Good Behavior, a primeira temporada em análise

Good Behavior é o novo drama de entretenimento que te vai deixar viciado à espera de mais aventuras de uma Lady Mary mais rebelde.

Baseada na série literária de Blake Crouch, responsável também por “Wayward Pines”, Good Behavior é mais o recente drama da TNT. Na produção, Michelle Dockery é Letty Dobesh, antiga presidiária condenada por roubo e posse de droga. O seu objetivo é recuperar o seu filho que está a ser criado pela sua mãe, Estelle (Lusia Strus); bem como apresentar-se nas reuniões obrigatórias com o seu oficial de liberdade condicional Christian (Terry Kinney).

Contudo, a sua tentativa de se tornar numa melhor pessoa vai por água abaixo, quando Letty assalta um quarto de hotel e ouve um homem a encomendar o assassinato da mulher. Movida por um altruísmo espontâneo, Letty tenta boicotar o crime e envolve-se com o hitman Javier (Juan Diego Botto-Rota).

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A premissa é interessante e o primeiro episódio conquista pelo ritmo e pelos diálogos. Contudo, ao longo da primeira temporada, o enredo torna-se irregular, o que compromete a credibilidade da trama. Por exemplo, os dois primeiros episódios mantêm um ótimo ritmo, com várias histórias a decorrer em simultâneo e com muitos sentimentos à mistura, mas o terceiro capítulo é uma quebra. O espetador fica confinado ao interior de um Tesla, cujo principal drama é saber se o carro terá energia suficiente para chegar ao destino.

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Também é no terceiro episódio que surge uma questão estrutural da série: por que razão Javier obriga Letty a ficar do seu lado? É óbvio que o hitman não ia deixar a protagonista em paz depois de ela lhe ter roubado 50 mil dólares, mas envolvê-la no planeamento de um homicídio contra a sua vontade é uma má decisão. Mesmo depois de Letty ter dificultado a vida a Javier, obrigando-o a não um, mas a dois assassinatos, ele continua a querer a sua ajuda.

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Este é um dos pontos em que o enredo falha. Percebemos que a história apenas funciona graças à química entre as duas personagens, porém é difícil entender a razão de elas quererem ficar juntas. O argumento peca em explicar como a atração sexual se torna em companheirismo, quando a relação entre eles é repleta de traições, roubos e mentiras.

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Não existe surpresas nem reviravoltas chocantes na história – exceto o aparecimento do pai de Jacob. Contudo, o enredo é estranhamente viciante. É difícil desligar de vez de um episódio sem querer saber qual a próxima má decisão que Letty irá tomar.

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Todavia, o elemento mágico que faz com que a série funcione é Michelle Dockery. Num desempenho magnético, a atriz descola-se da correta Lady Mary de Downton Abbey.

A atriz consegue interpretar uma mulher, simultaneamente, sensual e forte, bem como vulnerável, muitas vezes guiada pelas emoções. A incoerência da personalidade fica claro nas sequências em que ouve mensagens de autoajuda, para, logo de seguida, efetuar um roubo muito bem executado, onde percebemos o talento de Letty.

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É de realçar o trabalho de Dockery em fazer o improvável. Consegue transformar Letty numa personagem, que, apesar dos seus defeitos e adições, seja relacionável. Preocupamo-nos realmente com o seu sucesso e irritamo-nos com as suas ações.

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Contudo não é só o desempenho de Michelle Dockery que sustenta a série. A química com o colega Juan Diego Botto é palpável e fulcral para o sucesso da produção. Os atores conseguem vender a relação conflituosa de tensão sexual entre os dois. Como Javier, Botto é o cruzamento perfeito de encantador e terrível, porém a sua frieza é tão justificada que acabamos por sentir empatia com a personagem.

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Também a ligação com o oficial de condicional é interessante. Tal como Letty, Christian também tem um passado com a adição e uma necessidade pela adrenalina. Os diálogos entre ambos são carregados de metáforas e hilariantes: “Christian, she thumb f*cked your mouth”.

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Tal como Letty, Good Behavior está longe de ser perfeito. Não é um Game of Thrones, nem House of Cards. O espetador tem de começar a assistir com expectativas mais baixas. Porém tem um nível de entretenimento puro e um composto aditivo chamado Michelle Dockery que brilha na sua versatilidade.


Título Original: Good Behavior
Criador: Chad Hodge, Blake Crouch
Elenco: Michelle Dockery, Juan Diego Botto, Lusia Strus, Terry Kinney 
TNT | Drama | 2016 | 60 min

Good Behavior

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Catarina Fernandes

 

Catarina Fernandes

Mestre em Ciências da Comunicação e fotógrafa amadora. Seriófila compulsiva e apaixonada por literatura, assim como pelo cinema e pela sua história. (Extremamente) Viciada em música e concertos.

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