As 7 músicas que o CEO da Wilson Audio usa para testar algumas das melhores colunas do mundo

David Wilson e o filho Daryl Wilson na fábrica da Wilson Audio. Daryl lidera atualmente a marca fundada pelos pais em 1974. © Wilson Audio

Quem não tem aquela música especial que conhece de trás para a frente e coloca a tocar sempre que quer avaliar umas colunas, um sistema Hi-Fi ou até a acústica de uma sala?

Para uns será uma voz cuja respiração conhecem ao pormenor. Para outros, um contrabaixo capaz de denunciar imediatamente um grave descontrolado, uma bateria que testa dinâmica e velocidade ou uma gravação particularmente espaçosa que permite perceber, em segundos, se o palco sonoro está realmente lá.

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Mas a coisa ganha outro interesse quando quem escolhe as faixas é Daryl Wilson, CEO da ⁠Wilson Audio, uma das referências mundiais na construção de colunas High-End. E ganha ainda mais quando Daryl explica precisamente o que procura ouvir em cada gravação.

As 7 músicas que Daryl Wilson usa para testar colunas

Durante cinco sessões de audição das extraordinárias ⁠Wilson Audio Autobiography, Daryl Wilson utilizou as mesmas sete faixas para avaliar diferentes características do sistema: imagem, profundidade, extensão do grave, escala, timbre e resolução. Cada uma tem uma missão:

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  • “Bubbles”, Yosi Horikawa – Bolas, berlindes e outros pequenos objectos percorrem o espaço. Daryl utiliza-a para testar profundidade, largura e localização precisa da imagem sonora.
  • “St. Francis”, Michael Stearns – Insectos, pássaros, fogo e outros sons naturais permitem avaliar até onde se prolonga a imagem para além das próprias colunas. Um teste particularmente revelador da profundidade e tridimensionalidade do palco sonoro.
  • “Sunshine of Your Love”, YOOKiE – Mudança radical de registo para descobrir aquilo que acontece nas regiões mais profundas do espectro. Aqui interessam sobretudo extensão, impacto e pressão do grave.
  • “Crooked”, Smilk – Uma produção electrónica deliberadamente gigantesca. Daryl procura perceber se o sistema consegue preservar essa sensação de escala, abertura e dimensão, sem achatar a apresentação.
  • “Japanese Roots”, TakéDaké With Neptune – Os instrumentos de bambu permitem avaliar a fidelidade tímbrica: devem soar inequivocamente como bambu. Igualmente importante é o decay, com as notas a desaparecerem progressivamente no silêncio sem serem mascaradas por ruído de fundo.
  • “Don’t Worry, Be Happy”, Bobby McFerrin – Todos os sons provêm do próprio McFerrin. Voz, linhas semelhantes a baixo, efeitos rítmicos e percussão corporal permitem testar separação e resolução, mantendo simultaneamente a coerência do intérprete.
  • “The Pink Panther Theme”, Henry Mancini – Aqui acaba praticamente o teste técnico. Daryl associa o tema à casa da avó e às suas memórias de infância. É a música a recordar-nos para que serve, afinal, toda esta tecnologia.

Das pequenas TuneTot às monumentais Autobiography

Autobiography Wilson Audio
© Wilson Audio

Ao longo de mais de cinco décadas, a Wilson Audio construiu uma gama que mantém uma característica pouco habitual no High-End: existe uma identidade familiar muito clara entre modelos de dimensões e preços radicalmente diferentes.

Na entrada da gama encontramos as compactas ⁠TuneTot, concebidas para levar a filosofia Wilson a espaços onde uma grande coluna de chão simplesmente não seria possível. Seguem-se as ⁠Sabrina V, as renascidas ⁠The WATT/Puppy, as ⁠Sasha V e as imponentes ⁠Alexia V, antes de entrarmos no território dos gigantes da marca.

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No topo desta filosofia estão actualmente as monumentais ⁠Autobiography, precisamente as colunas utilizadas por Daryl Wilson na demonstração que deu origem a esta selecção musical.

Tudo começou com um monitor que Dave Wilson não conseguia comprar

Tune Tot Wilson Audio
© Wilson Audio

A história da Wilson Audio começou em 1974 com ⁠David A. Wilson e Sheryl Lee Wilson, transformando uma paixão pela reprodução musical numa empresa que viria a tornar-se uma das referências mais reconhecidas do High-End mundial.

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Dave Wilson trabalhava também em gravação e estava insatisfeito com os monitores portáteis disponíveis. Precisava de uma coluna suficientemente pequena para transportar para as sessões, mas capaz de lhe revelar com rigor aquilo que estava realmente a gravar. A solução foi construir a sua própria coluna.

Nasceu assim o WATT – Wilson Audio Tiny Tot. Não confundir com as actuais TuneTot: o WATT nasceu como monitor para o próprio trabalho de gravação de Dave Wilson e acabaria por assumir um papel decisivo na história da empresa.

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Quando ao pequeno monitor foi acrescentado o módulo de graves Puppy, nasceu um dos produtos mais emblemáticos da história do High-End.

WATT/Puppy: o regresso de um ícone 50 anos depois

Watt Puppy Wilson Audio
© Wilson Audio

Para assinalar os 50 anos da Wilson Audio, a marca recuperou um dos nomes mais famosos da sua história através das novas ⁠The WATT/Puppy.

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Não se trata apenas de nostalgia. As WATT/Puppy atravessaram sucessivas gerações e foram durante muitos anos um verdadeiro ex-líbris da Wilson Audio, estabelecendo uma arquitectura modular que deixaria uma marca profunda na evolução da empresa. Essa linhagem acabaria também por conduzir às Sasha.

Sasha DAW: três letras com uma história muito especial

Sasha V Wilson Audio
© Wilson Audio

As Sasha DAW, antecessoras das actuais Sasha V, carregam no próprio nome uma homenagem ao fundador: DAW são as iniciais de David Andrew Wilson.

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Daryl Wilson cresceu literalmente dentro da empresa fundada pelos pais. Passou por diferentes áreas da Wilson Audio e trabalhou durante anos ao lado do pai no desenvolvimento de novas colunas, antes de assumir a liderança da marca.

Hoje é Daryl quem dá continuidade à obra iniciada por David e Sheryl Wilson, mantendo uma filosofia que atravessou mais de meio século de profundas mudanças na reprodução de música.

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Nota do Editor: Há aqui também uma ligação pessoal. Sou há vários anos feliz proprietário de um par de Wilson Audio Sasha DAW, as colunas do meu sistema principal, e conheço bem a capacidade desta linhagem para revelar — para o bem e para o mal — aquilo que lhes colocamos a tocar. Em Portugal, a ⁠Wilson Audio é representada pela Imacústica, onde podem ser encontrados vários dos modelos actuais da marca.

E talvez seja precisamente por isso que conhecer as sete músicas escolhidas por Daryl Wilson seja tão interessante. Não constituem uma fórmula mágica para avaliar umas colunas. São antes sete pequenas janelas para perceber o que alguém que passou praticamente toda a vida a desenvolver sistemas de reprodução musical procura quando se senta finalmente para ouvir.

No fim, depois da precisão, do grave, da imagem, do palco e da resolução, Daryl Wilson regressa a Henry Mancini e às memórias da casa da avó. Porque o melhor sistema do mundo continua a ter apenas uma missão: fazer-nos querer ouvir música.


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