Cinema Português marca presença no Festival de Veneza

O Festival Internacional de Cinema de Veneza já divulgou a sua gloriosa seleção oficial e, entre os vários títulos, estão dois filmes produzidos por Paulo Branco e o novo projeto de Marco Martins.

 

Festival de Veneza
Os Belos Dias de Aranjuez

 

Depois de Berlim, Cannes e Locarno, chega o Festival de Veneza para terminar o quarteto dos maiores festivais de cinema europeus. Nos últimos anos, enquanto Cannes tem recebido cada vez mais críticas devido à sua aparente miopia no que diz respeito à seleção de filmes de nacionalidades não-europeias e de cineastas femininas, Veneza tem vindo a afirmar-se como o grande festival da variedade e diversidade de propostas criativas. Este ano, isso volta a verificar-se na sua seleção oficial, com especial ênfase para as secções do Venice Days, onde há um grande destaque no cinema realizado por mulheres.

 

festival de veneza
À Jamais

 

Muitos são os grandes nomes do cinema de autor a marcar presença nesta seleção, mas há dois nomes que merecem a nossa atenção pelo produtor que com eles colaborou. Wim Wenders e Benoit Jacquot têm ambos filmes na seleção oficial que foram produzidos por Paulo Branco. Enquanto Wenders está na competição principal com Os Belos Dias de Aranjuez, o primeiro filme do cineasta a ser rodado em França, Benoit Jacquot ficou-se pela secção fora de competição onde vai estrear À Jamais. Este último título conta ainda com a participação de vários atores portugueses como Victória Guerra, José Neto, Elmano Sancho e Rui Morrison.

Lê Também: Festival Scope | Festivais de Cinema à distância de um clique

Outra presença portuguesa que merece a nossa atenção é a do cineasta Marco Martins. O seu novo filme, São José, vai integrar a secção Horizontes. Esta seleção tem como propósito a apreciação de trabalhos que mostrem novas tendências criativas na arte cinematográfica, tendo usualmente um grande foco em realizadores mais novos ou desconhecidos. Entre os vários filmes, conseguimos encontrar títulos de quase 20 nacionalidades diferentes, incluindo o já referido filme lusitano.

 

São Jorge festival de veneza
São Jorge

 

Para seguidores da Awards Season este é também um evento de grande importância, sendo que, nos últimos dois anos, o vencedor do Óscar de Melhor Filme teve a sua estreia neste festival. Veremos se algum dos títulos em destaque consegue chegar a tão altas honras mas, convém chamar a atenção para os filmes que mais probabilidades têm de deixar a sua marca na futura temporada dos prémios.

 

festival de veneza
The Light Between Oceans

 

Nesse panorama é óbvio que os filmes americanos têm maior visibilidade, estando seis produções ou coproduções dos EUA dentro da competição principal. Os títulos mais relevantes desse subgrupo são The Light Between Oceans, onde Michael Fassbender, Alicia Vikander e Rachel Weisz protagonizam um drama romântico com grandes esperanças para os Óscares. La La Land de Damien Chazelle também merece o destaque, sendo o filme de abertura, e oferece uma proposta singular, de um musical contemporâneo em apaixonada homenagem aos estilos ultra-artificiais e escapistas da velha Hollywood.

Lê Também:
Mistérios de Lisboa, a nova série HBO Portugal

Lê Ainda: La La Land vai abrir o 73º Festival de Veneza

No panorama de autores mais acostumados à celebração no circuito dos festivais, Terrence Mallick vai estrear o seu novo documentário A Voyage in Time, Denis Villeneuve vai apresentar Arrival, Tom Ford aparece com Nocturnal Animals e Pablo Larrain estreia Jackie, um “biopic” sobre Jackie Kennedy protagonizado por Natalie Portman. Larrain tem ganho cada vez mais aclamação crítica nos últimos anos e este é o seu primeiro grande projeto numa língua que não o espanhol, pelo que vai ser interessante ver se o realizador consegue mostrar a sua genialidade novamente ou se vamos perder algo na transição linguística.

