Kingsman: Serviços Secretos, em análise

 

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 FICHA TÉCNICA

  • Título Original: Kingsman: The Secret Service
  • Realizador: Matthew Vaughn
  • Elenco: Colin Firth, Taron Egerton, Samuel L. Jackson, Mark Strong, Michael Caine, Sofia Boutella
  • Género: Aventura, Ação, Comédia
  • BIG Picture Films | 2014 | 129 min

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Há um momento em “Kingsman: Serviços Secretos” onde o personagem interpretado por Samuel L. Jackson diz ao agente secreto encarnado por Colin Firth que aquela era a parte do filme onde o vilão conta ao herói os detalhes do seu plano maquiavélico. Rapidamente corrigiu a afirmação ao revelar que aquele não era um filme desse tipo.

Kingsman: Serviços Secretos” também podia ser um filme sobre o herói improvável que emerge da sarjeta para salvar o mundo de um apocalipse anunciado e que, no final e como recompensa do seu trabalho irrepreensível, consegue enamorar a bela donzela em apuros que nos furou os tímpanos devido ao alto nível de decibéis produzidos pelos seus gritos estridentes. Mas este, curiosamente, também não é um filme desse tipo.

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Neste James Bond meets Kick-Ass, Matthew Vaughn (sim, esse rapaz que ressuscitou os X-Men e nos trouxe o primeiro Kick-Ass) adapta o comic book “The Secret Service” que conta a história dos Kingsman – uma organização super secreta de espiões – que recruta um vulgar, mas promissor, rapaz para um programa de treino ultra competitivo da sua agência, e que ao mesmo tempo que tenta lidar com uma ameaça global que surge de um desvirtuado génio das tecnologias que pretende reduzir a população da Terra para que o planeta sobreviva aos desafios ambientais que o esperam.

Aquilo que parecia começar como um tutorial de como fazer um filme de recrutamento onde jovens competem uns contra os outros até à morte, na linha dos gémeos “The Hunger Games” e “Divergent”, logo se transforma num dos mais hilariantes e loucos filmes de ação dos últimos tempos.

Kingsman Serviços Secretos (4)

É como se o filme de Vaughn fosse uma montanha-russa: quando parece que aquela descida alucinante representa o auge da adrenalina, acabamos logo de seguida por ser confrontados com uma série de loopings invertidos que nos impedem de respirar (veja-se a fabulosa cena da Igreja). Esse controlo milimétrico do ritmo da ação é essencial para que “Kingsman: Serviços Secretos” sobreviva dentro da saturação do seu género, mas não é um tópico completamente indissociável de outros.

Desde logo a consciência de Matthew Vaughn sobre o território em que se move, fazendo menções pertinentes a alguns filmes de espiões através da paródia, contribuindo para que “Kingsman: Serviços Secretos” se torne numa visão menos sisuda desse universo mas, ao mesmo tempo, seja sempre uma obra ciente de que se a sua abordagem light é completamente premeditada.

Outra característica que o afasta dos seus pares é o humor arrojado e perspicaz, alicerçado em diálogos inteligentes e personagens bem construídos (Colin Firth e Samuel L. Jackson roubam o espetáculo), que acaba por evidenciar a mente Vaughn como algo tão louco quanto violento.

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Os adereços e cenários, a estilizada fotografia ou a banda sonora de Henry Jackman são trunfos técnicos também eles imprescindíveis para este show cinético, quase esquizofrénico.

É uma pena é que em determinados momentos – essencialmente quando lhe convém – Vaughn se entregue ao modelo hiper-formatado do blockbuster de ação. Ou seja, parece que por vezes o filme sente mais necessidade em fazer avançar o enredo rapidamente do que explicar os porquês desse avanço. O resultado é uma densidade de lugares-comuns que se depositam mesmo no seio do clímax, e que em nada contribuem para a fluidez da ação.

A verdade é que no fim, depois de somados todos os defeitos, o trabalho de Vaughn não é substancialmente fragilizado. “Kingsman: Serviços Secretos” é uma das boas surpresas do ano e não precisa da habitual sobre-exploração de clichés para poder entreter. Felizmente não é um filme desse tipo.

DR



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