Jessica Jones | Em análise

 

Jessica Jones, a ex-super heroína perseguida por um passado que a atormenta, descobre que esse capítulo não está, afinal, encerrado e alguma coisa tem de ser feita.

Jessica Jones começa, cronologicamente, depois de Daredevil, são nos dados vários sinais nesse sentido, sinais esses que vão mais longe e enquadram a série na linha temporal do cinema sugerindo várias vezes a existência dos Vingadores e do acontecimento trágico de Sokovia, fazendo nos sonhar num cruzamento dos dois mais à frente.

A série começa bem, com um primeiro episódio onde são apresentadas quase todas as personagens, dando um natural ênfase a Jessica. Esta é uma personagem perseguida pelo seu passado, não vive em paz, é miserável e faz do álcool e auto-piedade o seu combustível. Por outro lado tinha poderes especiais, tem uma força fora do vulgar, dá saltos que se assemelham com um voo em consequência da dimensão que ganham, e era aqui que residia o primeiro teste da série. Seria Krysten Ritter capaz de transmitir para o público estas duas vertentes? A resposta é “medianamente”. Cumpre perfeitamente a parte depressiva compulsiva de Jessica, vertente que já tinha sido explorada, e bem, em Breaking Bad, e deixa a desejar, em alguns momentos, na segunda categoria.

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Jessica Jones

A banda sonora da série é muito bem conseguida, acompanha sempre o estado emocional da personagem principal e consegue transmitir a sua ansiedade perante o espectador, e de forma muito sensorial.

Por outro lado, ao longo da série notam-se alguns erros de racord, chamadas em que o telefone não está atendido, portas ora filmadas de uma perspectiva do lado esquerdo, ora do lado direito, entre outras  pequenas coisas desnecessárias que empobrecem um pouco a série.

Sentem-se claramente dois arcos na história. A série divide-se em duas partes. Uma primeira mais tensa em que Jessica é perseguida e se exploram todos os seus medos, e uma segunda em que a presa passa a caçadora e a série perde força. Por esta altura as histórias secundárias paralelas perdem também fulgor e interesse.

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O grande ponto forte da série é sem dúvida o vilão! Kilgrave, Purple Man, David Tennant, o que se lhe queira chamar, entra sem sombra de dúvidas para o top de melhores vilões da Marvel, a competir com outros grandes nomes, até do grande ecrã, como Loki, Kingpin ou mesmo Dr. Octopus. O jogo de percepção da realidade criado por esta personagem é fantástico. Alguém que controlasse mentes … é algo que faz o espectador confrontar-se com o pior da natureza humana e tal é feito de forma sublime.

Jessica Jones

Mais ao pormenor, uma menção honrosa para Carrie‑Anne Moss. Foi interessante vê-la fora do papel de Trinity na trilogia de Matrix e uma menção desonrosa para Will Traval que interpreta o sargento Simpson. Nunca teve a força e o valor necessários que a sua personagem lhe exigiam. Já Luke Cage foi muito bem introduzido e contextualizado na série. É importante lembrar que Luke terá também uma série sua em 2016, e também por isso esta participação era um factor importante. Outro personagem interessante, pelo seu arco progressivo e a sua evolução na história e até a nível pessoal, foi Malcolm, o vizinho de Jessica.

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Em suma, Jessica Jones é uma série no mesmo sentido de Daredevil, para adultos, com um tom mais maduro e dark que muitas adaptações de banda desenhada, bem escrita, com muito bons momentos, e que terá seguramente um bom desfecho em Defenders.

 

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