 

Jackie festival de veneza
Jackie

 

Larrain já esteve no circuito dos festivais este ano com Neruda a estrear na Quinzena dos Realizadores em Cannes, mas não é o único realizador que anda a saltitar de festival em festival de 2016. Também Lav Diaz está na competição com The Woman Who Left, depois da sua participação em Berlim, de onde o cineasta filipino saiu premiado mas com muitos críticos a eviscerarem a sua obra com mais de cinco horas.

Como seria de esperar para um festival deste calibre, existem vários títulos que merecem atenção, pelo que deixamos aqui a lista completa da seleção do Festival de Veneza. Prestem atenção a estes filmes, pois alguns deles ainda são capazes de aparecer nos nossos cinemas e festivais nacionais até ao final do ano.


 

SELEÇÃO OFICIAL DO FESTIVAL DE VENEZA

 

EM COMPETIÇÃO

“The Bad Batch,” Ana Lily Amirpour (EUA)

“Une Vie,” Stephan Brizé (França, Bélgica)

“La La Land,” Damien Chazelle (EUA)

“The Light Between Oceans,” Derek Cianfrance (EUA, Austrália, Nova Zelândia)

“El ciudadano ilustre,” Mariano Cohn, Gaston Duprat (Argentina, Espanha)

“Spira Mirabilis,” Massimo D’Anolfi, Martina Parenti (Itália, Suíça)

“The Woman Who Left,” Lav Diaz (Filipinas)

“La region salvaje,” Amat Escalante (México)

“Nocturnal Animals,” Tom Ford (EUA)

“Piuma,” Roan Johnson (Itália)

“Paradise,” Andrei Konchalovsky (Rússia, Alemanha)

“Brimstone,” Martin Koolhoven (Holanda, Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido, Suécia)

“On the Milky Road,” Emir Kusturica (Sérvia, EUA, Reino Unido)

“Jackie,” Pablo Larrain (EUA, Chile)

“Voyage of Time,” Terrence Malick (EUA, Alemanha)

“El Cristo ciego,” Christopher Murray (Chile, França)

“Frantz,” Francois Ozon (França)

“Questi Giorni,” Giuseppe Piccioni (Itália)

“Arrival,” Denis Villenueve (EUA)

“The Beautiful Days of Aranjuez,” Wim Wenders (França, Alemanha, Portugal)

 

FORA DE COMPETIÇÃO – EVENTO ESPECIAL

“The Young Pope” (episódios 1 e 2), Paolo Sorrentino (Itália, França, Espanha, EUA)

 

FORA DE COMPETIÇÃO – FICÇÃO

“The Bleeder,” Philippe Falardeau (EUA, Canadá)

“The Magnificent Seven,” Antoine Fuqua (EUA)

“Hacksaw Ridge,” Mel Gibson  (EUA

“The Journey,” Nick Hamm (Reino Unido)

“A jamais,” Benoit Jacquot (França, Portugal)

Lê Também:
Mistérios de Lisboa, a nova série HBO Portugal

“Gantz:O,” Yasushi Kawamura (Japão)

“The Age of Shadows,” Kim Jee woon (Coreia do Sul)

“Monte,” Amir Naderi (Itália, EUA, França)

“Tommaso,” Kim Rossi Stewart (Itália)

 

FORA DE COMPETIÇÃO – DOCUMENTAL

“Our War,” Bruno Chiaravallotti, Claudio Jampaglia, Benedetta Argentieri (Itália, EUA)

“I Called Him Morgan,” Kasper Collin (Suécia, EUA)

“One More Time with Feeling,” Andrew Dominik  (Reino Unido)

“Austerlitz,” Sergei Loznitsa (Alemanha)

“Assalto al cielo,” Francesco Munzi (Itália)

“Safari,” Ulrich Seidl (Áustria, Dinamarca)

