A União Europeia voltou a alertar para a importância de preparar as famílias para situações de emergência. Desta vez, a Comissão Europeia recomenda que os cidadãos tenham um kit de sobrevivência com produtos essenciais para, pelo menos, 72 horas. O objetivo é garantir que conseguem satisfazer as necessidades básicas durante os primeiros três dias após uma catástrofe, mesmo que os serviços de socorro ainda não tenham chegado.
As novas orientações foram apresentadas durante o Fórum Europeu de Proteção Civil, em Bruxelas. Além disso, fazem parte de uma estratégia mais abrangente para melhorar a capacidade de resposta dos países europeus perante situações inesperadas.
Porque é que Bruxelas recomenda autonomia durante 72 horas?
A escolha deste período não é aleatória. Afinal, as primeiras 72 horas após uma catástrofe podem ser especialmente difíceis, uma vez que as equipas de emergência precisam de avaliar os danos, organizar operações e prestar assistência às situações mais urgentes.
Consequentemente, algumas famílias podem ficar temporariamente sem acesso a água, eletricidade, alimentos ou comunicações. Assim, a existência de reservas básicas permite enfrentar esse período com maior segurança, enquanto as autoridades mobilizam os meios necessários.
Além disso, a Comissão Europeia pretende que os Estados-membros desenvolvam campanhas de sensibilização e integrem a preparação para emergências na educação pré-escolar e no ensino básico. Desta forma, as crianças poderão aprender como reagir perante diferentes riscos, através de atividades adequadas à idade e sem criar alarmismo. Entretanto, Bruxelas recomenda também medidas acessíveis às pessoas com deficiência, garantindo que as orientações consideram diferentes necessidades.
O que deve incluir o kit de emergência recomendado pela União Europeia?
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Segundo a Comissão Europeia, cada família deve reunir produtos suficientes para garantir alguma autonomia durante três dias consecutivos. Entre os artigos mais importantes está a água potável, que deve existir em quantidade suficiente para beber e assegurar necessidades básicas de higiene. Além disso, é aconselhável guardar alimentos não perecíveis, como conservas, bolachas e outros produtos que possam ser consumidos sem cozinhar.
Outro elemento fundamental é um estojo de primeiros socorros, acompanhado pelos medicamentos utilizados regularmente pelos membros da família. Entretanto, também é importante incluir artigos de higiene pessoal e produtos específicos para crianças, idosos ou pessoas com necessidades especiais.
A iluminação merece igualmente atenção. Afinal, durante um apagão, uma lanterna com pilhas de reserva pode tornar-se indispensável. Por outro lado, um rádio portátil alimentado a pilhas permite acompanhar informações oficiais quando a televisão, a Internet ou as redes móveis deixam de funcionar.
Além disso, as recomendações de preparação divulgadas em Portugal incluem carregadores portáteis para telemóveis, cópias de documentos importantes, contactos de emergência anotados e algum dinheiro. Contudo, o conteúdo do kit deve ser adaptado à dimensão do agregado familiar e às necessidades de cada pessoa. Por isso, uma família com crianças pequenas terá de preparar artigos diferentes dos necessários a um adulto que viva sozinho.
É obrigatório ter um kit de sobrevivência em Portugal?
Contudo, a recomendação não significa que exista uma ameaça iminente. Pelo contrário, pretende incentivar os cidadãos a prepararem-se antecipadamente para acontecimentos como tempestades, incêndios, cheias, sismos ou falhas prolongadas no abastecimento de eletricidade.
Apesar das novas orientações, não existe uma obrigação geral imposta pela União Europeia para que todas as famílias comprem um kit de emergência. Na verdade, trata-se de recomendações dirigidas aos Estados-membros, que deverão incentivar a preparação dos cidadãos.
Além disso, a Comissão Europeia propõe a criação de um Dia Europeu da Preparação, a assinalar anualmente a 23 de outubro, para promover conhecimentos sobre prevenção e resposta a catástrofes. Por isso, os portugueses podem começar por reunir gradualmente os artigos essenciais, verificar os prazos de validade dos alimentos e medicamentos e guardar os materiais num local acessível.



