A Queda de Wall Street, em análise

Se conversas de economia não são para ti não há qualquer problema, A Queda de Wall Street explica. 

A Queda de Wall Street Título Original: The Big Short
Realizador: Adam McKay
Elenco: Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling e Brad Pitt
Género: Drama | Comédia
NOS Audiovisuais | 2015 | 111 min
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Mais um filme nomeado à edição deste ano dos Óscares, concorre em cinco categorias (melhor filme, melhor realizador, melhor ator secundário, melhor argumento adaptado e melhor montagem), A Queda de Wall Street é um daqueles projetos que raramente são feitos e quando o são jamais os esquecemos. Depois do desvairado O Lobo de Wall Street, realizado por Martin Scorsese e protagonizado por Leonardo DiCaprio seria de prever alguns percursores do estilo. Com uma história intrínseca ao mundo inteiro, o novo filme de Adam McKay (conhecido cineasta de comédias como Filhos e Enteados) é uma experiência fundamental para os dias que correm, aliás o seu tema é aquilo que controla o quotidiano – dinheiro. Dinheiro que se investe, dinheiro que se ganha e dinheiro que se perde.

A Queda de Wall Street
Ryan Gosling como Jared Vennett

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A Queda de Wall Street é um filme baseado no livro de Michael Lewis, por isso mais uma adaptação literária que por esta altura costuma chegar às salas (na mesma semana estreou Brooklyn) e quase que somos obrigados a ler o livro para compreendermos o processo de transição da sua linguagem complexa sobre Economia para o grande ecrã. A trama tem como enfoque a crise de 2008 que abalou os Estados Unidos da América (e mundo), consequência das fugas ao fisco e dos investimentos exorbitantes que existiam no mercado imobiliário.

Novamente um filme que ousa espelhar a realidade depravada, sem medos das ditas leis na forma de contar uma história, A Queda de Wall Street usufrui de um dos melhores elencos do ano recheado de talentos de Hollywood: Christian Bale, Ryan Gosling, Steve Carell e Brad Pitt que conseguem desenvolver – como já nos habituaram – a vertente mais dramática, paranóica e quase esquizofrénica das suas personagens.

A Queda de Wall Street

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A narrativa parece no início desenrolar-se como um conjunto de entrevistas em que as personagens estão de frente para o espetador (cortam a quarta barreira | quarta parede) e conhecemos as suas motivações e o seu passado, por exemplos Christian Bale às vezes parece uma versão misturada de Bradley Cooper em Guia para um Final Feliz, com a personagem de Milles Teller de Whiplash: Nos Limites, devido ao seu gosto por bateria. É ele realmente a personagem que mais se destaca, em todos os seus medos e traumas, que decidiu seguir aquele caminho da leitura de números porque é tímido, mas em nada ingénuo. Já Ryan Gosling é uma cópia de Jordan Belfort – novamente O Lobo de Wall Street – mas consegue ser mais plástico que DiCaprio (vejam só aquele penteado!). Brad Pitt é a personagem mais humana, o único que decide deixar a vida da banca porque finalmente percebeu que face à ânsia de lucrar existem outras pessoas que perdem as suas casas, os seus empregos, as suas vidas. Entretanto, as novas caras e a restante equipa também merecem ser aqui destacadas, sobretudo os jovens Finn Wittrock (Invencível) e John Magaro (Carol), cujas personagens seguem quase ilusoriamente o sonho americano.

A Queda de Wall Street
Finn Wittrock como Jamie Shipley e John Magaro Charlie Geller

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Na forma como trespassa a sua linguagem este é um projeto ousado. Embora utilize os termos que ouvimos em aulas de Economia durante o curso, o típico blá blá blá também usado nos noticiários sobre swap’s, bolha imobiliária, BBB e AAA não há problema, aparece sempre Margot Robbie numa banheira e a beber champanhe ou Selena Gomez para explicar. É aqui que o estilo de McKay consegue ser fantasticamente divertido, interessante como pretende aproximar jovens de narrativas com uma fórmula mais pop – afinal há algumas músicas conhecidas da malta que surgem. Para o realizador e para os atores (alguns parecem ter o texto bem decorado) importa mais a forma como se conta do que aquilo que se está a contar.

Outro ponto curiosos é uma envolvência do espetador por aquele mundo de aparências, de luxo com relógios e smokings caríssimos, que lamentavelmente mostra como funciona a sociedade dos dias que correm. Enquanto os poderosos e gananciosos bancários festejam o dinheiro que têm, os cidadãos comuns choram a perda das suas casas, a perda dos seus empregos, enfim a perda das suas vidas. No ponto de vista técnico é na montagem que o filme mais se destaca com o tom frenético e excêntrico que mostra como funciona o sistema.

Bem se ainda sentimos os efeitos da crise também este filme será durante muito tempo comentado. A Queda de Wall Street pode parecer à partida um fracasso, pelas imitações a outro projeto ainda recente, mas é mais um exemplo dos génios modernos que existem tanto à frente como atrás das câmaras. Quase que Martin Scorsese e Woody Allen encontraram substituto à altura, quase…

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VJ

 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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