Cartaz promocional do programa Éric Rohmer ou Génio do Moderno Cinema Francês © Leopardo Filmes

Éric Rohmer | 20 cópias restauradas em estreia nas salas

A partir de meados de julho, a Leopardo Filmes lança 20 filmes restaurados Éric Rohmer onde são exploradas questões como o amor, o desejo e a moral. 

Éric Rohmer está de regresso às salas de cinema. No ano passado, a Leopardo Filmes anunciou a aquisição dos direitos de distribuição de 20 filmes do realizador francês, que supostamente iriam estrear em sala. Tal não aconteceu devido à pandemia COVID-19. No entanto, a distribuidora portuguesa não quis esquecer este cineasta que em 2020 comemorava o seu 100º aniversário e como o prometido é devido aí estão os filmes de Rohmer para voltarem a ser apreciados.

Segundo a própria distribuidora estão agora reunidas as condições para levar para a frente este projeto, que começa a partir do dia 15 de julho nos Cinemas Medeia Nimas em Lisboa e no Teatro Campo Alegre, no Porto. Em breve, as obras de Éric Rohmer irão estrear também no Auditório Charlot em Setúbal, no  TAGV em Coimbra, no Theatro Circo de Braga e no CAE da Figueira da Foz. O primeiro filme em estreia é inédito nas salas portuguesas e trata-se do primeiro filme de Rohmer: “O Signo do Leão” de 1962.

Eric Rohmer
Amanda Langlet e Melvil Poupaud em “Conto de Verão” (1996) © Canal+

Serão também exibidas as quatro longas metragens da série de filmes “Contos Morais” a partir da segunda quinzena de julho, nomeadamente “A Coleccionadora” (1967), “A Minha Noite em Casa de Maud” (1969), “O Joelho de Claire” (1970) e “O Amor às 3 da Tarde” (1972). A média metragem “A Profissão de Suzanne” (1963) e a curta metragem “A Padeira de Monceau” (1969) também não foram esquecidas e serão exibidas numa sessão especial no Cinema Medeia Nimas. Abaixo podes conhecer as datas de lançamento dos filmes restaurados de Éric Rohmer.

Éric Rohmer ou o Génio do Moderno Cinema Francês | Programa Completo

1º Capítulo – a partir de 15 de julho 2021

  • “O Signo do Leão” (1959) – inédito comercialmente em sala em Portugal

Contos Morais (longas-metragens):
“A Coleccionadora” (1967)
“A Minha Noite em Casa de Maud” (1969)
“O Joelho de Claire” (1970)
“O Amor às 3 da Tarde” (1972)

2º Capítulo – a partir de outubro 2021 

Comédias e Provérbios:
“A Mulher do Aviador” (1981)
“O Bom Casamento” (1982)
“Pauline na Praia” (1983)
“Noites de Lua Cheia” (1984)
“O Raio Verde” (1986)
“O Amigo da Minha Amiga” (1987)

3º Capítulo – a partir de dezembro 2021

Adaptações literárias e outros

“A Marquesa de O” (1976)
“Perceval, o Galês” (1978)
“4 Aventuras de Reinette e Mirabelle” (1987)
“A Árvore, o Presidente e a Mediateca” (1993)
“Os Encontros de Paris” (1995)

4º Capítulo – a partir de janeiro 2022 (conclusão)

Os Contos das Quatro Estações

“Conto da Primavera” (1990)
“Conto de Inverno” (1992)
“Conto de Verão” (1996)
“Conto de Outono” (1998)

Éric Rohmer nasceu a 21 de Março de 1920, em Tulle, França e morreu a 11 de Janeiro de 2010, aos 89 anos em Paris. Para muitos era considerado como um cineasta convencional dentro dos padrões da Nouvelle Vague, para outros um autor que soube ir a fundo na sua exploração das relações humanas e que poucos conseguiriam igualar. Os seus filmes mostram uma preocupação de ir ao “pormenor”, onde se dá atenção ao amor, ao desejo, à moral e as longas discussões sobre os costumes da vida burguesa. Muitas dos filmes de Éric Rohmer exploram questões de classe e até sobre os papéis sociais dos homens e das mulheres. Segundo o comunicado da Leopardo Filmes:

A sua obra varia entre o clássico e o moderno, a literatura e o cinema, e explora as contradições entre a moral e o desejo (não, não é nem a vida de Rohmer, nem aquilo que ele pensa. Se há cineasta que sempre cultivou a dissociação entre autor e obra, foi Éric Rohmer, que afirmava: “As coisas que as personagens dos meus filmes dizem são elas que as dizem, não sou eu.”).

Os filmes de Éric Rohmer voltam às salas portuguesas para serem re-apresentados aos seus amantes e para serem descobertos pelo público mais jovem, afinal poucos cineastas como ele conseguiram explorar o que significa ser jovem e ter as suas próprias dúvidas.

Vale a pena descobrir por si mesmo Éric Rohmer. Fica atento a todas as reposições em salas de cinema. No momento, poderás aproveitar algumas das obras do cinema italiano, no âmbito do programa “Os Grandes Mestres do Cinema Italiano” como a cópia em 4K do filme “A Rapariga da Mala”, com Claudia Cardinale. No caso de viveres na ilha da Madeira ou estares de visita à ilha poderás aproveitar para (re)ver um dos filmes de Wong Kar Wai, também distribuídos pela Leopardo Filmes e apresentados nos Screenings Funchal.

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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