Bloodborne (PS4) | Análise

 

 bloodborne case  

  • Editora: SCEE
  • Produtora: FromSoftware
  • Plataformas: PS4

 

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Para os mais distraídos, Bloodborne é o mais recente exclusivo da PS4, criado pelos mesmos senhores que nos deram Demon Souls, Dark Souls e Dark Souls II, tudo jogos fantásticos, e Bloodborne não foge à regra. Com muitos segredos em cada canto, caminhos secretos e vastos cenários para explorar, Bloodborne irá prender-vos por mais de 50 horas, e no fim, ainda haverá muito para se descobrir… e depois, vão querer voltar a fazer tudo de novo.

Bloodborne-gameplay-trailer

Bloodborne tem uma das atmosferas mais fantásticas que já experimentámos num jogo. Começando pelo trabalho sonoro, a banda sonora é arrepiante, sempre negra, sempre pesada, como se criasse peso nas nossas costas enquanto jogamos, mas é nos efeitos sonoros que o ambiente ganha uma nova forma. Os sons dos nossos inimigos ficam na nossa mente, alertando-nos, mostrando o objetivo dos monstros, o que irão fazer, o que estão a sentir. O resultado é um ambiente sonoro extremamente credível que dá vida a estes bizarros inimigos que iremos enfrentar. A isto junta-se um excelente trabalho de vozes e o ficamos perante um jogo com uma qualidade sonora de topo.

No entanto é na parte gráfica que este jogo se destaca de imediato. A cidade em que tenteremos sobreviver (sim, sobreviver!) tem detalhes a cada esquina, tem personalidade em cada rua, tem uma atmosfera que não iremos esquecer, e na sua escuridão iremos tombar e ressuscitar muitas vezes. Os movimentos do nosso personagem são fluidos, os cenários magnifícos, mas são os nossos inimigos que terão o nosso total interesse, não só porque são arrepiantes e muito bem desenhados, mas também porque são muito dificeis de vencer.

bloodborne

Ao contrário dos jogos da saga Souls, aqui não teremos um escudo para nos proteger até chegar o momento certo para atacar. O que teremos pela frente é um jogo que exige a nossa melhor capacidade para fugirmos aos golpes, afastarmo-nos nos inimigos e apenas atacarmos pela certa. Olhar para cada inimigo e saber até que distância podem estar do monstro é fundamental, tornando cada luta diferente, usando o espaço em redor, tentando sobreviver com as duas armas que temos. Na nossa mão esquerda, teremos uma arma de fogo, que apesar de pouco eficaz em termos de dano, consegue criar o espaço entre nós e o inimigo que tantas vezes será preciso se estivermos encurralados. Na mão direta uma arma capaz de se transforma noutra, por exemplo uma espada, leve e mais fraca, que se pode transformar num poderoso martelo, pesado, lento, mas devastador.

A juntar a estas armas temos a capacidade de costumiza-las, juntando pequenas adições que no início podem parecer pouco necessárias, como adicionar veneno à lâmina da nossa espada… mas acreditem que estes detalhes podem fazer a diferente contra certos inimigos, e se quiserem dominar este jogo, terão de dominar a costumização das armas, num sistema muito bem conseguido, intuitivo e coerente.

Vindo de quem vem, Bloodborne teria sempre de ter bosses complicados. O problema (não um problema do jogo, mas um problema para nós) é que a esmagadora maioria dos inimigos são bastante ágeis e inteligentes, tornando cada luta num desafio que nos fará perder tempo, pensar e, talvez, morrer. Bloodborne é um jogo que necessita de tempo, de paciência, mas tudo o que nos rodeia é tão bom que nunca é um esforço. Entramos nesta atmosfera e queremos jogar devagar, queremos sentir os arrepios de ouvirmos os nossos inimigos, e queremos ganhar de forma justa e difícil. Ao lutarmos com os bosses no início, percebemos que em todas essas área, o tamanho é grande, permitindo que nos afastemos, mas é interessante ver como os nossos inimigos usam esse tamanho de cenários em sua vantagem. Ao misturarmos tudo isto, o que podemos dizer é que Bloodborne será, provavelmente, o jogo mais difícil que teremos pela frente neste ano.

