Legends of Tomorrow, primeira temporada em análise

“Legends of Tomorrow” chegou finalmente ao fim da sua primeira temporada.

Legends of Tomorrow Piloto

Há uma regra silenciosa no mundo do entretenimento que dita que todos aqueles que trabalharem sobre a temática de viagem no tempo, acabarão sempre por embrulhar-se em problemas de continuidade. Agora pensem na ambição das mentes por detrás de “Legends of Tomorrow”, quando imaginaram e tentaram explicar uma série completa sobre esta temática – certamente correndo o risco de serem ridicularizados e, mais ainda de verem a série ter uma vida bastante curta.

Se quiserem ficar parados a analisar todos os momentos da primeira temporada, ou a tentar compreender porque que eventos acontecem e não podem ser alterados, então vão acabar por descobrir que nem uma aspirina irá curar tamanha dor de cabeça. Em vez disso, “Legends of Tomorrow” é uma série de caracterização, um palco se assim quiserem para que o elenco e as personagens que se inserem possam evoluir numa constante proporcional aos escolhidos de “Arrow” e “The Flash”.

Legends of Tomorrow

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Tomem por exemplo, a fantástica jornada de Leonard Snart (Wentworth Miller) de vilão para um mártir. O maior e principal destaque, possivelmente de toda a série, onde nos foi dado a conhecer o seu passado assim como toda a importância do laço criado com Mick Rory (Dominic Purcell) e mais importante, pudemos viajar pelos seus valores morais e até mesmo simpatizar com uma personagem cuja identidade era de um ladrão sem escrúpulos. O sacrifício da personagem foi o melhor momento de toda a série e será certamente uma grande perda para a nova temporada, tudo graças à excelente interpretação do actor de “Prison Break”.

Mas o sucesso de um, não significa o sucesso de outro e em questão “Legends of Tomorrow” sofre com o seu protagonista – Rip Hunter (Arthur Davill). Um herói frustrado, ambicioso e bastante complexo emocionalmente consegue ser carregado por uma performance nada inspiradora e repetitiva ao ponto de o tornar o mais irritante do elenco. Uma mistura de personagem mimada e condescendente não são propriamente traços que ajudem os espectadores a sentir uma conexão emocional, mesmo pela perda da mulher e do filho.

Legends of Tomorrow

Os restantes membros tornaram sólidas as suas prestações, mas nenhum conseguiu manter o interesse de desenvolvimento como a da dupla referida supra. Sarah Lance (Caity Lotz) prova apenas que devia de ter sido a escolha principal para Black Canary desde o início e as suas cenas de acção são sempre as mais cativantes, que mais não seja porque sem super-poderes vem proximidade. O arco de Hawkman e Hawkgirl (Falk Hentschel e Ciara Renée, respectivamente) foi cliché, e envolver Ray Palmer (Brandon Routh) abusou um pouco no ridículo e acabou por fazer sofrer o antagonista principal Vandal Savage, interpretado com mestria por Casper Crump. Os momentos de comédia ficaram surpreendentemente a cargo da dupla de Firestorm, em caso Jefferson Jackson (Franz Drameh) e Dr. Martin Stein (Victor Garber). A química da dupla é inegável e, apesar da personagem não ter tido realmente mudanças como a dos seus companheiros, tornaram-se necessários para balancear as emoções de um episódio.

É importante referir os cenários e figurinos de uma série, que em nada tinha obrigação em entregar, mas na forma mais CW possível conseguiram um belo trabalho – seja em viagens no passado ou, melhor ainda, viagens pelo futuro. A presença de Oliver Queen (Stephen Amell) do futuro trouxe o interesse para que o arranque da segunda parte da temporada conseguisse cativar espectadores na missão em jogo, mas com tanta complicação e nós de garganta dados pelos escritores, preferimos colocar as mãos à frente dos olhos e assumir que tudo está bem. Na realidade, não está e a confusão do tempo acaba por trazer a série abaixo.

Legends of Tomorrow Vandal Savage

A batalha final trouxe até uma curva interessante à linha do argumento com a equipa a matar o vilão principal não uma, mas três vezes diferentes, em três períodos diferentes. Porquê? Porque sim, basicamente, mas crédito onde é devido e a ideia até tinha potencial. O futuro acaba traçado com a introdução de Hourman aka Rex Tyler (Patrick J. Adams) que não só será o catalisador para o segundo capítulo, como ainda se apresenta como um membro da lendária equipa Sociedade de Justiça da América. Para os fãs casuais, não é nada de importante, mas para todos aqueles que se interessam pelo mundo da banda-desenhada, posso prometer que aquele final deixou fãs estáticos e ansiosos para mais.

No geral, a primeira temporada de “Legends of Tomorrow” convence pela forma como trabalha as suas personagens, mas toda a aventura no tempo para capturar um vilão imortal foi uma desgraça. Tentem imaginar isto com a agravante que na realidade os “Mestres do Tempo” controlavam o tempo e ajudavam o vilão. Percebem porquê que a série precisa de uma nova visão? Felizmente, explorar o mundo da DC Comics de forma mais abrangente é um lado positivo satisfatório e dessa forma dizemos que a série recebe a nossa aprovação, se bem que simbolizamos o “tau-tau” que leva se não melhorar o que deve.

Será pedir muito que transmitam a série em Portugal?


 

Título Original: Legends of Tomorrow
Criadores:  Greg Berlanti, Marc Guggenheim, Andrew Kreisberg e Phil Klemmer
Elenco: Arthur Davill, Brandon Routh, Wentworth Miller, Caity Lotz, Casper Crump
CW Network | Aventura | 1 temporada | 15 episódios

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MM

 

Marcos Mendes

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