Bandas Sonoras | Love & Mercy: um génio e a sua música

 

A arte não requer grande sofrimento, mas um grande número de arte foi criada na sua presença. Love and Mercy conta-nos a história de Brian Wilson, co-fundador dos Beach Boys, e leva-nos numa viagem do seu amor pela música, e da música por trás do génio.

Temos tido muitas biografias cinematográficas nos últimos tempos. Mas uma história que mergulha inteiramente no processo criativo, que não tem medo de se debruçar sobre momentos embaraçosos, ou até mesmo abraçar silêncios? Isso sim, promete ser interessante. E um dos aspectos mais fascinantes, e negligenciados, de contar histórias no cinema, é mesmo o processo – a representação de como é que as pessoas fazem as coisas que fazem. E essa é uma das notáveis forças do filme e da banda sonora de Love & Mercy.

 

Paul Dano, Brian Wilson, and John Cusack
Paul Dano (o jovem BW), o verdadeiro Brian Wilson, John Cusack (BW meia idade)

 

Realizado por Bill Pohlad, numa (quase) estreia enquanto realizador – conhecemo-lo mais como um veterano produtor de cinema, em 12 Years a Slave (2013), The Tree of Life (2011) e Into The Wild (2007); escrito por Michael Alan Lerner e Oren Moverman e com Atticus Ross na música, Love and Mercy foi feito com a aprovação de Brian Wilson, sendo uma biografia cinematográfica passada em dois períodos da vida do artista – Wilson jovem, interpretado por Paul Dano, e Wilson adulto, interpretado por John Cusack.

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O cantor e compositor natural da Califórnia e a mente por trás dos Beach Boys, acumulou inúmeras composições no seu repertório. Escreveu God Only Knows, uma das canções mais conhecidas do grupo, e foi também responsável por criar um novo género de música – California Sound.

 

 

Pet Sounds, álbum que iria garantir ao grupo o seu estatuto enquanto inovadores no mundo da música, é o foco do trabalho da personagem de Brian Wilson ao longo do filme, e marca a evolução da banda sonora que, consequentemente, é acompanhada com a evolução da doença de Wilson, marcada em alguns momentos por zumbidos, ruídos e trechos de algumas músicas.

O casamento da banda sonora de Atticus Ross com a linguagem orquestrada por Pohlad no grande ecrã, ganha completamente o espectador, com sorrisos, lágrimas e alma. Elementos como apontamentos de baixo, cães a ladrar e até um piano com ganchos, marcam a construção da criatividade. O processo é acompanhado de esperança e alegria, principalmente nos momentos de harmonização dos cantores.

 

Love & Mercy

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Não importa para que ponto da história olhamos, Love & Mercy prima pela colocação da música – seja a gravar inúmeras vezes o som do violoncelo, ou a insistir em tocar as teclas do piano simultaneamente, a abordagem de Wilson ao som transforma-se numa representação abstrata do seu estado mental – e o espectador sente e ouve isso mesmo.

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A Banda Sonora não é composta somente por músicas dos Beach Boys, tendo outros nomes como Kenny G, Heart, Martha Reeves & The Vandellas, entre outros. E a verdade é que cada uma delas criam o mood necessário para as cenas do filme, quase como que uma lufada de ar fresco, abrindo portas para os diferentes momentos da vida de Wilson.

 

 

E não vamos revelar onde a tão aguardada “Wouldn’t It Be Nice” é inserida, mas podemos dizer que vai valer a pena.

A história de Brian Wilson é inspiradora e reflecte isso mesmo nas suas músicas ao longo de toda a viagem – o amor de Wilson pela música quase o destruiu, e foi (esse) amor que, eventualmente, o salvou.

 

 

 

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