Pagar com o telemóvel noutro país europeu pode ficar mais simples. A SIBS, que gere o MB Way – app que, atualmente, tem mais de 6,5 milhões de utilizadores em Portugal – juntou-se a quatro congéneres para criar a European Network for Payments (ENP). Ainda assim, convém moderar as expectativas: o projeto está no início.
O que é a European Network for Payments?

A ENP é uma nova entidade com sede em Madrid. Reúne a SIBS, a italiana Bancomat, a espanhola Bizum, a EPI (dona da Wero) e a Vipps MobilePay, dos países nórdicos. Os cinco são acionistas em partes iguais. A missão é simples de explicar. A ENP vai gerir um hub de interoperabilidade, ou seja, um ponto central onde as várias apps se ligam. Assim, deixam de precisar de acordos separados com cada uma das outras. Os parceiros decidiram em fevereiro seguir este caminho. Em vez de construir tudo de raiz, vão aproveitar o que já existe. Por isso, a solução sai mais barata e deve chegar mais depressa ao mercado.
Como vai funcionar o MB Way no estrangeiro?
A ideia é dupla. Por um lado, os portugueses poderão usar o MB Way lá fora. Por outro, os visitantes poderão pagar em Portugal com a app do seu país.
Há três tipos de pagamento previstos: transferências entre particulares, compras em lojas físicas e compras online. No entanto, nada chega de uma só vez. A primeira fase abrange apenas as transferências entre pessoas. Só depois surgem o comércio eletrónico e os terminais nas lojas.
Para estas duas fases ainda não existem datas. Portanto, pagar o café em Milão ou em Oslo com o MB Way vai demorar. Quem quiser enviar dinheiro a um amigo espanhol, esse sim, deverá notar mudanças primeiro. Já em abril, sabia-se que o MB Way ia permitir transferências para utilizadores de 13 países europeus. A ENP dá continuidade a esse passo, com mais alcance e mais tipos de pagamento.
Porque quer a Europa reduzir a dependência da Visa e da Mastercard?

Esta é a parte mais estratégica. Atualmente, uma fatia grande dos pagamentos com cartão na Europa passa por redes americanas, como a Visa e a Mastercard. A ENP nasce, em boa medida, para diminuir essa dependência.
O presidente da SIBS, João Mello Franco, defende precisamente isso. Fala num verdadeiro ecossistema europeu de pagamentos, que mantenha a soberania, a confiança e a proximidade das soluções nacionais.
A abordagem também difere de tentativas anteriores. Não existirá uma app única para toda a Europa. As apps atuais continuam a funcionar e ligam-se entre si. Deste modo, ninguém precisa de mudar de hábitos, o que costuma ser o maior obstáculo a qualquer meio de pagamento novo.
Os números ajudam. Segundo a SIBS, as soluções dos cinco fundadores servem cerca de 130 milhões de utilizadores em 13 países. Isso equivale a mais de 70% da população da UE e da Noruega. Portanto, a rede arranca com escala. Falta apenas ligá-la.
O que ainda falta saber sobre a ENP?
Apesar do entusiasmo, há várias dúvidas por esclarecer. Primeiro, não se sabe quando chegam os pagamentos em lojas e online. É nessa fase que o utilizador comum vai sentir a diferença.
Depois, falta conhecer os custos para os comerciantes. Para competir com os cartões, as comissões terão de ser atrativas. Até agora, não há informação sobre isso.
Por fim, resta saber como as apps vão funcionar entre si. Ou seja, se têm origens, regras e bases de utilizadores distintas, o que pode complicar a integração.

