Thor: Ragnarok

Cate Blanchett: “nunca conheci um artista tão generoso e com menos ego do que o Chris [Hemsworth]” (Entrevista Exclusiva)

 

Cate Blanchett é a nova deusa do Universo Cinematográfico da Marvel. Juntamente com o seu conterrâneo Chris Hemsworth, protagoniza “Thor: Ragnarok”, a nova extravagância visual da Marvel. 

A atriz australiana dá vida à vilã Hela, uma criatura de uma era sinistra e esquecida no universo.O poder de Hela é diferente de qualquer outra coisa dos Nove Reinos. Dotada com a capacidade de libertar armas ilimitadas de maneiras surpreendentes e mortais, Hela volta para se vingar de quem a expulsou. Com um exército misterioso e selvagem a seu lado, Hela pretende iniciar uma nova era de terror em Asgard e no universo em geral.

Foi com esta permissa que nos sentamos à conversa com Cate Blanchett. Leia a entrevista que abaixo transcrevemos:

MHD:  Como é que a Marvel te atraiu para o Universo Cinematográfico Marvel?

Cate Blanchett:  Recebi uma chamada do meu agente que me disse que Kevin Feige queria enviar-me algo. Tentei mostrar-me tranquila, mas estava tão animada, porque estas coisas não acontecem com muita frequência. Depois de fazer alguma pesquisa, percebi que havia uma vilã feminina num dos filmes anteriores da Marvel. Senti que o papel poderia ser realmente emocionante.

Achei que seria uma colaboração muito interessante. O que adoro em todas as personagens do Universo Marvel é que se as observarmos ao longo do tempo, a cada década ou a cada ano, dependendo de quem falamos, elas mudam. Hela mudou ao longo do tempo e a sua história de origem também foi alterada. Achei realmente fascinante. Depois, ouvi dizer que ia ser Taika Waititi o realizador, que é um realizador muito interessante. Achei que essa dinâmica seria realmente interessante.

MHD: Taika Waititi fez uma viagem para a visitar, não fez?

CB: Sim, fez e foi ótimo. No momento em que o encontramos, pensamos simplesmente: “Faço qualquer coisa por ti”. Adorei-o e a todos os seus desenhos. Demorou muito tempo para perceber que muitos dos rabiscos que estava a ver no escritório e no Skype eram realmente dele. Os seus filmes têm tanto amor, por isso fiquei extremamente animada por trabalhar com ele.

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MHD:  Do que é que gosta no estilo dele?

CB: O que é bom no Taika é o humor dele; é tão particular, único e peculiar. Mas há esta flutuabilidade natural na maneira como pensa. Tem alguma irreverência. Com o Taika, acho que este é, provavelmente, o cenário mais feliz em que já estive. É tão livre e divertido. Há uma sensação de que não existe julgamento. Sentimos que estamos todos no mesmo barco.

MHD: Quem é Hela?

CB: Quando Taika e eu nos encontramos pela primeira vez, conversamos sobre as nossas imagens favoritas e os nossos momentos favoritos, e conversamos sobre o seu potencial. Foi isso que me deixou muito entusiasmada em poder trabalhar com Taika, porque quando se olha para algumas das personagens da Marvel, estas têm uma estrutura. Há uma silhueta muito básica que é moldada ao longo das décadas. Mas é bastante maleável e aberto para ser esticado, mudado e desenvolvido.

E espero que isso seja aquilo que os fãs adoram na diferença entre a leitura de uma história de banda-desenhada e depois verem como ganha vida nesta versão particular de eventos. E gostei do facto de Taika estar completamente aberto a todas as possibilidades. Concordamos que não queríamos que fosse previsível e estávamos abertos a novas abordagens.

MHD: Como é  que foi a sua abordagem para lhe dar vida?

CB: O que Taika e eu falamos desde muito cedo foi tentar dar a Hela uma história, de alguém limitado a Asgard, para alguém disposto a matar pessoas.

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MHD:  Quem é Skurge?

CB: Skurge, interpretado por Karl Urban, é um guerreiro Asgardiano. É conhecido de Thor. Skurge guarda o portal enquanto Heimdall está a tentar colocar os refugiados de Asgard em segurança. Quando Hela entra em Asgard, está bastante chateada e opõem-se a qualquer um que a enfrente.

