“Artificial”, o filme de Luca Guadagnino inspirado na história real da OpenAI, estreou na segunda-feira, 5 de outubro, no Festival de Cinema de Nova Iorque. Imediatamente, o drama conquistou a crítica americana e saltou para a corrida aos Óscares 2027, disputando espaço com “A Odisseia” e “La Bola Negra”.
Qual é a história de Artificial?
O filme recria a crise de novembro de 2023 na OpenAI. Na altura, o conselho de administração despediu Altman e reintegrou-o poucos dias depois.
A história começa com Ilya Sutskever, um cientista idealista preocupado com o rumo da tecnologia. Só depois Altman ganha protagonismo, retratado como alguém que manobra para chegar ao topo. A banda sonora fica a cargo de Damon Albarn, vocalista dos Blur.
O argumento é de Simon Rich (“Saturday Night Live”) e aposta num tom de comédia negra.
Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha”) interpreta Altman, enquanto o nomeado ao Óscar por “Anora” Yura Borisov dá vida Ilya Sutskever. Monica Barbaro (“A Complete Unknown”), Cooper Hoffman (“Licorice Pizza”), Mark Rylance (“Até aos Ossos”), Jason Schwartzman (“Rushmore”) e Chris O’Dowd (“Bridesmaids”) estão no elenco. Além disso, o comediante Ike Barinholtz (“The Studio”) surge na pele de Elon Musk.
Porque é que a Amazon largou Artificial?
O filme nasceu na Amazon MGM Studios, que o financiou e chegou a ver o projeto como mais uma parceria com Guadagnino, depois de “Challengers” e “Depois da Caçada”.
Em junho, porém, o estúdio desistiu da distribuição, com o filme quase concluído. A decisão surgiu poucos meses depois de a Amazon anunciar um investimento de 50 mil milhões de dólares na OpenAI.
A empresa justificou-se dizendo que o filme teria melhor destino noutro distribuidor. Segundo a imprensa norte-americana, Netflix, A24 e Focus Features também recusaram o projeto. A Neon acabou por comprar os direitos mundiais, menos de duas semanas depois da saída da Amazon.
Esta história pode ajudar o filme nos Óscares. O caso deu a “Artificial” uma narrativa fácil de contar: o filme que uma gigante tecnológica não quis distribuir, apesar de custar cerca de 40 milhões de dólares e de ter tido boas sessões de teste. Além disso, a polémica deu visibilidade ao filme meses antes de qualquer campanha.
O que diz a crítica?
No Rotten Tomatoes, o filme conta atualmente com 92% de aprovação. No Metacritic, a média ronda os 76. Entre as vozes mais positivas, a “Variety” compara a abordagem de Garfield à de Anthony Perkins em “Psycho”, ao construir um Altman que parece cordial por fora e perturbador por dentro. Por sua vez, o “Deadline” acredita tratar-se do flme “mais importante que vamos ver este ano”.
O “Next Best Picture” elogia o regresso de Guadagnino em booa forma, mas admite que o filme demora a encontrar o tom certo. Por fim, o “San Francisco Chronicle” avisa que o retrato de Altman é duro e que o próprio visado dificilmente vai gostar.
Em que categorias dos Óscares 2027 pode Artificial concorrer?

A Neon já definiu a estratégia para os Óscares. Garfield compete em Melhor Ator Secundário, enquanto Borisov entra em Melhor Ator Principal. Mark Rylance também concorre a Secundário, e Monica Barbaro tenta uma nomeação a Melhor Atriz Secundária.
Para além destas, o “Next Best Picture” vê hipóteses em Melhor Argumento Original, Casting e Banda Sonora. Em Melhor Filme, o cenário é mais cauteloso. “Artificial” não é um favorito garantido, como “A Odisseia”, “Wild Horse Nine” ou “La Bola Negra”. mas pode beneficiar da narrativa e da atualidade do tema para tomar a corridia de assalto.
Em toda a sua carreira, Guadagnino sóo conseguiu nomeação a Melhor Filme com “Chama-me Pelo Teu Nome”, em 2017. Desde então, “Challengers“, “Queer” e “Depois da Caçada” não vingaram.
Quando estreia Artificial em Portugal?
Para já, não há data nem distribuidora confirmadas para Portugal. A Neon detém os direitos mundiais e vai negociar diretamente nos países onde não distribui. Nos Estados Unidos, o filme chega às salas a 25 de dezembro.


