Magic Mike, em análise

 

Título Original: Magic MikeRealizador: Steven Soderbergh

Elenco: Channing Tatum, Alex Pettyfer e Olivia Munn

Género: Drama, Comédia

ZON | 2012 | 110 min

Classificação:

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Steven Soderbergh sempre foi um realizador muito experimentalista. Já tentou falar sobre os problemas de uma mãe solteira (“Erin Bronckovich”), em “Traffic” entrou no mundo da droga, na trilogia “Ocean’s 11/12/13”marcou presença no solo do dinheiro fácil, pisou os terrenos de um filme-catástrofe (“Contágio”) e até já explorou o universo da prostituição (“Confissões de Uma Namorada de Serviço”). Desta vez, e apoiado levemente na vida de Channing Tatum, conduz uma viagem pelo strip masculino.A premissa é bastante simples (talvez demasiado simples): Magic Mike é um stripper que conhece Adam, um rapaz de 19 anos, num dos seus negócios (construção civil), e que mais tarde convida para o seu grupo de strippers que atuam num bar onde não falta ‘dinheiro, mulheres e curtes’. O mais interessante mesmo é ver a forma como Soderbergh transforma algo simples e (diga-se) um pouco oco, num filme agradável e com ideias.

Nunca sendo demasiado óbvio nas suas abordagens e tentando não cair nos clichés dos filmes do género, Soderbergh aborda levemente o mundo das drogas e do dinheiro, para se focar mais atentamente na personalidade de um stripper como Magic Mike (Channing Tatum). E Mike é apenas um homem que, apesar de possuir diversos negócios (entre os quais o de stripper) sonha em estar numa praia e fazer cadeiras e mesas durante toda a sua existência. É de facto de sonhos que se enche o filme. Os sonhos de Mike, a vida que ambiciona ter, o dinheiro que poupa para a conseguir são sempre apresentados através do binómio Magic Mike/Mike – duas pessoas distintas. A primeira, existe no palco, é sedutor, dança, ganha dinheiro. O segundo é o Mike real, um ser divertido, ambicioso, responsável e…sonhador.
Channing Tatum, depois de nos ter mostrado que tinha algum talento em “Agentes Secundários”, revela em “Magic Mike” as suas verdadeiras capacidades, compondo um papel que lhe é familiar (foi stripper na adolescência) e que é muito facilmente o melhor papel da sua carreira. Ao nível de Tatum, só Matthew McConaughey que nos apresenta um papel carismático, com características bem vincadas e acima de tudo muito divertido. Alex Pettyfer (Adam) exibe-se também num bom nível deixando para trás alguns trabalhos bem fracos como “Sou o Número 4”. E o elenco estaria perfeito (como é habitual em filmes de Steven Soderbergh) se Cody Horn (que representa a irmã de Adam) não estivesse presente. Sem expressão, sem poder dramático, sem carisma.

Ao fim de quase duas horas de duração, há a sensação que a interessante história que foi contada foi totalmente dizimada. Soderbergh encarrega-se de apresentar um final inesperado, pouco organizado e onde até dá a sensação que foi cortada alguma cena extra. Na realidade, muitas histórias não são fechadas como deveriam ser (mais dez minutos teriam resolvido o problema).

Não sendo um dos melhores filmes de Steven Soderbergh (também não é dos piores), “Magic Mike” é divertido, leve e interessante tanto para o público feminino como para o masculino. Podia, contudo, ser substancialmente mais ambicioso.

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