“American Anarchist,” Charlie Siskel  (EUA)

 

HORIZONTES – EM COMPETIÇÃO

“Tarde para la ira,” Raul Arevalo (Espanha)

“King of the Belgians,” Peter Brosens, Jessica Woolworth (Bélgica, Alemanha, Bulgária)

“Through the Wall,” Rama Burshtein (Israel)

“Liberami,” Federica Di Giacomo (Itália, França)

“Big Big World,” Reha Erdem (Turquia)

“Gukuroku,” Ishikawa Kei (Japão)

“Maudit Poutine,” Karl Lemieux, (Canadá)

“São Jorge,” Marco Martins (Portugal, França)

“Dawson City: Frozen Time,” Bill Morrison (EUA, França)

“Reparer les vivants,” Katell Quillevere (França, Bélgica)

“White Sun,” Deepak Rauniyar (Nepal, EUA, Qatar, Holanda)

“Malaria,” Parviz Shahbazi (Irão)

“Kekszakallu,” Gaston Solnicky (Argentina)

“Home,” Fien Troch (Bélgica)

“Die Einsiedler,” Fien Troch (Alemanha, Áustria)

“Il più grande sogno,” (Itália)

“Boys in the Trees,” Nicholas Verso (Austrália)

“Bitter Money,” Wang Bing (China)

 

HORIZONTES – FORA DE COMPETIÇÃO

“Dark Night,” Tim Sutton (EUA)

“Planetarium,” Rebecca Zlotowski (França. Bélgica)

 

CINEMA NO JARDIM

“Inseparables,” Marcos Carnevale (Argentina)

“Franca: Chaos and Creation,” Francesco Carrozzini (Itália, EUA

“In Dubious Battle,” James Franco (EUA)

“The Net,” Kim Ki-duk (Coreia do Sul)

“Summertime,” Gabriele Muccino (Itália)

“The Secret Life of Pets,” Chris Renaud, Yarrow Cheney (EUA)

“Robinu,” Michele Santoro (Itália)

“My Art,” Laurie Simmons (EUA)

 

VENICE DAYS – EM COMPETIÇÃO

“The War Show,” Andreas Dalsgaard, Obaidah Zytoon (Dinamarca, Finlândia)

“Heartstone,” Guomundur Arnar Guomundsson (Islândia, Dinamarca)

“Hounds of Love,” Ben Young (Austrália)

“Indivisible,” Edoardo De Angelis (Itália)

“Quit Staring at My Plate,” Hana Jusic (Croácia, Dinamarca)

“Pamilya Ordinaryo,” Eduardo Roy, Jr. (Filipinas)

“Guilty Men,” Ivan D. Gaona (Colômbia)

“Polina,” Valerie Muller, Angelin Preljocaj (França)

“Worldly Girl,” Marco Danieli (Itália)

“Sami Blood,” Amanda Kernell (Suécia, Dinamarca, Noruega)

“The Road to Mandalay,” Midi Z (Myanmar, Taiwan, China, França, Alemanha)

 

VENICE DAYS – PROJETO WOMEN’S TALES (curtas-metragens)

“Seed,” Naomi Kawase (Itália, Japão)

“That One Day,” Crystal Moselle (Itália, EUA)

 

VENICE DAYS – VISIONAMENTOS ESPECIAIS

“Always Shine,” Sophia Takal (EUA)

“Coffee,” Cristiano Bortone (Itália, Bélgica, China)

“Il Profumo Del Tempo Delle Favole,” Mauro Caputo (Itália)

“Rocco,” Thierry Demaiziere, Alban Teurlai (França)

“Vangelo,” Pippo Delbono (Itália, Bélgica)

“You Never Had It – An Evening with Bukowski,” Matteo Borgardt (EUA, México, Itália)

 


Não percas a nossa cobertura do circuito dos festivais de cinema, tanto a um nível nacional como internacional.


 

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *