Jane Austen no pequeno e grande ecrã

As obras de Jane Austen têm sido numerosas vezes adaptadas para o cinema, com versões tão fidedignas como as séries da BBC ou tão transformativas como o recente Orgulho e Preconceito e Guerra.

 

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Desde a década de 20 do século passado, que adaptações cinematográficas de obras literárias se tem vindo a tornar algo completamente comum no panorama do cinema. Algumas obras, muitas delas prestigiosas narrativas oitocentistas, têm vindo a ser adaptadas dezenas de vezes ao longo da história do meio, com o cinema nacional inglês a ser particularmente adepto desta tendência com autores como Charles Dickens, cujas obras já foram adaptadas para mais de 300 títulos de cinema e televisão.

Um dos autores de língua inglesa mais populares para o cinema tem sido também Jane Austen, cuja curta carreira como escritora resultou em seis dos mais adorados romances na história da literatura inglesa. Mesmo algumas das suas obras inacabadas e contos, têm tido o direito a adaptações ao pequeno e grande ecrã, como é o caso de Love & Friendship, uma adaptação da história “Lady Susan” que foi realizada por Whit Stillman.

Sundance Film Festival Love & Friendship Jane Austen
Love & Friendship

 

Orgulho e Preconceito, Sensibilidade e Bom Senso e Emma têm sido particularmente populares, sendo que os seus enredos até têm servido de base para muitos filmes que nada têm a ver com as sátiras sociais edificadas por Jane Austen, poder-se-ia mesmo dizer que partes das histórias de Austen se têm tornado em mecanismos narrativos essenciais para o atual cinema romântico. É difícil, por exemplo, contar a monumental quantidade de comédias românticas que devem grande parte da sua estrutura a Orgulho e Preconceito. Será que foi Jane Austen a inventar as fórmulas que criaram a atual comédia romântica, um dos mais desprezados géneros do cinema contemporâneo? Provavelmente sim.

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Isto não é um ataque à qualidade da sua escrita mas sim um testamento à gigantesca popularidade e eficácia dos textos desta formidável autora, cujas ideias, apesar de fortemente presas a uma visão irónica sobra a sua sociedade oitocentista, conseguem ainda ser relevantes nos nossos dias.

Jane Austen
Jane Austen

 

Com a transformação da sua obra numa comodidade do mundo do cinema e da televisão, começamos a observar como, na boa tradição do pós-modernismo, muitas adaptações do seu trabalho têm vindo a ganhar um caráter cada vez mais subversivo, transformando as palavras da autora e concebendo obras que tornam Emma numa adolescente de Beverly Hills, Lizzie Bennet numa vlogger ou que posicionam toda a narrativa de Orgulho e Preconceito num universo alternativo em que a Inglaterra do início do século XIX está sob uma tenebrosa ameaça zombie.

Segue para as próximas páginas, onde poderás explorar o modo como o cinema e a televisão têm vindo a filmar o trabalho desta autora, com algum destaque dado às suas mais importantes adaptações.

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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