Primeiro dia do NOS Primavera Sound 2015 | Não há frio que resista aos Interpol e Caribou

 

Tal como tinhamos antecipado no nosso preview, o NOS Primavera Sound 2015 arrancou da melhor maneira. O Sol marcou presença até cair (de contente), e o frio que se levantou mais à noite, foi plenamente vencido pela excelente organização do festival. Era visível a boa disposição que reinava pelo amplo e agradável espaço do Parque da Cidade para o que contribuíram obviamente as magníficas atuações deste primeiro dia.

 

Cinerama marcou cedo o tom duma noite de grandes bandas. Esta outra face mais pop dos saudosos Wedding Present, revelou que não obstante as melodias mais românticas e a bela voz de crooner de David Gedge, na essência mantêm-se os mesmos firmes pilares dum rock consistente e duma alma de vanguarda.

 

Já com o Sol a despedir-se, a cantora e poetisa Patti Smith mostrava sem necessidade de amplificação, todo o seu power no palco Pitchfork, em jeito de aperitivo para a muito esperada reconstrução de “Horses” no dia seguinte no grande Palco NOS.

 

Mac DeMarco pareceu indiferente à luz do Sol, enquanto brincou e desafiou tudo à sua volta, ora em torno dos seus conhecidos hinos, ora em orgias rebeldes bem apoiadas pela sua obstinada banda.

 

FKA Twigs cantou, torceu-se e dançou ao som dos seus exóticos ritmos e coreografia, perante uma legião de visíveis fãs. Foi igualmente o acender das luzes e da cor acrescida neste festival.

 

Mas as cores mais vivas aconteceram sobretudo ao som dos Interpol. Depois duma atuação no Alive 2014 que deixou algumas dúvidas, a banda nova-iorquina liderada por Paul Banks, mostrou que ainda são donos do pódio das atuais melhores bandas. Mercê dum alinhamento mais equilibrado entre velho e novo repertório, este provavelmente o ponto mais alto do dia, o mínimo a mais consistente e empolgante atuação da noite.

 

Noite que acabou em festa, com uma imensa plateia literalmente toda a dançar ao som dos gigantes Caribou. A época do experimentalismo parece ter ficado para trás, ou então somos nós que já assumimos na plenitude a proposta deste canadiano, que todos os dias mostra novos caminhos aos DJ, no que toca à sua capacidade natural de hipnotizar plateias. Grandes músicos. Belo espetáculo.

 

RR

 

 

Crédito de Imagens: © Hugo Lima

Rui Ribeiro

Engenheiro, publisher, melómano e audiófilo, daqueles que ainda vão ao cinema, compram vinil, cd's, blu-rays, a Empire e a Stereophile em papel.

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