Skurge é o único que a apoia, e acho que é um bom começo para ela. Tem a sensação de que haverá alguém que será o seu guia e o seu aliado, porque é solitário ser a Morte. Mas, assim Skurge está aberto ao lado escuro, também tem um lado bom e esse lado humano de Skurge é o que Hela mais teme que a possa trair.

MHD: Fale-nos de Valkiria e Tessa Thompson.

CB: Vi a Tessa em “Creed” e fiquei maravilhada com o filme e com todos. Mas achei a Tessa tão atraente, poderosa e misteriosa, pois criou uma personagem muito incomum com o seu próprio peso. Fiquei muito intrigada com ela. Por isso fiquei muito entusiasmada por saber que também estava no filme. Infelizmente, não trabalhámos muito juntas.

Thor: Ragnarok

MHD: Como foi trabalhar com Chris Hemsworth?

CB: As pessoas assumem, porque somos australianos e de um grupo relativamente pequeno de atores a trabalhar fora, que nos conhecemos todos. Mas não conhecia Chris. Temos amigos em comum, mas nunca o conheci. Não tenho nenhum episódio em específico para contar, excepto que nunca conheci um artista tão generoso e com menos ego do que o Chris.

É incrível trabalhar com ele. É capaz de nos carregar a todos. A sua interpretação parece ser sem esforço, mas claro que não é.

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MHD: Como é que os ambientes físicos ajudam os atores?

CB: Os cenários ajudam muito. O maravilhoso neles é que, se por um lado, parecem ter estado sempre ali, por outro lado percebe-se que é tudo fumo e espelhos. Mas fiquei realmente surpresa com a forma como foi construído este mundo. Acho que esperava que houvesse muito mais tela azul.

Quando fomos para o cenário da praça Asgardiana, havia um rio a correr. Parecia um hotel no Dubai. Fiquei com vontade de arranjar um quarto. Mas o que faz dele engenhoso é por ser um anel com escadas, como um anfiteatro. Mas é completamente maleável. Então, cada vez que subimos, estamos num lugar diferente. É incrivelmente engenhoso como tudo foi junto, para que se possa filmar de muitos ângulos diferentes.

MHD: Este é o papel mais físico que já interpretou?

CB: Acho que sim. Sou bastante física quando estou nos cenários. “Indiana Jones” foi bastante físico. Mas a nível de combate corpo-a-corpo, este filme ganha. E a verdade é que essa foi uma parte de que gostei. E gostei de trabalhar com Zoe Bell, que é uma pessoa extraordinária e também uma atriz maravilhosa.

Tivemos um relacionamento simbiótico. Tem sido muito generosa, clara e uma professora incrível, mostrando-me como fazer mímica melhor. Mas, também me indicar, até onde um momento me leva e onde há uma oportunidade de se fazer algo. Não olha para uma briga de uma forma tradicional, que é uma série de socos e chutos e alguém é derrubado no chão. Há psicologia nisso, o que foi muito divertido. Adorei. Para mim, alguns dos momentos mais felizes neste filme, foram aqueles em que bati em pessoas. Gostei mesmo disso. Era do género ‘oh, não tenho de falar hoje’. Posso apenas atirar machados ao corpo de alguém e decapitar essa pessoa. Logo, foi bom.

MHD: Existe uma satisfação maior ao interpretar uma personagem de fantasia?

CB: É um desafio diferente, porque ainda se quer acreditar que a personagem é real. E em particular com uma personagem como a de Hela, que vem do nada. Não é como se estivesse em silêncio nos outros filmes. Algumas pessoas sabem que ela existe. Algumas pessoas, na verdade, não a conhecem. Então, é preciso encontrar um equilíbrio entre os fãs que a conhecem e aqueles que não. Pode ser misterioso para eles, mas também lhes vai dar informações suficientes sobre a sua história para que se entenda o porquê da personagem fazer o que faz, porque acho que os melhores vilões são sempre aqueles que amam, mas também odeiam o que fazem. Compreende-se isso. Há uma lógica para isso.

MHD: O quão divertido foi interpretar esta vilã?

CB: Diverti-me muito a interpretar Hela, porque acho que as suas capacidades são tão surpreendentes e incomuns. Não é só sinistra. Às vezes não quer matar pessoas. Tem um pouco de maldade e de brincadeira. E certamente, sob a tutela de Taika isso mostra-se. Espero que o público embarque nesta montanha-russa com Hela.

Thor: Ragnarok, o novo filme do Universo Cinematográfico da Marvel, estreia a 26 de outubro nos cinemas portugueses.

Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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