Lisbon Film Orchestra

Lisbon Film Orchestra | O maestro Nuno de Sá em entrevista EXCLUSIVA MHD

“Game of Thrones” e “La Casa de Papel” estarão presentes no novo espectáculo da Lisbon Film Orchestra que irá decorrer a 9 de dezembro no Campo Pequeno, pelas 18h00. Para comemorar o evento, a MHD esteve à conversa com o maestro Nuno de Sá e ficámos a conhecer um pouco mais sobre a LFO e sobre as surpresas que esperam os espectadores!

A grande orquestra das bandas sonoras que nos empolgam e fazem sonhar, vai interpretar, pela primeira vez, músicas de séries, neste concerto de 9 dezembro! O desafio é grande para Patrícia Duarte, a cantora que será Cecilia Krull, ao dar voz ao tema “My Life is Going On” de “La Casa de Papel”. Está também desvendado o nome que propiciará dois dos momentos altos do concerto: a cantora Diana Lucas, de 31 anos, dará voz a “Love theme”, do filme “Cinema Paraíso” e “Audition”, do filme “La La Land”.

Magazine.HD: Pode-nos dar uma ideia dos principais objetivos e da evolução do projecto ao longo destes últimos anos de exibição regular?

Maestro Nuno de Sá: Durante estes onze anos, o objetivo da Lisbon Film Orchestra foi sempre o crescimento e a expansão do nome Lisbon Film Orchestra, e também da sonoridade e do tipo de espectáculo que a Lisbon Film Orchestra faz. Através das bandas sonoras, através das músicas dos filmes e agora, pela primeira vez, das séries, o objetivo foi sempre criar novos públicos, conseguirmos levar essa sonoridade de orquestra ao público quer mais jovem, quer mais velho, aquele público que nunca ouviu uma orquestra e conseguir, de alguma forma, trazer e estimular no público as emoções do que é ver um filme mas com música ao vivo. E esses objetivos têm sido alcançados porque a evolução do projeto tem sido sempre em crescimento, portanto, começando num Cinema São Jorge para 800 pessoas ou numa temporada conseguir fazer cinco espectáculos do norte ao sul do país com o espectáculo Disney in Concert e atuarmos para 20.000 pessoas. Portanto só podemos estar gratos e felizes por este caminho e por tudo aquilo que a Lisbon Film Orchestra tem conquistado e trazido também ao panorama cultural português.

Lisbon Film Orchestra

MHD: Tratando-se duma orquestra de características clássicas, que paralelo ou diferenças considera existirem entre as obras dos grandes mestres da música e as bandas sonoras que interpretam, de autores como John Williams ou Thomas Newman?

MNS: A Lisbon Film Orchestra é uma orquestra sinfónica com todas as características de uma orquestra que se pode chamar de orquestra clássica. É uma orquestra que podia tocar qualquer reportório erodito porque as bases de toda a música de orsquestra vêm desses grandes mestres da música. Autores como o John Williams, é inegável que se tenham inspirado em Gustav Mahler ou compositores românticos porque as sonoridades são muito parecidas, porque é inevitável fazer essa comparação. Mas não esquecer que as bandas sonoras têm o propósito de aumentar a emoção do filme, da cena que se está a ver, e a música realmente vai dar esse enfâse e vai realçar aquilo que a cena tem de melhor. Portanto, quando a banda sonora pode funcionar como uma peça isolada que pode ser interpretada em palco então temos o melhor dos dois mundos, não é? Temos a música que serviu o filme mas também temos música que pode servir como uma obra de arte que pode ser escutada, sentida, individualmente, ou seja, podemos estar na nossa casa, podemos ouvir a banda sonora como se estivessemos a ouvir a nossa sinfonia preferida ou a nossa banda preferida. Existem, como é óbvio, esses paralelos e esses pontos em comum quer na música erudita, quer na música de bandas sonoras.

MHD: Qual a origem da generalidade dos músicos e composição da Lisbon Film Orchestra?

