Ficheiros Secretos | Primeiras Impressões

 


Chris Carter sonhou com esta epifania de reabrir os Ficheiros Secretos, mas será que ainda é possível acreditar que a verdade anda por aí?


 

FICHA TÉCNICA

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Título Original: The X-Files
Elenco:  David Duchovny, Gillian Anderson, Mitch Pileggi
Género: Drama, Mistério, Sci-fi, Thriller
FOX | 2016 | USA | Segunda-Feira | 22h15[starreviewmulti id=14 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’] 

 

 

 

Já não é um dossiê secreto, “The X-Files” estão mesmo de volta após o encerramento da divisão paranormal há treze anos a esta parte. E se aquela introdução emblemática do OVNI a planar nos céus ao sabor do assobio marciano de Mark Snow, ainda provoca aquele arrepio na espinha repleto de nostalgia, a assimilação do regresso da série de culto dos anos 90, não deixa de ser pressionada com a analogia de um “romance” que se pensara resolvido no passado e que se vê “forçado” a renascer das cinzas no presente. No fundo, é como desenterrar do baú das recordações algo que significou mais há duas décadas atrás do que poderá significar agora. O próprio Chris Carter admitiu na conferência de imprensa da “Television Critics Associaton”, que “era surreal para ele ainda estar sentado naquela cadeira passados 24 anos” e que “era estranho voltar a falar sobre a série, não obstante o sentimento de orgulho por lhe ter sobrevivido”. O que queremos dizer é que, o rejubilo de voltarmos a ver Mulder e Scully na resolução de casos paranormais como antigamente poderá pecar pelo defeito do anacronismo por vivermos numa era digital, aonde o conceito alienígena foi normalizado pela própria série em questão, mas só o tempo dirá se a “Caixa de Pandora” deveria ter sido aberto ou não.

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É certo que a franquia “X-Files” não esteve em hibernação latente durante a última década e meia, com a revisitação mais próxima a remontar ao filme de 2008 (Ficheiros Secretos: Quero Acreditar), embora as derivações cinematográficas soassem mais a pretexto para não rasgar de vez o poster icónico da fé inabalável nas criaturas com olhos de mosca. Naquela época, existia um autêntico movimento planetário que queria acreditar no disco difuso numa planície verdejante, mas agora é “old news”. Mas Fox Mulder (David Duchovny) saiu da sua toca eremita disposto a avivar a crença pelos homens de verde, reencontrando-se mais uma vez com a única pessoa capaz de alimentar a sua fome pela verdade; a parceira de crime de todos os seus devaneios conspirativos e megalómanos Dana Scully (Gillian Anderson). Ambos envelheceram, é certo, ambos seguiram em frente com as suas carreiras, e a ideia que fica, por vezes, é que já se tinham esquecido de como a sua química era tão natural e contagiante no seu tempo, porque parece que se reuniram para mais uma ronda de Ficheiros Secretos na “pausa de almoço” dos seus atuais projetos: Mulder na sua forma informal ainda tresanda a “Californication“, e Dana já se tornou imagem de marca de “The Fall“. E essa aparente dessincronização é desmascarada em alguns diálogos atirados contra as memórias, à espera daquele “click” tão cúmplice e próprio de outra juventude, acabando por soar a uma certa representação de cor.

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Mas a série esforça-se por enquadrar-se na atualidade, adaptando o “script” aos enredos modernos, sem deixar de ir beber às suas fontes originárias. O caso Roswell de 1947 parece ser o bode expiatório para a sede de respostas de Mulder, e se já naquela altura multiplicavam-se as vozes desconfiadas dos golpes ocultos do governo, então o pós 11 de Setembro e o pós Snowden enquadram na perfeição este clima de suspeição ao mais alto nível tão caraterístico de “Ficheiros Secretos”. E se dantes a caça aos discos voadores não era instrumentalizada pelo fenómeno da globalização dos meios de comunicação, agora Fox Mulder e Dana Scully tem do seu lado o poder dos media sob a forma de um arauto fala barato Tad O’Malley (Joel Mchale), num formato noticioso sobre as boas novas da vida extraterrestre. A verdade anda mesmo por aí à mão de semear, e Mulder está cada vez mais próximo de revelar a máquina de fundo que opera todo este teatro de fantoches e marionetas, e talvez a questão até seja mais humana do que se possa pensar. “Ficheiros Secretos” ainda anda a apalpar terreno, enquanto desperta e adapta-se a esta nova condição de regresso ao ativo. Veremos, se a dupla “FoxCully” consegue voltar a mobilizar as massas em torno da sua causa. Eu quero acreditar!

Consulta ainda o nosso Calendário de Séries Midseason 2016

 

MS

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Miguel Simão

Jurista e Poeta em algumas horas vagas. Cinéfilo incurável com forte pancada pelo sci-fi, que se perde algures pelo vício noturno de umas quantas séries televisivas de renome; amaldiçoado pelo perfecionismo estético de uma resma de palavras mais ou menos caras. Podem encontrar-me a divagar entre a Terra e o Espaço no meu blogue premiado Última Transmissão Humana.

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