MEG: Tubarão Gigante

MEG: Tubarão Gigante, em análise

Longe vão os tempos de “Jaws: O Tubarão” e do inesquecível tema que o acompanhava. Dos banhos de sangue que acompanham este género de filmes. “MEG: Tubarão Gigante” não tem nenhum de ambos, nem tenta ter, oscilando entre a comédia e o drama, saímos da sala um pouco confusos…

Inicialmente, “MEG: Tubarão Gigante” chama-nos a atenção por duas coisas: o cartaz e Jason Statham. O ator que automaticamente associamos a filmes de ação e luta e, dentro deste género, não costuma desiludir, fá-lo neste filme. Não por culpa dele, mas da narrativa, ou da ausência dela. Mas havemos de lá chegar.

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“MEG: Tubarão Gigante” promete-nos um misto de acção e terror, contando a história de Jonas Taylor, um ex-mergulhador especializado em resgates em águas profundas, que interrompe as suas férias na Tailândia para uma última missão. Como é de esperar, algo corre mal, e a missão de resgate rapidamente se torna num pesadelo, quando o submarino responsável pela extracção da equipa abre, acidentalmente, passagem para um megalodonte, um tubarão de quase 20 metros, dado como extinto há mais de dois milhões de anos. Cabe a Taylor confrontar o terrível monstro, carinhosamente apelidado de Meg, e salvar o dia.

MEG: Tubarão Gigante

Quando vamos ver um filme deste género, esperamos três coisas: sangue, alguns sustos e um certo cliché de personagens. Ora “MEG: Tubarão Gigante” apenas cumpre com o último. Sangue quase nem vê-lo e, como consequência, também não fiquem à espera da tradicional carnificina. As baixas existem (num número considerável), mas Jon Turteltaub, realizador do filme, trocou o sangue por músicas melodramáticas, e aqui começa a confusão. Num filme como “MEG” não é suposto termos musiquinhas a apelar ao sentimento ou ouvir pessoas a fungar…Quanto muito esperamos que o parceiro do lado dê uns quantos saltos, esperamos definitivamente divertir-nos com a extravagância do horror, mas tentar induzir lágrimas? É simplesmente contra-natura.

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Esperávamos, no mínimo, algo na linha de “Perigo no Oceano”. Mas, nem MEG é inteligente ou sangrenta, nem a dupla de protagonistas é suficientemente convivente. Bingbing Li, a atriz de origem chinesa que forma dupla com Statham, falha redondamente qualquer tentativa química. “Perigo no Oceano” é um bom exemplo para este género de filmes, isto para não entrar no clássico de Spielberg. Lançado em 1999, numa altura em que ainda não se falava de CGI, é um filme que contém os ingredientes chave de que falámos: sangue, sustos e um conjunto de personagens-tipo. Os tubarões eram minimamente realistas – o que é incrivelmente importante para gerar medo genuíno – mordiam e desmembravam pessoas. Não havia pausas para chorar os que ficaram para trás, a ação era constante. Infelizmente, o único elemento que os dois filmes partilham é a base de pesquisa no meio do Oceano.

MEG: Tubarão Gigante
MEG: Tubarão Gigante

Falando do próprio Meg, quase 20 anos o separam dos astutos tubarões de “Perigo no Oceano” e 43 do “Tubarão”.  Turteltaub e a sua equipa tinham à disposição uma tecnologia muito mais avançada, no entanto, o megalodonte que vemos não assusta ou surpreende, aliás, em algumas cenas até parece um pouco disforme e anatomicamente incorreto. Se ele é o personagem titular da história, deveria ter um maior foco, ou pelo menos um maior número de close-ups. Nunca nos chegamos a aperceber bem dos famosos quase 30 metros da besta.

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O único ponto que podemos considerar positivo é a pequena Sophia Cai, que tem aqui a sua estreia internacional. Cai dá vida à filha de 8 anos de Li, Meiying, que vive com a mãe e o avô na base Mana One. Personificando a ideia de que “as crianças de 8 anos ouvem tudo”, Meiying é a protagonista de alguns, arriscamo-nos a dizer, bons momentos de riso. A pequena atriz consegue ter mais presença e destaque que a larga maioria dos outros membros do elenco.

MEG: Tubarão Gigante

Evidentemente, não podemos deixar passar ao lado um pedaço de informação essencial: “MEG: Tubarão Gigante” apontou para e recebeu o classificação etária de PG-13 nos Estados Unidos – sim, leram mesmo bem, PG-13. Não vamos arranjar demasiadas desculpas – afinal, “Jaws: O Tubarão” foi, no seu tempo, PG (ainda que fossem, efetivamente, outros tempos) – no entanto, esta opção que será manifestamente do estúdio – estamos prontos a por as mãos no lume por isto! – destrói totalmente as suas honestas aspirações de “filme de terror mais divertido deste verão”. O realizador e a principal estrela do filme já se confessaram algo desiludidos com o resultado final, o que só pode confirmar exatamente o que temos vindo a dizer: MEG torna-se um filme confuso por querer ser uma coisa que, pela natureza do seu próprio alcance, nunca poderá almejar. Numa já célebre entrevista, Statham confirma – ainda que com pouca confiança, que MEG é divertido, acrescentando no entanto “Sim mas ficas do género… onde é que está o sangue?? Está aqui um tubarão!”.

Em conclusão, “MEG: Tubarão Gigante” poderia ter resultado num contexto de filme de verão. Tinha elementos para tal, mas falha redondamente o alvo. Saímos da sala de cinema confusos, afinal viemos ver um filme de acção-terror que nos faça honra ao enorme balde de pipocas ou um filme ação-drama? E se viemos ver uma película com maior índole dramática, porque é que ela é simplesmente incapaz de se ligar a nós? Acreditamos que “MEG” não será o que o público espera ver quando compra um bilhete para um filme deste tipo. Talvez pensem que será algo do género de “Piranha 3D” quanto muito, mas nem primo dele o podemos considerar.

MEG: Tubarão Gigante, em análise
  • Inês Serra - 39
  • Luís Telles do Amaral - 50
  • Marta Kong Nunes - 45
45

CONCLUSÃO

Queremos acreditar que "Meg: Tubarão Gigante" seja um caso isolado e que este género de filmes continue a ser aquilo que se pretende: um banho de sangue com uma história simples de humanos contra o monstro.

O MELHOR: As cenas em que a pequena e esperta Meiying entra.
O PIOR: A sensação de estranheza com que saímos da sala. Não nos conseguimos focar em Meg, apenas na melancólica banda-sonora que preenche o filme, que não deveria lá estar.

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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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