Ao morrermos, teremos de ponderar, tal como na série Souls, se deveremos regressar ao mesmo local e recuperar o sangue que perdemos. Valerá a pena? Estaremos agora preparados? Será que já percebemos o padrão comportamental do nossos inimigo?

Em termos de enredo, Bloodborne é algo confuso e complexo, sendo, provavelmente, o ponto mais fraco do jogo, pois a nossa atenção está mais virada para o nosso perigo do que para o enredo, que nunca chega a ser avassalador como tudo o resto é neste jogo. Devido a essa complexidade, na grande maioria do jogo não sabemos de forma direta o que deveremos fazer, onde deveremos ir ou o que deveremos fazer ao chegar a tal local. É tudo uma questão de exploração e de ponderação em relação ao que temos pela frente e ao que já enfrentámos. Muito bom.

Com este facto o jogador sente-se perdido, mas essa sensação apenas torna o jogo melhor, mais desesperante, mais pesado. No entanto é interessante ver como o jogo arrisca, e bem, num enredo com bastante religião, capaz de, numa forma suave, explicar alguns detalhes da própria jogabilidade, como é, por exemplo, o porquê de ao morrermos conseguirmos ressuscitar.

Bloodborne náo é um jogo para todos. É preciso querer jogar, é preciso querer repetir e melhorar. Graficamente é estrondoso, com uma cidade que conta a sua história apenas pelos seus cenários. Os bosses são memoráveis e alguns são mesmo muito difíceis, levando à superação do jogador.

Bloodborne-featured

Para aumentar ainda mais a atmosfera negra deste jogo, em certos cenários seremos brindados por fantasmas de outros jogadores. Poderemos ver como morreram, tal como podemos ver espectros de outros amigos a jogarem nos mesmos cenários ao mesmo tempo que nós. E, se quiseremos, podemos “saltar” para o seu jogo ou pedir auxílio no nosso.

Bloodborne é um jogo fantástico. Parece que há sempre algo mais para descobrir e apenas alguns pormenores não o deixam ser quase perfeitos. Os loadings são grandes e vários, e já se fala num patch a ser lançado para os diminuir. A esses problemas juntam-se algumas quebras de frame-rate e ainda um ou outro momento em que o nosso personagem fica preso entre dois objetos do cenário. Mas nada disto retira a genialidade que este jogo é.

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Bloodborne não é apenas o melhor exclusivo da PS4 deste ano, é também um muito forte candidato a jogo do ano. Nos últimos 4 anos a MHD apenas a dois jogos deu a nota máxima (The Last of us e GTA V, e respetivas remasterizações) e aqui esteve mesmo muito perto. Posto isto não existe muito mais a dizer. O que vamos fazer agora, é voltar a jogar a obra prima que é Bloodborne…

Pontos fortes:

  • Atmosfera perfeita
  • Jogabilidade de topo
  • Banda sonora arrepiante
  • Difícil, muito mesmo
  • Desafio constante, muito para explorar, muito para descobrir
  • Ao fim de 40 horas parece que ainda falta explorar muito

Pontos fracos:

  • Tempos de loading
  • Algumas quebras de frame-rate nos modos de co-op.

 

Hardware usado pela MHD para teste de jogos:

PS4:

  • PlayStation 4 Glacier White
  • DualShock 4 White
  • Razer Leviathan Sound System

PC:

  • Headphones Razer Carcharias
  • Keyboard Razer Epic Chroma

LP

 

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One thought on “Bloodborne (PS4) | Análise

  • Grandíssimo jogo sem dúvida, dentro da qualidade da saga Souls, ganhei este jogo num passatempo e vou tentar desfruta-lo ao máximo. Bom artigo, a nível de pontuação de 0 a 100, dou um 94!

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