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O universo da DC continua a explorar novas formas de contar histórias e, desta vez, deixa os super-heróis em segundo plano para dar protagonismo a uma das figuras mais perturbadoras de Gotham. Além disso, “Clayface”, realizado por James Watkins tem Tom Rhys Harries e a atriz portuguesa Joana Ribeiro na longa-metragem de terror corporal, marcada pela violência, obsessão com a aparência e perda de identidade.

A proposta: afastar-se das fórmulas tradicionais do cinema de super-heróis. Além disso, aposta numa abordagem mais sombria e intimista, aproximando-se de clássicos do terror como “A Mosca”, de David Cronenberg. Contudo, apesar da ambição visual e de algumas sequências verdadeiramente desconfortáveis, nem todas as ideias encontram o desenvolvimento que mereciam.

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Qual é o enredo de Clayface, novo filme da DC com Joana Ribeiro?

A história acompanha Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em ascensão que parece ter conquistado tudo aquilo com que sempre sonhou. Reconhecimento, oportunidades profissionais e uma carreira promissora fazem parte de uma vida construída em torno da sua imagem. No entanto, tudo muda após um encontro com Mia Torrez (Joana Ribeiro), uma mulher ligada ao criminoso Markos Szabo (David Dencik). Consequentemente, Matt torna-se vítima de uma agressão brutal que lhe desfigura o rosto e destrói as perspetivas de continuar a trabalhar como ator.

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De repente, o protagonista perde muito mais do que a aparência. A indústria que anteriormente o celebrava começa a afastar-se, enquanto as relações pessoais revelam uma fragilidade inesperada. Assim, o filme encontra aqui uma das suas ideias mais interessantes: o que acontece quando alguém constrói toda a identidade em torno de algo que pode desaparecer num instante?

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Desesperado, Matt procura Caitlyn Corr (Naomi Ackie), uma cientista que desenvolve uma tecnologia experimental de regeneração celular. Inicialmente, o tratamento parece representar uma segunda oportunidade. Contudo, os efeitos secundários ultrapassam qualquer expectativa e transformam o seu corpo numa matéria instável, capaz de assumir diferentes formas. A partir desse momento, a recuperação física dá lugar a uma transformação psicológica igualmente assustadora.

Um filme de super-heróis que aposta no terror corporal

Clayface
© 2026 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved

Um dos maiores méritos de “Clayface” está na forma como utiliza o corpo humano para provocar desconforto. Em vez de apresentar poderes extraordinários como uma bênção, James Watkins transforma-os numa experiência dolorosa e profundamente perturbadora.

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Além disso, os efeitos visuais e a caracterização ajudam a construir momentos de verdadeiro horror. As alterações físicas em Matt não servem apenas para impressionar o espectador: representam também a deterioração emocional de uma personagem incapaz de aceitar aquilo em que se tornou. E isto é muito bem interpretado por parte do ator galês de 36 anos.

Neste sentido, as aproximações ao cinema de David Cronenberg são evidentes. Tal como acontece em “A Mosca”, a transformação corporal funciona como uma extensão dos conflitos interiores. Consequentemente, aquilo que começa como um drama psicológico inquietante aproxima-se progressivamente de um thriller. E por este movito, é precisamente esta mistura de géneros que distingue a longa-metragem de muitas produções recentes da DC. É um ar fresco nos estúdios liderados por James Gunn e Peter Safran.

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Vale a pena ver Clayface, filme de terror da DC com Tom Rhys Harries?

Clayface DC Studios
© 2026 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved

Outro aspeto interessante é a forma como “Clayface” questiona a relação entre aparência e valor pessoal. Afinal, Matt não perde apenas o rosto: perde também o estatuto social que dependia dele. Assim, a indústria do entretenimento surge como um espaço onde a imagem pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma carreira. Além disso, a capacidade de assumir diferentes identidades cria um paradoxo fascinante. Matt passa a poder transformar-se em praticamente qualquer pessoa, mas torna-se progressivamente incapaz de reconhecer quem realmente é.

No entanto, sou da opinião que o filme devia aproveitar mais vezes esta contradição. Em vez de aprofundar o conflito entre identidade e transformação, prefere avançar para confrontos violentos e situações cada vez mais extremas. Contudo, James Watkins demonstra competência na construção das sequências tensas. A realização aposta em imagens grotescas e momentos de violência gráfica que reforçam a natureza monstruosa do protagonista.

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Ainda assim, a decisão de contar uma história relativamente independente das grandes figuras da DC constitui uma vantagem. Não é necessário conhecer profundamente as bandas desenhadas ou acompanhar outras produções para compreender a trajetória de Matt Hagen. E isto é um ponto bastante positivo para alguém que não é expert no universo da banda-desenhada de super-heróis.

No final, “Clayface” revela-se uma experiência cinematográfica interessante, sobretudo para quem aprecia terror corporal e narrativas centradas em personagens moralmente ambíguas. E aquela cena no avião? É de contorcer na cadeira do cinema!

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Summary

“Clayface” é uma proposta interessante da DC, especialmente pela aposta no terror corporal e pela decisão de explorar um vilão sem depender de Batman. O resultado é um filme visualmente perturbador e com uma interpretação principal convincente, mas prejudicado por um argumento irregular e por uma segunda metade mais tradicional.

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