Classic Fever | A Bela e o Monstro (1991)

Síndromes de Estocolmo à parte, há quem diga que A Bela e o Monstro é o melhor filme de animação alguma vez criado e uma das mais belas e genuínas histórias de amor dos anos 90.

 

O QUE É QUE VOU RELEMBRAR HOJE?

A Bela e o Monstro (1991), realizado por Gary Trousdale e Kirk Wise e com elenco de vozes (originais) composto por Paige O’Hara, Robby Benson, Jesse Corti e Angela Lansbury.

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MAS AFINAL DO QUE É QUE TRATA?

Um príncipe é transformado num monstro por uma feiticeira por punição pela falta de amor no seu arrogante coração. A única forma de quebrar o feitiço será amar alguém e ser amado pela mesma pessoa antes da queda da última pétala de uma rosa encantada, no dia do seu 21º aniversário. Mais tarde, Maurice, um inventor de uma aldeia local, perde-se nos bosques a procura abrigo no castelo do Monstro, que o torna seu prisioneiro. A sua filha Belle, apaixonada pelos livros e que sonha com uma vida para lá da sua aldeia, oferece-se para trocar de lugar com ele no castelo, prometendo lá ficar para sempre. No início, Belle vê o Monstro apenas como uma criatura disforme, difícil e teimosa. Mas ambos irão descobrir que a mudança pode acontecer até no mais inesperado local e que, muitas vezes, as aparências iludem.

 

PORQUE É QUE NÃO POSSO PERDER?

Síndromes de Estocolmo à parte, há quem diga que é o melhor filme de animação alguma vez criado e uma das mais belas e genuínas histórias de amor dos anos 90. Quer subscreva total ou parcialmente quaisquer destas afirmações, a verdade é que será virtualmente impossível não conhecer de antemão o fenómeno de A Bela e o Monstro, a 30ª animação do estúdio Disney e a terceira entrada no cânone que é vulgarmente reconhecido como “o período renascentista” do estúdio, que depois da “era Negra” dos anos 70 e 80, experimentou uma ressurgência criativa produzindo uma série de sucessos críticos e de bilheteira até ao final dos anos 90.

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O resto são páginas de história escritas a tinta dourada.

O estatuto de clássico não demorou a assentar-lhe como uma luva e no ano seguinte, tornou-se o primeiro filme de animação da história a ser nomeado para um Óscar na categoria de Melhor Filme; feito este só novamente alcançado em 2009 pelo extraordinário Up – Altamente da Pixar.

Mas as razões que tornam A Bela e o Monstro um clássico incontornável são muito muitas e muito mais relevantes. A começar pela animação quase pioneira – afinal, foi apenas o segundo filme Disney (depois de Bernardo e Bianca na Cangurulândia) a combinar a animação clássica de desenhos à mão com um sistema digital de scan, pintura e composição. Só assim foi possível combinar os protagonistas expressivos com os backgrounds apaixonantes como o salão de baile ou a biblioteca do palácio.

Evidentemente, nada disto funcionaria sem a solidez de uma história (quase) à prova-de-bala – novamente, vamos esquecer o Síndrome de Estocolmo. Essencialmente, esta é uma história de Amor e, pelos padrões da Disney, é uma das suas mais bem conseguidas – se lembrarmos a paixão assolapada que atacou Ariel 5 segundos depois de ver o Príncipe Eric pela primeira vez em A Pequena Sereia, é possível compreender como é importante o tempo que Belle e o Monstro demoram a conhecer-se a desenvolver o seu afeto e as suas diferenças de uma forma que se sente verdadeiramente romântica.

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Posto isto, vale a pena ressaltar a riqueza do argumento – ora tremendamente negro (na apresentação do Monstro), ora hilariante (no massacre dos objetos do palácio aos habitantes da vila), ora musicalmente irrepreensível (há tantos e tão cantáveis clássicos que falar apenas de “Beauty and the Beast” parece um tremendo desserviço a esta obra), ora genuinamente entusiasmante (a reboque de um grande e subvalorizado vilão encontrado em Gaston). A líder de todas as operações é a nossa protagonista – Belle: a primeira ramificação do progressismo contemporâneo das Princesas Disney. Resistindo às expectativas da sua vila daquilo que uma mulher “deveria” ser e sem medo de expressar a sua opinião, Belle é profundamente independente e a primeira Princesa a expressar algum ceticismo relativamente ao casamento. Nos tempos livres, gosta de ler, torna-se grande amiga de chávenas e candelabros e mostrou-nos que o aspeto não é tudo quando se ama de verdade – ainda que literalmente dois minutos depois tenha sido abençoada com o Euromilhões dos Príncipes Encantados.

Por aqui ficaríamos horas sem fim, a desfiar as incontáveis razões pelas quais A Bela e o Monstro é um clássico inequívoco. Mas para quê se o podemos rever de novo, pela milésima vez? Venham connosco e… “be our guest”!

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UMA FRASE PARA A POSTERIDADE

Who could ever learn to love a beast?

 

PARA FICAR NO OLHO E NO OUVIDO (DA MENTE)

 

Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

One thought on “Classic Fever | A Bela e o Monstro (1991)

  • … ainda hoje me sento para rever o filme em animação imensas vezes.
    Vi o trailer e nem pensei duas vezes, esperar pela estreia para ir pois é sem duvida um dos filmes da.minha infância.
    Pureza, inocência, amor… Viva!!!

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