Assassin’s Creed, em análise

Por alguma razão os estúdios da New Regency e da Ubisoft decidiram que o cineasta australiano Justin Kurzel era o homem para adaptar Assassin’s Creed. Em poucas palavras, estavam errados.

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O seu maior trabalho até à data, a adaptação ao grande ecrã da peça de William Shakespeare, Macbeth por si só tinha já problemas graves de argumento dada a ambição do seu trabalho, mas um misto de boas performances e um estilo visual deslumbrante salvou-o.

Avançando um ano para o presente e Justin Kurzel mantém exactamente a mesma consistência de mediocridade. Adam Arkapaw e Christopher Tellefsen são as verdadeiras estrelas desta longa-metragem pelo seu fantástico trabalho na cinematografia e edição, respectivamente. Jed Kurzel, uma prova de que o nepotismo está vivo em Hollywood, tomou conta do som e música do filme numa ostentativa forma de modernizar um filme cuja premissa é o regresso à época renascentista. Claro está, nada de interessante.

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Vê o trailer em: Assassin’s Creed intensifica com Michael Fassbender;

O problema de adaptar video jogos em longas-metragens de sucesso ainda não encontrou a sua solução, e nem mesmo o poderoso Michael Fassbender (Steve Jobs) conseguiu ajudar. O actor emprestou o seu talento a Callum Lynch e ao seu antepassado Aguilar de Nerha para um grande alívio do que podia facilmente se tornar um favorito a flop do ano. A seu lado apenas Charlotte Rampling pareceu verdadeiramente encontrar o balanço com a sua personagem líder dos Templários e principal antagonista no computo geral. Marion Cottilard, sempre talentosa, desilude com uma insipidez que podemos apenas culpabilizar ao argumento e evolução da sua personagem.

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A amada saga de video jogos da Ubisoft é geralmente uma fonte de histórias intrigantes para complementar a jogabilidade que conquistou muitos. Em Assassin’s Creed a história parece faltar-lhe um ingrediente importante – a justificação das suas cenas para o além de um palco para exibir as coreografias de acção bem executadas.

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Callum Lynch é nos apresentado em criança a assistir ao assassinato da sua mãe. Depressa somos levados para três décadas no futuro onde o herói está no corredor da morte à espera de execução, e onde é resgatado por uma corporação para fins de controlo do mundo. Para isso, é utilizada uma tecnologia chamada Animus, onde Callum acede às suas memórias genéticas para revelar o paradeiro da Maça do Éden – um artefacto que contém o código genético para o livre-arbítrio do ser humano. Entre a apresentação e o clímax do filme estão uma data de cenas (mais de uma hora de filme), completamente desnecessárias à sua premissa e sem qualquer evolução das suas personagens. Ou pior, evoluções que levam a que decisões das mesmas nos façam ponderar se de facto adormecemos em qualquer momento importante.

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Felizmente Callum Lynch aprende a ser um assassino (juntamente com outros ratos de laboratório) e salva o mundo, porque o livre-arbítrio a que temos direito irá prevenir-nos a um possível regresso à saga cinematográfica.

Crédito onde é devido aos estúdios que tiveram a ambição de adaptar um dos mais belos video jogos do século XXI, mas no futuro, afastem Justin Kurzel do elmo. Uma longa-metragem medíocre que merece a ida ao cinema pelo trabalho na imagem, mas que em época de Óscares e Star Wars está realmente debilitado quando em comparação. Apenas a fama do material de origem o resgatará.


Título Original: Assassin’s Creed
Realizador:  Justin Kurzel
Elenco: Marion Cotillard, Michael Fassbender, Essie Davis, Jeremy Irons, Charlotte Rampling
NOS | Acção | 2017 | 115 min

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MM

 

Marcos Mendes

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