Gage Skidmore / Wikimedia Commons | Kathy Hutchins / Shutterstock.com

Just Beyond | Entrevista a R. L. Stine e Seth Grahame-Smith

A convite da Disney, a Magazine.HD teve o privilégio de conhecer o autor R. L. Stine, mais conhecido pelas histórias dos “Arrepios”, em conjunto com Seth Grahame-Smith a propósito da estreia da sua nova série “Just Beyond”.

Já disponível na Disney+ Portugal, “Just Beyond”, ou em português “A Escola do Além”, é inspirada nas mais recentes histórias de R.L. Stine. O autor best-seller de 78 anos, que já nos causa arrepios há mais de 20 anos, parece estar mais popular do que nunca muito graças às plataformas de streaming. A grande maioria conhece-o enquanto o autor de “Arrepios”, que supostamente irá ter uma nova série televisiva, mas que R.L. Stine admitiu não saber se serão apenas rumores. E, mais recentemente, “Rua do Medo” (“Fear Street”), cuja adaptação se encontra disponível na Netflix.

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Agora chegou a vez de Stine colaborar com o Rato Mickey num formato familiar, inspirado em “Amazing Stories” e “The Twilight Zone”. “Just Beyond” é uma série antológica, composta por oito episódios, que vão para além da realidade que conhecemos. Cada episódio apresenta um novo conjunto de personagens que devem percorrer um caminho de autodescoberta num mundo sobrenatural, habitado por bruxas, aliens, fantasmas e universos paralelos. A Magazine.HD esteve à conversa com divertido autor best-seller e Seth Grahame-Smith, criador e produtor da série, sobre este novo projeto.

O que faz para se manter em contacto com a sua criança interior para que possa escrever estas histórias?

R.L. Stine: Simplesmente nunca amadureci. Esta sempre foi a minha audiência: 7 aos 12 anos, sempre a achei perfeita para mim. Mas agora um pouco mais a sério, passo muito tempo a acompanhar os miúdos, é uma grande parte do trabalho, saber o que vestem, o que dizem, que jogos estão a jogar, que música ouvem. Esta é realmente uma parte muito importante, porque eu já sou um tipo velho e não quero estar fora de tom.

Como se sente ao ver as suas histórias serem adaptadas a outros formatos (séries, filmes…)?

R.L. Stine: É sempre muito entusiasmante! Estou sempre a escrever os livros e alguém tem de fazer o guião para as séries de televisão ou outros formatos. E, para mim, é empolgante ver o que outros escritores irão fazer tendo por base a minha história. Sempre gostei de ver esse processo. Lógico que gosto mais quando as pessoas vêm ter comigo e me dizem que o livro é melhor [risos].

Já vimos o filme de “Arrepios” e agora a série de “Rua do Medo”, alguma vez pensou em criar um universo ao estilo da Marvel?

R.L. Stine: Não, odeio isso. Odeio continuidade. Recebi uns livros de banda-desenhada da Marvel há uns anos atrás e pediram-me para escolher uma personagem e eu escolhi o Swamp Thing porque ele está frequentemente num pântano sozinho, e não tinha qualquer relação com o universo da Marvel. Não sei lidar com isso, é demasiado para mim. E, acho que essa é uma das razões pelas quais o que eu faço começa sempre do início. Todos os livros, todos os episódios nesta série antológica [“Just Beyond”] são diferentes, porque eu não gosto de ligar histórias e também não acredito que fosse bom a fazê-lo.

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Lexi Underwood é a protagonista do 6º episódio, “We’ve Got Spirits, Yes We Do”, o preferido de R.L. Stine | © Disney / Fernando Decillis

Os livros de “Just Beyond” são bastante recentes (2019, 2020), como é que este projeto evoluiu num tão curto espaço de tempo?

R.L. Stine: Bom, eu estava na Comic Con de San Diego, e conheci um dos editores da BOOM Studios, que me perguntou se não queríamos fazer algo em conjunto. Eu nunca fiz uma novela gráfica, por isso era um mundo novo para mim. E foi assim que “Just Beyond” começou.

Seth Grahame-Smith: Creio que foi essa mesma pessoa que me apresentou os primeiros dois volumes de “Just Beyond”, e a ideia de fazer uma série antológica foi sempre algo muito apelativo para mim. Contar uma história diferente todas as semanas, com um elenco diferente. Eu também não gosto de continuidade, por isso a ideia de fazer algo diferente todas as semanas foi um desafio engraçado.

É evidente que “Just Beyond” tem um selo pessoal no que toca ao fantástico e a histórias de terror, quais são as vossas inspirações?

