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Bull vai cantar? Estivemos à conversa com Glenn Gordon Caron

A Magazine.HD esteve à conversa com o produtor e guionista Glenn Gordon Caron a propósito da nova temporada de “Bull”. Descobrimos que o primeiro episódio vai ter cantoria e coreografia, ao mesmo tempo que a pandemia se instala no TAC.

A convite da FOX Life, a Magazine.HD esteve à conversa com Glenn Gordon Caron, responsável pelo argumento e produção de “Bull”. Curiosamente, a série é uma das poucas que Caron escreveu, mas não criou. Um processo que admitiu ser algo ‘estranho’ para si, principalmente por não ter tido opinião em relação ao elenco. No entanto, revelou-nos que a escolha não poderia ter sido melhor. O aclamado produtor de 66 anos é reconhecido por criado séries como “Modelo e Detective” ou “Médium”.

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Já tínhamos partilhado que a quinta temporada de “Bull” iria incluir a atual pandemia, algo que Caron confirmou, mas que deixou claro que não foi por opção própria. O guionista admitiu, em tom de desabafo que,

Na altura, lembro-me de pensar que esta seria uma situação de 4/6 semanas e depois voltaríamos ao normal. De facto, em abril, os estúdios [CBS] perguntaram-me se iria incluir a COVID-19 na próxima temporada e eu respondi que ‘não, que não achava que alguém quisesse ser relembrado disto. Estaria tão longe no tempo, porque é que o iríamos fazer?'”

Lógico que com o avançar do tempo, Caron compreendeu que tomou a decisão certa ao incluir a COVID-19 nesta temporada. No contexto pessoal, a nova temporada irá arrancar com Bull e a ex-mulher, Isabella Colón (Yara Martinez) reconciliados e com uma filha recém-nascida para cuidar. Chunk irá começar a exercer advocacia em pleno, com um empurrão do colega Benny e Marissa irá enfrentar novos problemas pessoais, que incluem um divórcio e um tempo na prisão.

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© FOX Networks Group Portugal

MHD: Quando se juntou à série, na segunda temporada, o foco era dar a conhecer mais da vida pessoal das personagens ao público, porquê?

Glenn Gordon Caron (GGC): Quando me juntei à equipa da série, senti que o maior contributo que poderia dar era o de descobrir quem estas pessoas (personagens) realmente eram. Até ao momento, durante a primeira temporada, apenas tínhamos claro o seu lugar na TAC. Mas o que acontecia quando saiam do escritório? Por isso, fiz desse desenvolvimento a minha prioridade.

MHD: Ao contrário de muitas outras séries, o Glenn não criou “Bull”. Como foi esse desafio?

GGC: Foi um desafio porque não escolhi a equipa, os cenários, o elenco. Normalmente quando faço uma série, ou um filme, sou eu o realizador e aqui não foi o caso, o [episódio] piloto não foi meu. Mas achei que o elenco tinha um enorme talento e que, na altura, não se estava a tirar o maior partido dele. Não lhes estavam a ser dadas as oportunidades de o mostrar o espetro completo. De forma que quando entrei comecei logo a pensar como poderíamos combinar o lado pessoal com o profissional. E acho que até agora temos feito um bom trabalho.

MHD: Conheceu o Dr. Bull original? O Dr. Phil McGraw?

GGC: [risos] Vou-te contar uma história engraçada a esse propósito. Na realidade, conheci-o cerca de dois anos antes de participar na série, porque ele veio ter comigo e disse ‘podes escrever o piloto?’. Nessa altura ainda não se chamava “Bull”, mas a ideia era a mesma. E eu achei que não iria funcionar. Pela forma como me foi explicada, fiquei com a ideia de que se fosses rico o suficiente, podias contratar alguém que colocasse a justiça a teu favor e pensei que essa era uma ideia perigosa.

Quando a série estreou, essa parte não estava presente. A ‘nossa’ TAC pega em muitos pro bono, nos quais não existe qualquer retribuição monetária. E a equipa está claramente aberta a ajudar qualquer tipo de pessoa, não só os mais abastados, por isso fiquei muito confortável.

