Para colmatar o encerramento dos cinemas, esta cidade tem novo cineclube
Enquanto Portugal assiste ao encerramento de várias salas de cinema, o movimento cineclubista está cada vez mais forte. Assim, há um novo cineclube em Portugal.
Em 2025, encerraram cerca de 100 salas de cinema em Portugal. Além disso, o ano de 2025 foi o pior do século, sem contar com a pandemia, em termos de espectadores da sala escura. No entanto, os cineclubes apresentam-se como uma forte alternativa para o consumo de cinema em Portugal e até têm crescido em espectadores. Uma das cidades que recentemente ficou sem exibição comercial vai passar a ter um novo cineclube.
Onde fica o novo cineclube português?

Aqui na MHD temos vindo a divulgar a atividade dos cineclubes nacionais desde meados de 2025. Acreditamos que o seu papel é fundamental e será cada vez mais relevante na divulgação da cultura cinematográfica.
Entretanto, há um novo cineclube a surgir em Portugal. Depois das fundações recentes do Cineclube das Caldas da Rainha (em 2022), do Cineclube de Pombal (em 2022), do Cineclube Vilafranquense (em 2023) e do CineClube Gândara Bairrada (em 2025), chegou o Cineclube de Leiria.
Leiria é, na verdade, um caso diferente nos encerramentos de salas de cinema. O concelho tinha salas de cinema da Cineplace e também do Cinema City. Enquanto a primeira declarou insolvência e encerrou todas as salas que tinha em Portugal, o caso da segunda encerrou devido à tempestade Kristin.
Ainda sem data prevista para a reabertura do Cinema City de Leiria, o novo cineclube surge.
Onde podes ver a programação?

A programação do Cineclube de Leiria vai arrancar oficialmente já este sábado 18 de abril às 21h30 nas instalações da empresa Void, no Centro Comercial D. Dinis.
A primeira sessão vai ser mais especial. Assim, além da apresentação do cineclube, haverá performance com textos musicados e projeção de filmes de família em formato Super 8.
A nova associação cinematográfica prevê realizar sessões quinzenais e irá levar ainda algumas das suas sessões ao resto do país.
O que dizem os fundadores do Cineclube de Leiria?
Em conversa com a Agência Lusa, o trio de fundadores do Cineclube de Leiria – Sal Nunkachov, Edite Santos e Raquel Quintino – refere que o mesmo já era na verdade “um desejo antigo”.
Sem qualquer sala de cinema ativa em Leiria neste momento, o novo cineclube pretende pois “(…) afastar[-se] do que o cinema se tem tornado – uma indústria –, afastando-nos dessa ideia de cinema de entretenimento. Queremos um cinema que obriga a ter tempo. E depois esse tempo potencia uma reflexão. É esse o objetivo principal deste tipo de trabalhos que vamos apresentar”.
Em termos de programação, a mesma recairá sobretudo em: “(…) primeiras obras, extensões de festivais menores, filmes que caíram em desuso, filmes do protocinema – de 1910, 1920, etc. – ou obras de videoarte, filmes de Super 8 caseiros”.
Os filmes super 8 que vão ser apresentados na primeira sessão foram encontrados por Sal Nunkachov em feiras nacionais e internacionais. Nesse sentido, o fundador referiu: “Esses filmes são muito interessantes, porque oferecem uma visão doméstica do mundo. Vemos carros que já não existem, fachadas de edifícios que não coincidem com o que vemos hoje nas cidades, o próprio modo de vida. Há uma certa dose de antropologia e sociologia, política, inclusive, que se podem observar nessas coisas, que são muito interessantes”.

