"Lead Me Home" ©Netflix

Lead me Home, em análise

“Lead me Home” é um dos nomeados e favoritos ao Óscar 2022 para Melhor Curta-Metragem Documental. O documentário da Netflix analisa de forma quase poética a crise habitacional e as pessoas reais que ela afeta todos os dias.

“Quando entramos gradualmente numa situação extrema, ela não parece tão extrema.”

Em muitos sítios dos EUA, em 5 anos, a população de sem-abrigos mais do que duplicou. Assiste-se atualmente a uma verdadeira maré de sem-abrigos, com mais de 500.000 pessoas a viverem sem-teto todas as noites nos EUA. Isto vem pôr em causa mais do que o direito básico de habitação pois, ao retirar-se a base que uma casa dá, elimina-se a estabilidade necessária para a resolução de muitos problemas da vida quotidiana.

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Lead Me Home” (“Levem-me Para Casa”, em português) transporta a sua audiência para as difíceis e dolorosas histórias das vidas reais das pessoas marginalizadas por serem sem-abrigo. Sem ser preciso uma narrativa explicativa podemos assistir quase em primeira mão a um risco tão diferenciado e imprevisível, que pode afetar quase qualquer pessoa. Atitudes desinformadas e políticas ultrapassadas colocam cada vez mais um significado no estar desprotegido nos dias de hoje.

Lead Me Home
“Lead Me Home” ©Netflix

A curta-metragem documental americana da Netflix foi produzida pela Actual Films em associação com a Vulcan Productions e estreou na plataforma streaming a 30 de Novembro de 2021. Realizado por Pedro Kos (“The Great Hack”) e Jon Shenk (“Athlete A”, “An Inconvenient Sequel: Truth to Power”) o documentário recebeu no início deste mês a nomeação à 94ª edição dos Óscares da Academia na categoria de Melhor Curta-Metragem Documental. No Rotten Tomatoes o filme possuiu uma classificação imaculada de 100%.

Com três curtas-metragens documentais nomeadas aos Óscares, e sendo “Lead Me Home” e “Audible” duas das favoritas, a Netflix habilita-se este ano a levar o prémio para casa. A exposição essencialmente audiovisual da realidade é um dos destaques do documentário da crise habitacional, que o torna numa obra de arte poética e comovente. Por essa razão há que realçar também o trabalho de Shenk na cinematografia e o papel de Gil Talmi na música.

Levem-me Para Casa
“Lead Me Home” ©Netflix

De que serve à nação mais potente e rica do mundo tantas oportunidades, se não se consegue proteger os mais vulneráveis? O lar de Los Angeles, San Francisco e Seattle, três das cidades mais famosas do mundo – com Hollywood, a Golden Gate Bridge ou o Space Needle  – e onde o documentário é filmado, a chamada terra dos sonhos, cada vez mais se aproxima da terra dos sonhos perdidos.

E infelizmente o caso retratado não é exclusivo das cidades referidas e nem mesmo dos EUA, pois tal fenómeno tem-se espalhado pelo mundo, com foco nas grandes cidades. Em Portugal, o número de pessoas em situação sem-abrigo aumentou 157%, num período de quatro anos – entre 2014 e 2018. Em 2020, a caraterização de sem-abrigos divulgada pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social contava com novo aumento e indicava 8200 pessoas a viver sem-teto, com mais de metade das situações a ocorrer em Lisboa.

“Não há uma única estrada que me leve para casa”

Lead Me Home
“Lead Me Home” ©Netflix

Lead me Home” é um desconfortável documentário do qual não devemos desviar o olhar, pois funciona como uma chamada à ação para combater a desolação e crise humanitária que a crise habitacional está a provocar um pouco por todo o mundo.

TRAILER | 500.000 AMERICANOS VIVEM SEM-TETO TODAS AS NOITES!

Não te esqueças de visitar leadmehomefilm.com para saberes como podes ajudar!

Lead me Home, em análise

Movie title: Lead me Home

Movie description: As histórias emocionantes de oito pessoas que vivem na rua, na costa Oeste dos Estados Unidos, moldam o retrato cinematográfico de uma crise humanitária.

Date published: 30 de November de 2021

Country: EUA

Duration: 39 minutos

Director(s): Pedro Kos , Jon Shenk

Genre: Documentário, Curta

  • Emanuel Candeias - 92
92

CONCLUSÃO

“Lead Me Home” é uma necessária e comovente obra de arte, que surge como um exame vital do ataque aos direitos humanos provocados pela crise habitacional e põe a descoberto o fosso cada vez maior existente entre riqueza e pobreza.

Pros

  • Poderoso documentário visual.
  • A exposição das vidas de pessoas reais confere uma alma ao filme, permitindo uma impactante transmissão da mensagem.

Cons

  • A falta de narrador e de uma explicação mais profunda poderá não funcionar para toda a audiência.
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Emanuel Candeias

Graduado em Hogwarts, foi head-boy de Ravenclaw. Aventurou-se durante uns tempos pela Middle-Earth e por Westeros, tendo feito grandes amizades na House Stark e com os elfos de Lothlórien. De forma a aprofundar os seus conhecimentos contactou grandes mentes como Doctor Banner, Doctor Strange e chegou mesmo a viajar com Doctor Who. Dedicou-se durante uma temporada a fortalecer a sua espiritualidade em Konoha, onde aprendeu com os mestres Goku e Naruto. Neste momento encontra-se perdido no Matrix. O seu sonho é vir a ingressar na Starfleet.

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