A Grande Beleza, em análise

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  • Título Original: La Grande Bellezza
  • Realizador: Paolo Sorrentino
  • Elenco: Toni Servillo, Carlo Verdone, Sabrina Ferilli
  • Género: Drama, Comedy
  • Fra | Ita | 2013 | 142 min

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Estava-se no Festival de Cannes. Consta-se que os críticos que lá se encontravam não esconderam o quanto apreciaram o último filme de Paolo Sorrentino. Pois, à medida que os créditos finais rolavam, eles levantaram-se das suas cadeiras e não se cansavam de olhar para os segundos finais da película.

Venceu o Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro, encontra-se entre os nomeados para Óscar nesta mesma categoria, e não hesito um segundo antes de afirmar que, atendendo aos que foram escolhidos, deveria posicionar-se entre os nomeados na categoria de Melhor Filme.

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“La Grande Bellezza”, antes de mais, traz-nos à memória Fellini e Antonioni. É evidente que P. Sorrentino vive artisticamente por si só, mas seria uma hipocrisia não admitir o peso insofismável que estes dois nomes assumem, e em jeito de nostalgia, numa obra realizada nos dias que correm. E não é por acaso que este é considerado o melhor filme da carreira de Sorrentino.

Eu vejo Fellini na excentricidade, na cómica aparição de corpos e adereços bizarros, mas também vislumbro Antonioni na contemplação da paisagem italiana, na natureza bela de uma Roma socialmente decadente, na redoma que contém Jep, na sua adolescência, e aquela bela rapariga de longos cabelos dourados.

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Mas o que é a Grande Beleza? Para P. Sorrentino, é um passado subitamente lembrado, um futuro a ser construído com base numa recolha de ensinamentos diários. E estes constituem nada mais nada menos do que o presente. Um agora que terá laivos de beleza, sim. Mas muita fealdade, também. Bizarria e tédio. Doença e ruína.

A verdade é que Jep Gambardella (Toni Servillo) tem 65 anos – comemora-os, aliás, nos primeiros minutos de um total de cento e quarenta e dois de filme – e recebe uma notícia que o abala profundamente. Relacionada com alguém que para si significou o Belo, há muitos anos atrás. Concomitantemente, como jornalista e escritor de um único livro (para alguns, nada mais do que uma obra pretensiosa e de fraca repercussão cultural, para outros, uma obra-prima da literatura italiana), almeja descobrir o paradeiro do que realmente conta na vida. Porque La Dolce Vita não poderá resumir-se a uma sociedade onde imperam a aparência, a diversão, a futilidade, as cirurgias plásticas e a simples passagem pelo Coliseu sem contemplar o que de maravilhoso ele projecta. Tem de haver mais.

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E não é que se caia na condenação ou julgamento do que é a diversão, a espontaneidade. Neanche per sogno! Rejeita-se o falso moralismo. Abaixo a contenção e os limites à liberdade de expressão! Repudiem-se as restrições aos impulsos do momento e às forças que nos movem pela estrada da transparência! Talvez por isso mesmo, devido a esse afastamento do finito, Jep sinta uma necessidade atroz de alcançar, na próxima etapa da sua existência, aquilo que (quem sabe) esteja escondido tal e qual um tesouro no Panteão de Agripa ou na Fontana di Trevi.

O ar puro do infinito. A liberdade de ideias e acções. La felicità.

Sofia Melo Esteves

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Sofia Melo Esteves

Advogada Página Facebook: Críticas Cinematográficas e Notícias Cinéfilas por Sofia de Melo Esteves “My aim is to put down on paper what I see and what I feel in the best and simplest way.” - Ernest Hemingway