MNS: A Lisbon Film Orchestra não tem nenhum tipo de subsídio estatal nem tem a capacidade de ter uma estrutura organizada de músicos, ou seja, os músicos contratados são músicos freelancers, no entanto, a maior parte deles tocam com a Lisbon Film Orchestra há muitos anos. Felizmente temos conseguido manter uma estrutura sólida de músicos que tocam connosco e que estão connosco já há muitos anos. São todos profissionais, de vários pontos do país (de norte a sul), estudaram nas várias escolas superiores do país, outros no estrangeiro, e têm diversas idades que podem ir desde os 21 ou 22 anos até aos 40 ou 45.

Lisbon Film Orchestra

MHD: Se pudesse eleger duas ou três bandas sonoras originais, que considere marcarem as principais correntes musicais neste género, quais escolheria?

MNS: Eu escolheria duas bandas sonoras e dois compositores que seriam o Bernard Herrmann com o filme “Psycho” que julgo que abriu portas a uma nova linguagem para determinados tipos de filmes e que influenciou bastante os compositores futuros porque o seu trabalho realmente foi bastante original e evoluiu a relação da música com o filme. Depois, sem dúvida falar de John Williams com a banda sonora do “Star Wars”. Toda a força da orquestração, toda a força da linguagem melódica e harmónia julgo que influenciou e foi sem dúvida uma obra importantíssima. Não é ao acaso que é uma banda sonora que tanta gente tem como referência, é um tema de abertura que mexe com toda a gente e que quase toda a gente conhece e já ouviu.

MHD: Alguma surpresa ou novidade especial, no concerto de 9 de dezembro, que possa antecipar e partilhar com os leitores da Magazine.HD?

MNS: Este ano vai ser um concerto especial porque está a ser preparado ao detalhe e a um nível artístico que sem dúvida as pessoas, o público, que estão habituadas aos concertos da Lisbon Film Orchestra vão sentir a diferença. Temos pela primeira vez os temas da “La Casa de Papel” e de “Game of Thrones”, e o espectáculo está pensado e preparado para toda a componente técnica de luz e de som ser realmente muito diferente este ano.

MHD: Pode partilhar com a MHD alguns dos projectos com que a Lisbon Film Orchestra está relacionada como o Arts Summer School, por exemplo?

A Lisbon Film Orchestra para além dos espectáculos e da componente artística, desenvolve uma componente pedagógica muito forte. A Lisbon Film Orchestra tem uma quinta em Valada do Ribatejo, na zona do Cartaxo, que está preparada para receber cursos e dar formações na área das artes performativas, quer seja na música, no teatro, ou na dança. Durante o ano, a Lisbon Film Orchestra tem três principais projetos que são as masterclasses de instrumento, normalmente nas férias da Páscoa, onde é preparado o curso de instrumento no qual os alunos do ensino vocacional podem ter aulas, que estudam durante o ano letivo, com os professores da Lisbon Film Orchestra. É um curso de aperfeiçoamento artísticos.

Depois o Art Summer School, um campo de férias artístico de música, teatro e dança onde os jovens e as crianças dos 10 aos 17 anos podem ir experimentar aulas divertidas – porque é um campo de férias – de teatro, de música, e de dança, desenvolvendo os talentos que possam estar ali escondidos e desbloqueando alguns medos no que diz respeito a se apresentarem em público. Podem partilhar com os colegas aquilo que acham que sentem em relação à arte, que realmente eles têm dentro de si mas por alguma razão não conseguem deitar cá para fora. Também aqueles que já têm esse talento desenvolvido podem de uma forma divertida continuar a explorar e a desenvolver.

O último projeto, também na altura do verão, é o InPAC (Intensive Performing Arts Course), um curso intensivo de artes performativas onde são quinze dias intensos de teatro, música e dança. Isto já é dos 14 aos 25 anos, portanto é um curso mais direcionado para estudantes ou pessoas que já tenham alguma experiência na área das artes performativas e possam estar num curso intensivo a trabalhar com os nossos professores.  Tudo culmina num espectáuclo final onde cada um tem oportunidade de mostrar aquilo que trabalhou durante esses quinze dias e desenvolver profundamente todas as suas capacidades.

LISBON FILM ORCHESTRA | UM ESPECTÁCULO A NÃO PERDER

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Ângela Costa

Mestre em Cinema pela Universidade da Beira-Interior, sou apaixonada pelo cinema japonês e toda a cultura que o envolve. Adoro igualmente fotografia e se tiveres curiosidade passa no meu Instagram ;) Música e videojogos são dois outros grandes interesses.

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