preço)

Câmaras traseiras

  • Pro: tripla de 50 MP — principal (Sony LYTIA 710), ultra-angular com autofoco e teleobjetiva periscópica 3,5x com OIS
  • Max: 50 MP principal + 8 MP ultra-angular — sem teleobjetiva (o ponto fraco por comparação)

Bateria e carregamento

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  • Pro: 6500 mAh · 90 W com fios + 15 W sem fios
  • Max: 7100 mAh (a maior de sempre da Motorola, até ~4 dias de uso moderado) · 90 W com fios + 25 W sem fios magnético (Qi2.2), portanto, uma bateria incrível e que carrega depressa!

Corpo

  • Pro: ~190 g, mais fino e leve · estrutura mais modesta
  • Max: 221 g, mais pesado · vidro nas duas faces e estrutura em alumínio. Não é um smartphone leve, mas compensa com a durabilidade e estética

Comuns aos dois: IP68/IP69, certificação militar MIL-STD-810H, Gorilla Glass 7i, Android 16 com software limpo — e, infelizmente, apenas 3 anos de atualizações de sistema, sem ranhura microSD e sem entrada de auscultadores.

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Onde o Edge 70 Pro ganha

O grande argumento do Pro é a câmara. É o único dos dois com um sistema verdadeiramente versátil: além da principal com o bom sensor Sony LYTIA 710 e de uma ultra-angular com autofoco (que serve de macro), tem uma teleobjetiva periscópica com zoom ótico de 3,5x e estabilização. Traduzindo: consegues aproximar-te de objetos distantes sem destruir a qualidade, algo que o Max simplesmente não faz. Se tiras fotografias a sério — retratos, viagens, concertos —, o Pro está num campeonato diferente do Max.

Depois, é mais leve e mais compacto (190 g contra 221 g), o que se sente ao fim de um dia inteiro no bolso e na mão. Some-se ainda um ecrã que, apesar de “só” FHD+, atinge uns brilhantes 5200 nits de pico e é validado pela Pantone, e tens um telemóvel muito equilibrado que não tem pontos verdadeiramente fracos para o seu preço. O resultados é um dos melhores smartphones que há para esta gama de preço, o que me surpreendeu.

Onde o Edge 70 Max ganha

O Max é para quem quer autonomia a sério. A bateria de 7100 mAh é a maior que a Motorola alguma vez meteu num telemóvel deste género, e os testes falam em qualquer coisa como quatro dias de uso moderado. Eu testei, e consegui três dias e pouco, algo realmente incrível para os padrões atuais do mercado. Se odeias andar à procura de tomadas, isto muda-te a vida. E, quando precisas de carregar, tens 90 W com fios e — melhor que o Pro — 25 W sem fios com suporte magnético Qi2.2, ou seja, prendes-lhe acessórios magnéticos sem precisares de capa especial.

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É também o mais poderoso da família, com o Snapdragon 8 Gen 5, um chip de topo que deixa o Dimensity do Pro para trás em desempenho puro e gestão de calor. E tem o melhor ecrã em nitidez: um painel LTPO OLED 2K, mais definido que o FHD+ do Pro. Junta-se a isto uma construção que transpira qualidade, com vidro nas duas faces. É o telemóvel para quem quer potência e resistência acima de tudo.

O que ambos partilham (bom e mau)

Do lado bom, os dois são autênticos tanques: resistência à água e pó IP68/IP69, certificação militar MIL-STD-810H e Gorilla Glass 7i. Ambos têm ecrãs a 144 Hz, carregamento rápido de 90 W e o software da Motorola, que continua a ser dos mais limpos e agradáveis do Android.

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Do lado mau, há duas coisas que me incomodam nos dois. A primeira, e mais séria, é a política de atualizações: apenas 3 anos de grandes atualizações de sistema, algo que já foi duramente criticado e que fica abaixo do que rivais ao mesmo preço oferecem — num telemóvel que queres usar muitos anos, pesa. A segunda são as ausências que se repetem: sem microSD e sem entrada de 3,5 mm e que são cada vez mais normais em todas as marcas.

Os senões honestos de cada um

No Max, o compromisso é claro e assumido: a Motorola tirou-lhe a câmara para lhe meter a bateria gigante e o chip potente. Aquela ultra-angular de 8 MP e a falta de teleobjetiva fazem dele uma má escolha para quem fotografa com frequência. Some-se um peso considerável de 221 g e uma legibilidade ao sol que está abaixo da concorrência, e percebes onde ele cede.

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No Pro, os “defeitos” são mais de posicionamento: o chip é de gama média-alta, não de topo, e o ecrã é FHD+ em vez de 2K. Para a maioria das pessoas, nenhuma destas coisas se nota no dia a dia — mas se és exigente com desempenho ou nitidez máxima, o Max leva a melhor. A juntara  isto, o Pro é mais fraco em vídeo, principalmente em ambientes com pouca luz, o que é pena para um produto tão bom em fotografia.

Veredito: qual comprar

A decisão é surpreendentemente simples, porque estes dois telemóveis quase não competem — completam-se. Contudo, um deles está no topo da concorrência, e o outro não. E este é um ponto a salientar agora: o Pro está mesmo muito bom para o seu preço. Já o Max não tem esse trunfo de forma tão vincada porque se focou num nicho de utilizadores (intensivos, com alta performance)

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Compra o Edge 70 Pro se valorizas a fotografia e queres um telemóvel equilibrado, sem pontos fracos para o preço, mais leve e mais barato. É a escolha certa para a esmagadora maioria das pessoas: dá-te uma câmara versátil com zoom ótico, ótima autonomia, um ecrã brilhante e a construção robusta, tudo por menos dinheiro. É o “all-rounder” sensato e não tem muita concorrência a este nível por este preço. Aqui a Motorola realmente fez um bom trabalho em colocar o que é importante para a maioria das pessoas, fazendo uma boa gestão do preço.

Compra o Edge 70 Max se a tua prioridade é a autonomia acima de tudo (nenhum smartphone bate isto) porque o mercado já não aponta para estas formas de uso, mas aqui temos o ideal para quem não tem muita possibilidade de estar sempre a carregar por motivos pessoais ou profissionais — quatro dias longe da tomada é de aplaudir —, se queres o chip mais potente e o ecrã mais nítido da série, e se a fotografia é para ti algo secundário (umas fotos ao animal de estimação, documentos, redes sociais). É o telemóvel para o utilizador intensivo que quer que a bateria e a potência nunca falhem, e que não perde o sono com a falta de uma teleobjetiva. Só não esquecer o peso, que não sendo um problema, é o resultado de uma bateria enorme.

No fundo: Pro para quem quer o pacote completo e a melhor câmara; Max para quem quer a maior bateria, a maior potência e está disposto a sacrificar a fotografia por isso. Escolhe o que descreve melhor a forma como usas o telemóvel — e não te vais arrepender de nenhum deles. Só não esperes de nenhum um suporte de software à altura da concorrência: nesse ponto, ambos ficam a dever.

  • Motorola Edge 70 Pro - 9.2/10
    9.2/10
  • Motorola Edge 70 Max - 8.8/10
    8.8/10
Overall
9/10
9/10
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