Poucos atores chegaram onde Jason Robards chegou. Ou seja, dois Óscares de Melhor Ator Secundário em anos consecutivos. Algo ao alcance de poucos atores na história da sétima arte.
Nascido a 26 de julho de 1922, em Chicago, o ator teria hoje 104 anos. Fez mais de 50 filmes ao longo da carreira e viu o filho, Sam Robards, seguir-lhe o caminho na representação.
Quais foram os grands prémios que recebeu?

Os dois prémios chegaram pela mesma via, a de interpretar pessoas reais. O primeiro foi por Ben Bradlee, o diretor do Washington Post, em “All the President’s Men” (1976).
Já o segundo, no ano seguinte, pelo escritor Dashiell Hammett em “Julia” (1977). No entanto, ainda foi nomeado uma terceira vez, pelo papel de Howard Hughes em “Melvin and Howard” (1980). Contudo, perdeu para Timothy Hutton em “Gente como a Gente”.
Qual era a sua grande paixão?
O ator nunca escondeu que preferia o palco ao cinema. Estreou-se na Broadway em 1956, como Jamie Tyrone, em “Long Day’s Journey into Night”, de Eugene O’Neill, e ficou para sempre associado ao dramaturgo, tornando-se um dos seus intérpretes de referência.
Assim sendo ganhou um Tony por “The Disenchanted” e, mais tarde, um Emmy por “Inherit the Wind” (1988), o que o coloca entre os poucos artistas com a chamada Triple Crown da representação. Ficou a faltar um Grammy para fazer o famoso EGOT.
Quais foram os filmes mais conhecidos?
No cinema, estreou-se com “The Journey” (1959) e acumulou papéis marcantes. Assim sendo vimos o ator em “Once Upon a Time in the West”, “A Thousand Clowns”, “Philadelphia” e, já perto do fim da vida, “Magnolia” (1999), onde fez de um homem em fase terminal.
Antes de tudo isto, serviu na Marinha norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial como radiotelegrafista e esteve em Pearl Harbor.
O talento vinha de família. Era filho do ator Jason Robards Sr., e o seu filho Sam, fruto do casamento com Lauren Bacall, também se tornou ator, tal como o irmão, Jason Robards III. Jason Robards morreu a 26 de dezembro de 2000, aos 78 anos, vítima de cancro do pulmão.
Há mais carreiras lendárias?
A passagem de talento de pais para filhos é um tema que se repete noutras histórias de Hollywood. Robert Alda foi pai de Alan Alda, e Henry Fonda, que contracenou com Robards em “Once Upon a Time in the West”, abriu caminho a uma dinastia de atores.
Christopher Lee e Christopher Plummer, por sua vez, construíram carreiras que continuam a ser revisitadas muito depois de terem saído de cena.



