Do Livro à Tela – Os Miseráveis

 

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Do Livro à Tela

Os Miseráveis

Adaptado várias vezes para o cinema, televisão e com direito a um dos musicais mais famosos de sempre, Os Miseráveis de Victor Hugo é um dos melhores romances alguma vez escritos. É, também, dos livros de que as pessoas mais “fogem”, pois as suas mais de 1200 páginas poderão afastar qualquer leitor que, tendo um ritmo de leitura mais baixo, não queira passar meses nesta história.

E o que torna este romance tão bom? A resposta será, provavelmente, tudo. Com uma profundidade e detalhe raramente alcançados por outros escritores, esta obra-prima oferece-nos momentos e personagens memoráveis, e quem a leia tão cedo não se esquecerá de Valjean.

Para além de tudo isto, Victor Hugo brinda-nos com a sua filosofia e a sua forma de ver (e enfrentar) a vida, com uma escrita que tem tanto de sonhadora como de lógica. Tudo isto envolto numa detalhada sociedade francesa em grande decadência financeira e moral, onde esperanças são destruídas.

 

Mas então como adaptar um livro tão grande e onde é o “todo” que torna este livro uma obra-prima? Na realidade não é fácil, mas este filme (onde Hugh Jackman é fantástico) consegue ser bastante fiel à história principal, particularmente nos primeiros dois terços da obra. Sendo assim, pouco há a apontar, pois a grande diferença está no detalhe, na profundidade das personagens e dos seus passados, que um livro de 1200 páginas consegue oferecer melhor do que qualquer filme.

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A primeira diferença (óbvia), é ser um musical. Neste aspecto não há nada que se deva apontar. Aliás, tendo em conta as limitações de um filme, será muito difícil (talvez impossível?) criar um musical que consiga ter o conteúdo de diálogos e pensamentos de forma tão perto da perfeição como neste musical. É verdade que alguns dos diálogos entre Javert e Valjean apresentam uma força e suspense no livro que o filme não consegue transmitir, mas no geral, estamos perante um trabalho fantástico.

De seguida devemos falar de algumas relações: Javert e Valjean, Valjean e Cosette, Éponine e Gavroche (são irmãos) e o triângulo Cosette, Marius e Éponine. Em todas estas relações, o filme volta a oferecer-nos o essencial mas perde algum detalhe e profundidade. O mesmo se passa com o conhecimento que temos de algumas personagens: Valjean, Fantine, Marius (principalmente a sua família), Éponine e Javert, são mais aprofundadas no livro, mas tirando a omissão de algumas partes, nada é alterado, sendo um dos raros exemplos o livro apresentar um Valjean muito menos religioso do que no filme.

 

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Existem outras diferenças no último terço do enredo, mas novamente temos de afirmar que o essencial da história está presente. Os Miseráveis é um dos melhores filmes musicais alguma vez feitos (muitos até poderão dizer que é o melhor e talvez estejam certos), pois cada música acaba de forma vibrante e a mensagem passa facilmente para quem vê. É verdade que é grande, e muitos poderão dizer que deveria ser mais pequeno, mas poderiam dizer o mesmo do livro, só que menos páginas roubaria qualidade.

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Os Miseráveis é um livro completo. Coragem, solidão, amor, injustiça, sacrifício e ódio estão presente, tal como a miséria, e a sua personagem principal torna-se imortal na literatura. Questões levantam-se e Victor Hugo pergunta-nos se deveremos castigar eternamente um criminoso ou reeducá-lo.  Que mundo é este e valerá a pena viver? Quantas vezes sonhámos com uma vida melhor, com um Deus misericordioso? E o amor… aquele sentimento que te destrói, ou te salva… pois, tal como Fantine, são muitos os que sonharam com uma vida melhor, mas a vida matou-lhes o sonho… e mesmo assim, continuam a sonhar.

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Daqui a muitos anos, os leitores continuarão a admirar a obra-prima de Victor Hugo. É grande, o ritmo é lento e, por vezes, é preciso ter vontade de continuar mas também é um dos mais impressionantes retratos de uma sociedade e da luta interior de um homem mentalmente destruído, mas que percebe que nas horas mais negras, o sol pode nascer.

Esta é uma excelente adaptação. As personagens são consistentes, o enredo oferece o essencial, as cenas são decadentes (no bom sentido, pois são iguais ao livro) e a emoção está presente. O que falta? Falta o detalhe, e é esse detalhe que transformou a história de Os Miseráveis, num livro imortal.

LP

 

 

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