Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, em análise

“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” não é somente uma viagem pelo espaço mas uma viagem por aquilo que faz de nós humanos.

“Valerian et Laureline” é a banda desenhada que inspira o mais recente filme de Luc Besson, realizador que tem habituado os seus fãs a filmes com visuais estimulantes, e visuais estimulantes é o que não falta em “Valerian”. A história segue dois agentes cujas missões os levam aos quatro cantos do universo. Neste filme, os dois terão de desvendar o que está por detrás de uma ameaça que poderá significar o fim de Alpha, a cidade construída por humanos há muitos séculos atrás e que se transformou num centro onde inúmeras espécies partilham os seus conhecimentos.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Os efeitos visuais e a estética da obra é o que mais chama a atenção. Besson conseguiu transportar na perfeição o que seria viver no meio de dezenas de espécies alienígenas, cada uma com a sua cultura, com o seu visual e comportamento. Alpha é sem dúvida rica e um feito sem antecedentes – pela primeira vez o universo co-existe em harmonia e cooperação. Porém, Alpha esconde um segredo negro.

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Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) vêem-se no meio de um mistério cujo desfecho não poderiam imaginar enquanto tentam descobrir o que sentem um pelo outro. Destaca-se Cara, a atriz interpreta a insegurança mas também o amor que sente pelo parceiro, algo que Dane não consegue alcançar. Valerian é relativamente oco e sem emoções, nunca demonstrar realmente o suposto amor que tem por Laureline, comportando-se como se fosse um robot. É, por isto, pena que seja ele o protagonista. Ainda que tentem dar foco à sua parceira (forte e destemida), e apesar do seu carisma, ela mantém-se na sombra excepto numa breve parte do filme em que é ela que avança a narrativa. Quem sabe, o filme tivesse seguido outro rumo se o foco fosse Cara, e não Dane.

A dupla passa por personagens como a artista interpretada por Rihanna (um dos seres mais cativantes do filme) e o proprietário do bar para o qual ela trabalha, interpretado por Ethan Hawke. É preciso mencionar ainda Clive Owen, o Comandante Arun Filitt, peça importante para o desenrolar da obra – a sua interpretação encontra-se razoável mas infelizmente a personagem e o modo como esta é trabalhada deixa a desejar especialmente quando exploram um mistério que não existe realmente.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Quanto à narrativa esta é sem dúvida estimulante. Escondida numa história aparentemente de entretém está um olhar profundo ao que é ser humano, desde o amor à destruição intrínseca, ao desejo de poder à sensibilidade para com os outros. Existe igualmente um chamar de atenção às minorias, muitas vezes invisíveis mas cujas lutas são reais. Esta mistura de temas sociais com o imaginário da ficção-científica inspira não apenas o espectador atual mas igualmente várias obras que ao longo das décadas beberam da arte de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, razão pela qual muitos detalhes e personagens serão reconhecidos pelos fãs do cinema, uma mais valia para a obra. Infelizmente nem tudo é perfeito, e a história contem alguns problemas, nomeadamente a falta de lógica entre determinadas cenas e o modo como certos comportamentos das personagens vão contra o que defendem.

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Em suma, “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é uma experiência visual incrível que os fãs do sci-fi não vão esquecer durante os próximos anos. Fica o desejo de ver mais aventuras de Valerian e Laureline mas com outra preocupação ao elenco, à química entre os protagonistas, e aos detalhes narrativos que negam o que é defendido.

TRAILER | VALERIAN E LAURELINE LEVAM-TE À CIDADE DOS MIL PLANETAS

Já leste “Valerian et Laureline” ou é este o primeiro contacto que tens com a história? Qual a tua opinião? Gostavas de ver uma sequela/prequela?

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, em análise
Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Movie title: Valerian and the City of a Thousand Planets

Director(s): Luc Besson

Actor(s): Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Herbie Hancock, Kris Wu

Genre: Ação, Aventura, Fantasia

  • Ângela Costa - 65
  • Daniel Rodrigues - 55
  • José Vieira Mendes - 60
  • Cláudio Alves - 80
65

CONCLUSÃO

Uma extraordinária viagem visual, o filme peca pela sua pobre narrativa e desenvolvimento das personagens ainda que se mantenha como uma obra sem dúvida a não perder.

O MELHOR: Os efeitos visuais realistas.

O PIOR: Um casting que poderia ter sido melhor e uma narrativa que por vezes parece escrita à pressa.

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Ângela Costa

Mestre em Cinema pela Universidade da Beira-Interior, sou apaixonada pelo cinema japonês e toda a cultura que o envolve. Adoro igualmente fotografia e se tiveres curiosidade passa no meu Instagram ;) Música e videojogos são dois outros grandes interesses.

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