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Golden Globes 2026 | Brasil Brilha, Hollywood no Automático

A noite dos Golden Globes 2026, em que “O Agente Secreto” e Wagner Moura sacudiram uma gala previsível, dominada pelas plataformas, palpites certeiros e discursos polidos.

Os Golden Globes 2026 foram previsíveis mas o cinema brasileiro fez história. O cinema brasileiro a conquistou o palco global com “O Agente Secreto” e Wagner Moura. Numa gala tão previsível na distribuição de prémios que quase deu vontade de pedir aos apresentadores para acelerarem um pouco as partes intermédias e aos realizadores para tirarem os intervalos de publicidade e servirem o jantar mais cedo.

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Golden Globes 2026: hamnet critica tiff jessie buckley
“Hamnet” | © Focus Features

A noite dos Golden Globes 2026 abriu com brilho: vestidos impecáveis, fatos alinhados, sorrisos treinados, champagne a circular e a habitual coreografia televisiva. Mas bastaram quinze minutos para perceber que os Globos já não vivem daquela velha imprevisibilidade selvagem em que tudo podia acontecer. Hoje são um ritual de confirmação cinematográfica onde três forças dominam: as plataformas de streaming, os candidatos que já vêm com carimbo dos festivais ou de outros prémios da crítica e as campanhas de marketing afinadas com semanas de antecedência. E no meio desse xadrez calculado apareceu o cinema brasileiro, e o filme de Kleber Mendonça Filho que fez um trabalho incansável de promoção por esses festivais fora e em Hollywood. “O Agente Secreto” tivesse ficado só pelo prémio de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, já teria sido bonito. Mas não ficou. Foi mais fundo. Fez história, confirmando Wagner Moura (Melhor Actor Drama) como um dos maiores intérpretes mundiais da sua geração. Enquanto isso, no resto das categorias, o piloto automático foi tão eficiente que já podia ter sido quase programado como nos últimos anos de prémios, onde chovem galas de galardões antes de se chegar aos Golden Globes e aos Oscars.

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VÊ TRAILER DE “PECADORES”

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“Hamnet” de Chloé Zhao confirmou nos Golden Globes 2026 o seu favoritismo trágico-literário e levou Melhor Filme Drama, com Jessie Buckley a somar Melhor Actriz Drama mais um capítulo ao seu currículo de personagens atormentadas, sensíveis e moralmente devastadas. Do lado da comédia, Paul Thomas Anderson chegou com ar de quem já tinha verificado o frigorífico antes de sair de casa. “Batalha Atrás de Batalha” levou o combo completo — Realização, Argumento e Filme — e ainda deu um Globo a Teyana Taylor, que conseguiu o raríssimo feito de ser realmente inesperada naquela noite. Foi provavelmente o único momento sincero de sobressalto. Foi é logo no início, e numa categoria que toda a gente achava fechada para Emile Blunt ou para a norueguesa Inga Ibsdotter Lilleaas. Durou pouco. O resto voltou a correr suavemente.

VÊ TRAILER DE “THE PITT”

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Nas categorias televisivas dos Golden Globes 2026, o mapa foi quase geopolítico: Netflix a dominar com “Adolescência” — 4 Golden Globes — HBO Max a levar “The Pitt” e Apple TV+ a segurar “The Studio”. A guerra dos streamings continua a ser o verdadeiro campeonato internacional, com a diferença de que não há árbitros nem VAR. Há apenas orçamentos, algoritmos e assinantes. Stephen Graham voltou a provar que é impossível ser mau actor, Erin Doherty ganhou força mediática para a próxima temporada de castings e Ricky Gervais ganhou o tema dos Stand Up, lembrando que ainda não existe ninguém capaz de insultar celebridades com a mesma precisão cirúrgica.

VÊ TRAILER DE “THE STUDIO”

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No meio da previsibilidade global, o filme “Pecadores” cumpriu o seu destino americano: levou o prémio Cinematic and Box Office Achievement, uma forma elegante de dizer que fez milhões, trending topics e discussões no TikTok. Hollywood sempre apreciou blockbusters que fingem ser cultos, mas não demasiado, e “Pecadores” acertou bem na dosagem. É assim que se sobrevive.

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VÊ TRAILER DE “O AGENTE SECRETO”

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O saldo geral dos Golden Globes 2026 foi simples: “Hamnet” legitimou a sofisticação, “Batalha Atrás de Batalha” legitimou o artesanato industrial, “Adolescência” legitimou as plataformas e “O Agente Secreto” legitimou o cinema brasileiro num grande regresso à cena internacional. Com sublinhado. Com neon. Com história.

Todos os premiados em: https://goldenglobes.com/

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