O Panda do Kung Fu 3, em análise

O Panda do Kung Fu 3 propõe terminar um franchise da melhor forma possível, com  alguns clichés, mas com muita animação. 

Depois de enfrentar Tai Lung na primeira aventura e descobrir na segunda o seu passado, Po regressa para aquele que se afirma como último momento de ‘altamentivês’. Nada que não estivéssemos à espera, tendo em conta as avultadas receitas de bilheteira que a Dreamworks Animation faturou tanto nos Estados Unidos da América, como no resto do planeta. Mesmo assim, O Panda do Kung Fu 3 vai muito além de um mero produto de indústria e surpreende-nos pela riqueza das suas imagens, sem ser ‘mais uma daquelas sequelas’ prontas a entrar no esquecimento.

Neste capítulo, o Guerreiro Dragão (dobrado por Jack Black na versão original e por Marco Horácio na versão portuguesa), continua a proteger, mesmo que atrapalhadamente, o Vale da Paz. Como habitual, a ajuda-lo estão os Cinco Sensacionais (Tigresa, Louva, Macaco, Víbora e Grou) e o Mestre Shifu, sendo que este último garante que chegou a sua hora de descansar. Será que irá morrer? Nem por isso, Shifu apenas anseia para que Po se torne um herói à altura do título que recebeu pelas mãos do Mestre Oogway, mas as dúvidas persistem, tanto para ele, como para nós, espectadores. No sentido de dificultar a situação do protagonista, o enredo apresenta-nos um novo vilão proveniente do Reino dos Espíritos, Kai (voz do vencedor do Óscar J.K. Simmons, numa escolha extremamente acertada) disposto a consumir o ‘chi’ de cada ser vivo, ou melhor dizendo, retirar todas as almas existentes no Reino dos Mortais.

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O Panda do Kung Fu

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Até aqui, nada de novo, muda-se o arqui-inimigo e mantêm-se as piadas dos anteriores com o intuito de satisfazer toda a família nesta Páscoa que se avizinha, mas, como já referido, não é apenas disso que vive esta tão divertida animação. Po que pensava ser o último da sua espécie conhece finalmente o seu pai biológico, Li (Bryan Cranston), e o reencontro é pura magia, sobretudo se prestarmos atenção às atitudes do senhor Ping (James Hong), o pai adotivo da personagem principal, que inicia uma competição paternal, capaz de reenviar a outra coisa. Na verdade, se no recente Zootrópolis, da Disney, refletiu-se sobre a discriminação e desigualdade entre diferentes comunidades, O Panda do Kung Fu 3 explora a dimensão mais familiar e o sentido que entretanto lhe pode ser conferido.

Além de uma mensagem que remexe em temáticas importantes, este projeto vale pelos seus cenários, tão coloridos que estão sempre um passo à frente quando comparado aqueles utilizados nos dois filmes anteriores. Esse visual, por vezes poético, deixa-nos completamente de queixo caído, seja através da luz do sol, das texturas dos vestuários ou das tonalidades das peles dos animais, tudo graças ao diretor artístico Raymond Zibach e ao empenho dos realizadores Alessandro Carloni e Jennifer Yuh. Não há dúvidas que este é já um dos maiores trunfos do cinema deste ano, com eficácia em conciliar a técnica à criatividade da trama, capaz ainda de nos envolve numa cultura distinta, que aos poucos temos o prazer de conhecer, nem que seja com base num ponto de vista ocidental.

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O Panda do Kung Fu 3

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Tempo ainda para mencionar a edição de imagem, de ritmo fluído, que nunca chega a aborrecer. O envolvimento na história é também garantido pela banda-sonora, do compositor alemão Hans Zimmer que nos envolve uma vez mais nos seus ritmos transcendentes e metafísicos, com um ligeiro tom pop, nomeadamente através da reinvenção da música “I’m so Sorry” dos Imagine Dragons.

Irremediavelmente O Panda do Kung Fu 3 irá fechar um ciclo da sua vida, mas o seu olhar único a cada segundo permite que o nosso ‘chi’ se despeça do grupo de cabeça erguida para outras tantas aventuras. Everybody was kung-fu fighting!!

O Panda do Kung Fu

O MELHOR – O ritmo frenético da animação e o facto dos clichés passarem completamente despercebidos.

O PIOR – É pena que a melhor trilogia da Dreamworks esteja a terminar, mas talvez para o bem do franchise.


Título Original: Kung Fu Panda 3  
Realizador: Alessandro Carloni, Jennifer Yuh
Elenco: Jack Black, Bryan Cranston, James Hong, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, J.K. Simmons, Seth Rogen, Lucy Liu, David Cross e Jackie Chan   
Big Pictures | Comédia, Animação | 2016 | 95 min

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VJ

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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