R.L. Stine: Para mim, esta série faz-me lembrar muito “The Twilight Zone”. O Rod Serling [criador da série] é um grande herói meu. Eu já existia quando a série original estreou, assistia a um episódio todas as sextas à noite. Foi uma grande influência para mim. E creio que “Just Beyond” tem muitas das qualidades de “The Twilight Zone”, no sentido em que tem histórias de ficção científica, de terror, de fantasia. Nunca sabemos ao certo o que nos espera.

Seth Grahame-Smith: Bom, “The Twilight Zone” foi uma grande influência para mim. Mas, cresci a ler livros, por isso os meus ídolos eram Ray Bradbury [“Fahrenheit 451”], Stephen King. Já no que toca aos filmes, eu cresci nos anos 80, de modo que por vezes parece que só vi dez filmes, “Star Wars”, “Indiana Jones”, os grandes blockbusters dessa década. Não vou mentir e dizer que via [François] Truffaut com 12 anos, com essa idade estava a ver o “O Exterminador Implacável 2”.

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Ficamos com a ideia que toda a gente com menos de 40 anos leu os seus livros, acredita que o seu cunho nos afetou de alguma forma?

R.L. Stine: Diga-me você! Saiu-se bem? Estou a brincar. Quer uma resposta séria? Para mim, o mais importante são os milhões de miúdos que aprenderam a ler com os meus livros, e os milhões de crianças que desenvolveram o gosto pela leitura através deles. É disso que mais me orgulho.

Voltando à série, qual é o episódio que estão mais ansiosos que as pessoas vejam e porquê?

R.L. Stine: Existe uma história de fantasmas chamada “We’ve Got Spirits, Yes We Do”, que foi filmada em Atlanta, Georgia, num antigo e deslumbrante cinema, o Atlanta Fox Theater, que foi construído creio que na década de 20, altura em que os cinemas pareciam palácios. E para mim foi maravilhoso voltar a rever esse cinema, adoro esse episódio.

Seth Grahame-Smith: Para mim é difícil escolher. Existe um episódio chamado “Parents Are From Mars, Kids Are From Venus”, que tem um easter egg muito entusiasmante. Conseguimos que Henry Thomas de “E.T. – O Extraterrestre” desempenhasse o papel de um alien responsável por teorias da conspiração, e essa era a piada interna que eu queria para o episódio, tudo o resto era secundário. Também gosto bastante dos dois episódios que o Marc Webb realizou, mas de uma forma geral estou bastante entusiasmando com os pequenos ingredientes que cada um tem, por isso não consigo escolher.

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Henry Thomas, o easter egg favorito de Seth Grahame-Smith | © Disney / Fernando Decillis

Nos dias de hoje, o que nos assusta? E o que assusta R.L. Stine?

R.L. Stine: Bom, são tempos muito assustadores, também para as crianças. Por isso, fico contente por continuar a escrever estes livros, acredito que são um bom escape para os miúdos. Em relação ao que me assusta, tenho os mesmos medos que tu.

Qual é o truque para transformar “Just Beyond” nas “Amazing Stories” e “The Twilight Zone” para a nova geração?

Seth Grahame-Smith: Creio que o truque é juntar um bom grupo de pessoas, de bons contadores de histórias, que neste caso eram todos mais novos que eu, de modo que tinham mais fresco o que é ter 13/14 anos. Depois é confiar neles e ouvir o que os assustava nessa idade e construir uma narrativa a partir daí.

Têm mais temporadas planeadas?

R.L. Stine: Bom, nós falamos sobre tudo. Espero que existam mais capítulos de “Just Beyond”. Também existem rumores sobre uma nova adaptação televisiva de “Arrepios”, mas não sei quão sérios são. Quer dizer, existem tantos livros, que seria bom voltar atrás e atualizá-los. Mas eu só me concentro nos livros, não penso em séries ou filmes, isso é algo de Los Angeles, eu estou em Nova Iorque. O que acontecer, acontece, e fico feliz, mas não penso muito nisso.

Seth Grahame-Smith: Não consigo acrescentar nada a essa resposta, por isso concordo.

Como foi a vossa colaboração? Partilharam a mesma visão?

R.L. Stine: O Seth é magnífico, divertimo-nos muito! Estou muito feliz por ele. Adoro a série, por isso ele fez um ótimo trabalho. Eu apenas fico sentado a ler o guião e a fazer os meus comentários, e a desfrutar de tudo.

Seth Grahame-Smith: E eu adoro trabalhar com R.L. porque ele elogia-me sempre! De modo que temos uma relação fantástica no que me toca.

VIDEO | ASSISTE À ENTREVISTA COMPLETA E ENTRA NOUTRA REALIDADE EM JUST BEYOND

Também és fã do autor? Já espreitaste esta série familiar?

Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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