Interpol lança o single “The Rover” (e não só)

Interpol está de volta! Séculos (assim pareceu) à espera e eis que “The Rover”, o primeiro single de Marauder está aqui, acompanhado de pormenores sobre o novo álbum.

Uma campanha composta por uma série de teasers estilizados (coisa que lhes é de feição, afinal são os Interpol), desde fotografias enigmáticas a murais velados e desvelados, precedeu o lançamento de “The Rover”. A estreia do single e a revelação dos detalhes tanto sobre o novo álbum como a realização de uma digressão mundial deram-se numa conferência de imprensa feita na Cidade do México, cujo vídeo pode ser visto mais abaixo. Talvez por gratidão, que o público deste país sempre os acolheu entusiasticamente, talvez por história pessoal, com o vocalista, Paul Banks, a ter vivido lá grande parte da sua adolescência.

Mural desvelado no evento de lançamento de Marauder.

O sexto álbum da banda, Marauder, será lançado pela Matador,  a 24 de Agosto. Foi composto no espaço de ensaio dos Yeah Yeah Yeahs, em Manhattan, e gravado nos estúdios Tarbox, com Dave Fridmann, conhecido por trabalhar com os Mercury Rev, Flaming Lips, MGMT, Spoon, Mogwai, entre outros. Talvez não seja acidental a ideia-chave da promoção estar a ser, até agora, o México (o vídeo para “The Rover” será filmado lá). Talvez Paul Banks esteja com saudades de casa, ou talvez tenha de fazer contas com o passado. Certo é que, comentando as letras que escreveu para o disco, o vocalista confessa:

Marauder é uma faceta minha. É o tipo que dá cabo das amizades e faz loucuras. Ensinou-me muito, mas representa uma pessoa que é melhor que fique em canção. De certa maneira, este álbum é como dar-lhe um nome e pô-lo de vez a dormir. (NME)

O título do single é seguramente sugestivo dos traços desta personagem. “The Rover” revela o mesmo método de composição que a banda tem vindo a seguir (particularmente) desde os dois últimos discos, pelo qual uma tensão interna é subtilmente construída. Sob a aparência de uma melodia quase pop e da distorção a lembrar o shoegaze da década de 90, a repetição insistente do complicado motivo da guitarra principal (com contratempos inesperados) e a irregularidade das secções, entre outros pormenores, geram de forma subterrânea uma tensão cumulativa que nunca chega a conhecer qualquer alívio, nem sequer na leve modulação melódica final. Uma tensão composicional que passaria despercebida, não fora a sorrateira revulsão física que se vai instalando até nos descobrirmos angustiados sem saber bem porquê.

INTERPOL, MARAUDER | “THE ROVER”

Torna-se cada vez mais evidente que os Interpol nunca foram uma banda de revivalismo pós-punk (se é que isso alguma vez existiu) mas um dos cruzamentos mais felizes e inimitáveis que alguma vez se deu entre shoegaze e pós-rock. Sempre o foram, mas só agora (talvez para mal de muitos) é que se começa finalmente a perceber.

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ALINHAMENTO DE MARAUDER (24 AGOSTO)

  1. If You Really Love Nothing
  2. The Rover
  3. Complications
  4. Flight of Fancy
  5. Stay in Touch
  6. Interlude 1
  7. Mountain Child
  8. NYSMAW
  9. Surveillance
  10. Number 10
  11. Party’s Over
  12. Interlude 2
  13. It Probably Matters

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA | “THE ROVER”

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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