© Vonder / Viture

A Vonder prepara-se para lançar, em novembro, uns óculos inteligentes sem câmara. Em vez disso, a aposta está toda no áudio. O jornalista Scott Stein, da CNET, testou vários protótipos e resume a experiência numa palavra: normalidade. De facto, os óculos parecem comuns. Leves, com apenas 30 gramas, e com hastes flexíveis, adaptam-se bem ao rosto. Além disso, funcionam com uma vasta gama de graus. Contudo, a verdadeira novidade não está no design, mas sim naquilo que os óculos conseguem ouvir.

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Como funcionam os óculos inteligentes da Vonder?

Óculos inteligentes
© Vonder / Viture

Segundo Stein, o sistema baseia-se em condução óssea. Assim, os microfones instalados nas hastes conseguem captar a voz do próprio utilizador, mesmo em sussurro. Por consequência, os óculos distinguem entre notas de voz pessoais e conversas com terceiros. Quando gravam uma conversa, acende-se um pequeno LED lateral. Já nas notas pessoais, essa luz não aparece.

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Guillaume Hamon, diretor de marca da Vonder, e David Jiang, presidente executivo da Viture, explicaram ao jornalista a filosofia por trás do produto. Segundo Hamon, a ideia é reduzir a carga cognitiva do utilizador, transformando os óculos numa espécie de “segunda memória”. Assim, a pessoa consegue manter-se presente nas conversas, enquanto o dispositivo guarda o que importa. Ainda assim, os óculos não pretendem substituir o telemóvel. Jiang admite que seria “utópico”, nesta fase, pedir às pessoas que abandonem o smartphone. Por isso, tal como acontece com os óculos com ecrã da Viture, os novos modelos funcionam como acessórios.

Como é usado a IA nos óculos inteligentes da Vonder?

Óculos inteligentes
© Vonder / Viture

Do lado da inteligência artificial, entra em cena o chamado Personal Memory Graph. Trata-se de uma plataforma na nuvem, ligada a uma aplicação móvel, que recorre aos modelos da OpenAI, da Google e da Anthropic. No entanto, o serviço não se limita a resumir conversas. Pretende criar um mapa mental pesquisável de tudo o que o utilizador diz e ouve.

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Apesar disso, Stein mostra-se cético em relação a esta promessa. Afinal, cada vez mais empresas querem tornar-se guardiãs da nossa memória coletiva. Por isso, o jornalista questiona até que ponto se pode confiar nesse tipo de armazenamento. Além disso, o acesso ao serviço exige uma subscrição mensal, entre 5 e 30 dólares, consoante a utilização. Na sua opinião, a própria ideia de “memórias por assinatura” levanta reservas.

Em termos de autonomia, a Vonder promete mais de 16 horas de bateria, mesmo com gravação contínua. Para isso, a marca optou por um chip normalmente usado em auriculares, em vez de um processador topo de gama pensado para óculos. Consequentemente, ganha-se eficiência energética, ainda que à custa de potência.

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Como se compara a Vonder à Meta, à Google e à Samsung?

Óculos inteligentes
© Courtesy of Meta

Este lançamento surge num contexto de reação crescente contra as câmaras em óculos inteligentes. A própria Meta apresentou, esta semana, no evento Connect, um modelo sem câmara, conhecido internamente como “Luna”. Tal como os da Vonder, estes óculos apostam totalmente no áudio: têm seis microfones, um botão lateral e destinam-se a conversar com o assistente Muse. No entanto, ao contrário da Vonder, não têm qualquer sistema de condução óssea que distinga a voz do utilizador da dos restantes presentes. Além disso, com cerca de 50 gramas, pesam quase o dobro dos 30 gramas da Vonder.

Já a Google e a Samsung seguem um caminho diferente. Os seus óculos Android XR, desenvolvidos em parceria com marcas como a Warby Parker e a Gentle Monster, mantêm a câmara, embora prometam maior transparência: uma luz acende-se sempre que a captação está ativa. A empresa garante ter repensado a privacidade “desde a base”. Assim, ao contrário da Vonder, o foco continua a ser visual, com o assistente Gemini a reconhecer objetos e a tirar fotografias por comando de voz. A autonomia anunciada ronda as nove horas, bem menos do que as 16 horas prometidas pela Vonder.

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Nesse sentido, a Vonder distingue-se por eliminar por completo a câmara. Algo que a Meta só agora começa a testar e que a Google e a Samsung, para já, não seguem. Resta saber se a empresa de Hamon, entre design cuidado e promessas de memória digital, conseguirá convencer um público cada vez mais desconfiado.


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