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MHD: Quão semelhante é o trabalho de Dr. Phil ao de Bull?

GGC: Bom, a série baseia-se no percurso inicial do Dr. Phil, antes de ele ser a celebridade televisiva que é hoje. Quando criou a Courtroom Sciences, o equivalente à TAC. É uma pessoa muito, muito inteligente. É a pessoa a quem recorro quando tenho um bloqueio criativo [no argumento]. Telefono-lhe e, 9 em cada 10 vezes, em 5 minutos ele dá-me a resposta que preciso. Dr. Phil é muito mais multi-facetado e é muito mais complicado, no bom sentido, do que as pessoas veem na televisão – refiro-me ao verdadeiro, não ao interpretado por Michael [Weatherly].

MHD: A quinta temporada irá incluir a COVID-19. Como é que a pandemia afetou a produção da série e porque a decidiu incluir na narrativa?

GGC: Estávamos a gravar a quarta temporada, no episódio 20, quando a produção parouA temporada era suposto ter 22 episódios, mas com a pandemia tal não foi possível. Na altura, lembro-me de pensar que esta seria uma situação de 4/6 semanas e depois voltaríamos ao normal. De facto, em abril, os estúdios [CBS] perguntaram-me se iria incluir a COVID-19 na próxima temporada e eu respondi que não, que não achava que alguém quisesse ser relembrado disto. Estaria tão longe no tempo, porque é que o iríamos fazer?

Mas à medida que se foi prolongando, houve um dia em junho que me apercebi que teríamos de falar sobre a pandemia, era demasiado arrebatador. E à medida que via tantas pessoas a adoecer, a morrer, tantos negócios a fechar, tantas famílias a sofrer, pensei ‘como é que vamos abordar esta situação?’ Por isso, comecei a pensar como é que a mente de Bull iria reagir a tudo isto, uma vez que o seu trabalho – os júris-espelho – iria desaparecer, ou pelo menos, estaria ameaçado. E partimos daí. Ainda estamos a lidar com o COVID-19, ele está muito presente na série, por isso estou contente que tenhamos feito essa escolha. Não estou contente que ainda o tenhamos de enfrentar.

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© FOX Networks Group Portugal

MHD: Então esta temporada vai ser um desafio para o Dr. Bull?

GGC: Bom, sim. Eles estão dentro do tribunal, têm de usar máscaras e estar por trás de acrílicos, mas mais importante do que isso, eles não vão poder trazer os chamados ‘júri-espelho’. Não é permitido qualquer público dentro da sala. E estes era onde ele baseava as suas opiniões, por isso nesse sentido será um desafio. Mas existiram outros desafios e outras mudanças. Vão existir muitas surpresas.

MHD: Sabemos que o primeiro episódio, “My Corona” tem um significado especial para si. Porquê?

GGC: Sim, foi um episódio que refletiu o meu estado de espírito, à medida que via a situação aqui na América e no mundo a ficar cada vez mais escura e fora de controlo. Grande parte do episódio é sobre isso. Foi muito bem recebido aqui, por isso estou curioso para saber se o público também irá gostar ai.

E falaram-te da música no primeiro episódio? Espero não estar a fazer ‘spoilers’, mas o episódio terá muita música, dos anos 70 e 80. Não vou desvendar mais.

MHD: Quão diferente seria a quinta temporada se não existisse a pandemia?

GGC: Não mudamos significativamente, mas vou-te dizer uma boa surpresa. A atriz Yara Martinez, que interpreta a mãe da filha de Bull, a irmã do Benny, irá passar a ser uma personagem regular da série. Essa é uma grande mudança. E o Chunk, desempenhado pelo fantástico Chris Jackson, vai passar a ser um advogado a tempo inteiro. Vão existir muitas surpresas. Espero que gostem e que se mantenham a salvo!

MHD: Quão diferente seria a quinta temporada se não existisse a pandemia?

GGC: Se dependesse de mim, claro que sim! Mas essa decisão só será tomada em abril ou maio.

 

A quinta temporada estreia hoje, às 22h20, em episódio duplo na FOX Life.

Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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