Poucos atores conseguiram odiar tanto o papel que os tornou famosos como Christopher Plummer. Ainda assim, ao longo de mais de 70 anos de carreira, o canadiano construiu uma das filmografias mais respeitadas de Hollywood, entre Shakespeare, Óscares e um Klingon de Star Trek.
E, já perto do fim da vida, ainda arranjou tempo para emprestar a voz a uma personagem do que muitos consideram o melhor RPG de sempre. Assim sendo, Christopher Plummer viveu 91 anos cheios de sucessos que marcaram gerações.
Será que conheces bem Christopher Plummer?

Nascido em Toronto em 1929, Christopher Plummer era bisneto de Sir John Abbott, antigo primeiro-ministro do Canadá. Formou-se como ator de teatro, com uma carreira shakespeariana intensa.
Assim sendo interpretou praticamente todos os grandes papéis do bardo, de Hamlet a Rei Lear, antes de se tornar uma cara conhecida do cinema.
No entanto a fama mundial chegou em 1965, quando deu vida ao Capitão von Trapp em “A Música e o Silêncio” (The Sound of Music), ao lado de Julie Andrews.
O filme viria a ganhar o Óscar de Melhor Filme, mas Plummer nunca escondeu o desprezo pelo papel. Assim sendo, chamava-lhe “The Sound of Mucus” e admitiu, décadas depois, estar “farto de ouvir a própria voz” a falar sobre ele.
O recorde que só bateu depois dos 80

Ao contrário de muitos colegas de geração, Christopher Plummer teve de esperar até tarde pelo reconhecimento da Academia. Só em 2012, aos 82 anos, venceu o seu primeiro Óscar, por “Beginners”, tornando-se o ator mais velho de sempre a ganhar a estatueta numa categoria competitiva.
Cinco anos depois, voltaria a bater um recorde. Assim sendo, aos 88 anos, tornou-se o nomeado mais velho de sempre para um Óscar de representação, por “All the Money in the World“.
Com mais de 200 créditos entre cinema e televisão, Christopher Plummer passou por praticamente todos os géneros. Foi o General Chang, um Klingon, em “Star Trek VI”; deu voz ao vilão de “Up” da Pixar; e, já em 2019, foi o patriarca assassinado de “Knives Out“.
A última surpresa (não adivinhas)

Foi precisamente essa versatilidade que, em 2011, levou a Bethesda a escolhê-lo para “The Elder Scrolls V: Skyrim“, o RPG que viria a tornar-se um dos maiores fenómenos de sempre dos videojogos.
O ator emprestou a voz a Arngeir, o Ancião dos Greybeards, os monges filósofos que vivem isolados no topo da montanha mais alta de Skyrim e dominam a arte da Voz.
Christopher Plummer morreu a 5 de fevereiro de 2021, aos 91 anos, na sua casa em Connecticut. No entanto, fica a ironia de uma carreira lendária.
O papel que o tornou mundialmente famoso foi também aquele de que menos gostou e uma das suas últimas marcas na cultura popular foi, afinal, dada a jogadores de um RPG, décadas depois de ter recusado ser apenas “o do Sound of Music”.

