The Paperboy – Um Rapaz do Sul, em análise

 

The Paperboy - Poster Título Original: The PaperboyRealizador: Lee DanielsElenco: Matthew McConaughey, Zac Efron, Nicole Kidman e John Cusack

Género: Thriller/Drama

ZON | 2012 | 107 min

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Depois da montanha-russa emocional que tornou “Precious” num dos dramas mais cruéis dos últimos anos, era legítimo esperar um murro no estômago de proporções idênticas no novo filme de Lee Daniels. Mas este surge desta vez menos concentrado na complexidade dramática dos personagens e, talvez por isso, “The Paperboy” seja um filme substancialmente menos convincente e bem mais superficial no que toca à profundidade das problemáticas dos intervenientes. Ainda assim, não se entende a desmesurada aversão que o filme foi causando em grande parte da crítica internacional.

Embora Lee Daniels se preocupe em expor alguns dos subtemas cruamente explorados em “Precious” como a descriminação étnica e o domínio pessoal pela via sexual e física, aqui fá-lo de uma forma mais leve, concentrando-se mais na história enquanto thriller, e menos na exploração moral dos seus sub-plots.

The Paperboy (2)

O seu design a lembrar o cinema trash, a descair para tons pop e old fashioned, apesar competentíssimo nos jogos de câmaras e qualidade fotográfica (saturada e quase literalmente imunda), vai sempre tentando camuflar alguma falta de fulgor no argumento. Embora, tenhamos de admitir, na última meia hora Lee Daniels redime-se, provocando afunilamento tenso e claustrofóbico do enredo, o que causa um enorme desconforto.

Mas a certa ligeireza narrativa e o pouco refinado argumento são muito facilmente eclipsados pelo desempenho avassalador do elenco.

The Paperboy (3)

 

Embora não seja o foco principal da história, Nicole Kidman rouba a nossa atenção sempre que surge em cena. E se o seu visual espanta logo à primeira vista (embora com uma quantidade de botox em excesso), o que dizer dos seus gestos e expressões? Uma combinação sublime de trejeitos notoriamente burlescos (o seu sotaque é primoroso) e sinais faciais por vezes tão seguros, outras vezes tão frágeis. A figura sexual do filme, pintada de tonalidades rosa, a fazer lembrar uma daquelas bonecas de infância, embora com um cariz sexual bem mais provocador. Uma das melhores interpretações femininas do ano.

Zac Efron mostra que tem mais para dar do que shows infantis de High School Musical, revelando que é capaz de ser emotivo, sensível e destemido quando é solicitado. Já na senda de um ano glorioso, Matthew McConaughey exibe-se mais uma vez em alto nível com a recriação de um jornalista homossexual. E John Cusack, entendendo que a sua personagem é a chave da narrativa, tona-se na peça do puzzle que faltava para que a trama engendrada seja o mais fatal possível.

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E com um remate final completamente inesperado, “The Paperboy” estupra os corações mais esfriados e comprova que tinha mais cinema para dar caso a tensão evidenciada no último ato fosse corretamente aplicada a toda a narrativa.

Apesar de alguns altos e baixos, “The Paperboy” traduz-se numa agradável surpresa, principalmente por ter a capacidade de se revelar bem mais fatídico do que aquilo que imaginávamos.

Uma obra difícil de enquadrar no panorama cinematográfico, com um visual ousado e engordurado e uma quantidade assinalável de boas interpretações, num filme que não deixará de causar amores e ódios.

DR


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